Dissertação

Acabar com a dengue é uma “guerra de todos”? A presença do discurso mobilizador nas campanhas publicitárias

Acabar com a dengue é uma “guerra de todos”? A presença do discurso mobilizador nas campanhas publicitárias de prevenção à dengue da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais

Esta pesquisa visa a analisar as campanhas publicitárias da Secretaria de Estado e Saúde de Minas Gerais (SES-MG), com foco no combate à dengue, veiculadas na televisão, e compreender como a noção de mobilização social atuou como estratégia discursiva nesse objeto. O estudo da dengue se apresenta como uma questão de comunicação social, porque o combate à doença requer o envolvimento das pessoas, já que os focos do mosquito normalmente estão dentro do ambiente doméstico.

Neste sentido, a comunicação é entendida como um método relevante para a conscientização e mobilização de cada cidadã e cidadão. Nosso corpus de análise foram as peças para televisão da campanha publicitária contra a dengue, veiculadas na TV aberta. Analisamos quatro peças, sendo que três foram de 30 segundos e uma de um minuto e nosso recorte temporal enfocou o período de 2010 a 2014. Essas peças foram estudadas a partir da perspectiva da nova análise do discurso proposta por Charaudeau (1996), que concebe os discursos como algo que resulte de uma articulação de mão dupla e não determinista, entre os planos situacional e linguístico. Alguns dos resultados encontrados foram: a presença direta ou indireta do discurso bélico, já que a secretaria defendia o raciocínio de que o mosquito da dengue era um inimigo em comum de “todos” e era de interesse comum acabar com a doença.

O Estado ocupou um lugar de fala centralizado e pedagógico, cabendo a ele transmitir as informações para as cidadãs e os cidadãos. Somado a isso, este lugar discursivo foi predominantemente o masculino, pois observamos em todas as peças a presença masculina em lugar de destaque, representando a instituição. Cabia a esse corpo e a essa voz masculinas exercerem o papel de informar e dizer às pessoas o que deveriam fazer. Também foi perceptível que, embora os conceitos-chaves das campanhas tenham sido: “a participação de todos”, “Guerra de todos” ou um “problema de todos”, notamos nas peças analisadas, que coube às pessoas que aparentavam menor poder aquisitivo a tarefaefetiva de empreender ações para eliminar os focos da doença. Nossa visada teórica partiu do princípio de que a comunicação é um processo dialógico e relacional. Entendemos, assim, o ser humano enquanto uma atriz ou um ator social, responsável por suas ações e não um ser que simplesmente reage a estímulos ou motivações.

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Vivian Tatiene Nunes Campos

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