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Ancine lança primeiro edital para produção de jogos eletrônicos

As informações da Ancine indicam que 125 empresas brasileiras atuam no ramo de games (Imagem: Rovena Rosa/Agência Brasil)

Daniel Mello*

A Agência Nacional do Cinema (Ancine) lançou na segunda-feira, 5, um edital de financiamento para desenvolvimento de jogos eletrônicos e disponibilizou ao setor para consulta pública. Serão investidos R$ 10 milhões do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) para a produção de 24 jogos. Os conteúdos devem ser lançados no mercado de consoles (videogames), computadores ou dispositivos móveis.

O edital, primeiro específico para o gênero, busca, segundo o presidente da Ancine, Manoel Rangel, ampliar a participação das empresas brasileiras no mercado de jogos eletrônicos. Os números apresentados durante o lançamento indicam que o setor fatura US$ 99, 6 bilhões por ano em todo o mundo e US$ 1,28 bilhão no Brasil.

Os projetos serão selecionados a partir de três categoriais: dois projetos receberão até R$ 1 milhão cada, dez terão aporte de R$ 500 mil e 12 vão ganhar R$ 250 mil. Ao menos 30% das empresas contempladas devem estar sediadas nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Há ainda um percentual mínimo de 10% para produtoras do Sul e dos estados de Minas Gerais e Espírito Santo.

Pequenas produtoras
A proposta da agência é, de acordo com Rangel, fortalecer as produtoras independentes, especialmente as de pequeno porte. “Ao pensar as empresas brasileiras de comunicação em geral, mas também as de produção independente. Porque nós acreditamos que o talento se expressa melhor na miríade de pequenas empresas espalhadas no Brasil”, enfatizou ao anunciar a concorrência.

As informações da Ancine indicam que 125 empresas brasileiras atuam no ramo de games, sendo que 74,4% faturam até R$ 240 mil por ano. A média é de 8 funcionários por empresa.

O setor é estratégico, na avaliação de Rangel devido a importância simbólica, semelhante ao audiovisual e outras vertentes da indústria cultural. “Quando a gente se depara com a indústria mundial de jogos eletrônicos, nós encontramos traços das diversas culturas nos jogos que nos chegam. Nós entendemos que nós, como Brasil, temos muito a aportar nesse território do simbólico”, disse.

Por outro lado, também é uma forma de fazer com que a riqueza gerada pelo comércio e produção de jogos beneficie a sociedade brasileira. “É preciso que a propriedade desses jogos permaneçam nas mãos de empresas brasileiras”, destacou o presidente da Ancine.

Mercado internacional
Sócio da Aquiris Game Studio, uma das maiores produtoras brasileiras do ramo, Sandro Manfredini elogiou os termos do edital. “ Quando a gente tem uma estrutura prioritária para faixas menores de investimento, eu achei isso excelente para que toda a indústria possa aproveitar”, ressaltou o empresário, que também é membro da diretoria da Associação Brasileira de Desenvolvedoras de Jogos Digitais.

Para que se tornar sustentável, o setor deve, na opinião de Manfredini, focar não só no mercado brasileiro, mas buscar relevância em outros países. “Se a gente quiser trazer recursos e fazer com que ele se pague é fundamental que a gente distribuir no mundo todo. A gente tem que aumentar as nossas chances e mitigar o nosso risco, fazer um projeto internacional se possível”, avaliou.

Nessa disputa, da mesma forma como acontece no cinema, animação e publicidade, o empresário acredita que os brasileiros tem boas condições de concorrer. “Sempre foi muito conhecida na área da comunicação a nossa criatividade. Eu acho que pode ser um fator decisivo para gente ter a nossa marca reconhecida mundialmente”.

Sugestões para políticas públicas
Além do edital, a análise do setor lançada hoje traz sugestões para o fomento do mercado de jogos no Brasil a partir do exemplo de oito países. A ideia é reunir as percepções dos diversos agentes econômicos para elaborar políticas públicas para o ramo.

*Edição: Amanda Cieglinski

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