JORNALISMO

Com mais de 50 anos de carreira, Carlos Wagner será homenageado em congresso de jornalismo

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O jornalista gaúcho Carlos Wagner receberá homenagem durante congresso promovido pela Abraji (Imagem: Anderson Aires)

O repórter gaúcho Carlos Wagner, que durante décadas atuou no jornal Zero Hora, será homenageado no Congresso Internacional de Jornalismo da Abraji

O repórter gaúcho Carlos Wagner, que fez história no jornal Zero Hora, é o homenageado deste ano do Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo da Abraji. A sessão solene ocorrerá em 29 de junho, a partir das 16h30, na Universidade Anhembi Morumbi, unidade da Vila Olímpia, em São Paulo. Na ocasião, será exibido um mini-documentário produzido pela Abraji sobre a carreira do repórter.

Antes de ser jornalista, Carlos Wagner gosta de se definir como um repórter de estrada, que conhece “cada fim de mundo da América do Sul”. É considerado uma lenda no sul do Brasil e é amado por jornalistas de diferentes gerações. Ganhou mais de 30 prêmios de jornalismo, entre eles sete Esso Regionais, e escreveu 17 livros. Fez uma carreira de 31 anos na Zero Hora, onde se aposentou em 2014.

Nascido em 1950, Carlos Wagner é natural de Santa Cruz do Sul e foi criado em Encruzilhada do Sul, duas cidades “muito gaúchas”, a mais de cem quilômetros de Porto Alegre. Aos 18 anos, mudou-se para trabalhar na capital –  uma “sina de todo cara pobre do interior”, segundo ele. Passou os primeiros anos na cidade sem atividade fixa: era a década de 1970, e Carlos vivia como um hippie, viajando aos montes, morando em repúblicas e se mantendo com “bicos”. Chegou a iniciar os estudos, mas não tinha pressa em terminar.

Porque precisava de dinheiro, em 1974 aceitou um emprego na Cooperativa de Jornalistas de Porto Alegre, o Coojornal. Era um veículo alternativo recém-criado por “jornalistas demitidos da Folha da Manhã”. Não chegou a ser repórter. Batia notas, distribuía jornais e era “pau para toda obra”, como diz. Nesse tempo, criou o Departamento de Circulação do veículo, onde avaliava capas, manchetes e notícias de cada edição. “Eu trazia uma marca muito profunda do leitor, do cara da banca, que sabe o que vende e o que não vende”, conta. Foi com essa marca – e com a influência dos profissionais que conheceu ali – que, em 1975, matriculou-se em jornalismo na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Depois de quatro anos no Coojornal, Carlos Wagner mudou de endereço para escrever n’O Interior, jornal para agricultores de Carazinho. Um ano depois, voltou a Porto Alegre, trabalhando como freelancer. Em 1983, formou-se e conseguiu um emprego na Zero Hora.

A partir de então, deslanchou a carreira como repórter especial. Carlos Wagner era do tipo que gastava meses apurando uma história, indo à estrada, preparando matérias longas e complexas, sobretudo quando as pautas eram duras. “Pulei de cabeça na profissão”, afirma. Ao longo da carreira, engajou-se principalmente na cobertura de conflitos agrários, migrações e crime organizado de fronteira.

Uma reportagem de qual costuma se lembrar é “Meninas prostitutas”, que fez em 1992, em parceria com o jornalista Nilson Mariano. Os repórteres apuraram a compra e venda de crianças e adolescentes que eram exploradas para a prostituição no Rio Grande do Sul. “Simulamos a compra de 33 meninas para provar”, diz Carlos Wagner. O trabalho ganhou prêmio da Sociedade Interamericana de Imprensa e resultou na criação de uma das primeiras CPIs sobre prostituição infantil no Brasil.

Entre os livros que escreveu, o repórter destaca “País bandido: crime tipo exportação” (2003), “Brasiguaios: homens sem pátria” (1990) e “Os infiltrados: eles eram os olhos e os ouvidos da ditadura (2010)”, que fez com Carlos Etchichury, Humberto Trezzi e Nilson Mariano. Também é autor de “O Brasil de Bombachas” (1995) e “A saga do João Sem Terra” (1989). Todas as histórias se originaram de reportagens que já haviam sido empreendidas na ZH.

Para Carlos Wagner, ser repórter é algo que só se aprende com suor e amor pelo jornalismo. “Hoje em dia, a investigação está na moda, mas desde que o mundo é mundo o repórter é investigativo”, diz. “O repórter é o cara que o editor olha e já sabe que lá vem problema. É quem vê o amanhã e caminha no escuro sem tropeçar.”

Há três anos aposentado da Zero Hora, hoje o repórter dá conta de seus livros-reportagens, oferece palestras em redações e está sempre escrevendo no blog Histórias mal contadas, que criou para ajudar jovens repórteres a apurar o olhar para o mundo. “Compartilhar a experiência que eu tenho com o jovem é o melhor que eu posso fazer, porque a investigação não se aprende nos livros”, diz. “Sempre vi nos jovens uma oportunidade de ‘aliciá-los’ para [o trabalho com] a reportagem.”

Homenageados antes de Carlos Wagner

Já foram homenageados nos congressos da Abraji José Hamilton Ribeiro, Joel Silveira, Lúcio Flávio Pinto, Paulo Totti, Dorrit Harazim, Rosental Calmon Alves, Janio de Freitas, Marcos Sá Corrêa, Tim Lopes, Elio Gaspari, Clóvis Rossi e Elvira Lobato. Neste ano, junto da homenagem a Carlos Wagner, será entregue o Prêmio Abraji de Contribuição ao Jornalismo de 2017 a Sérgio Gomes, pelo trabalho à frente do Projeto Repórter do Futuro.

Serviço

Homenagem a Carlos Wagner
12º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo
Universidade Anhembi Morumbi
Rua Casa do Ator, 275, Vila Olímpia – São Paulo, SP
29 de junho de 2017, às 16h30
Veja a programação completa em congresso.abraji.org.br

SOBRE O AUTOR

Abraji

Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo. Criada em 2002 por um grupo de jornalistas brasileiros interessados em trocar experiências, informações e dicas sobre reportagem, principalmente sobre reportagens investigativas. É mantida pelos próprios jornalistas e não tem fins lucrativos.

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