ESPECIAIS JORNALISMO TEC & REDES

Como as novas tecnologias estão contribuindo com as redações?

O mundo da comunicação está em constante mudança e as ferramentas tecnológicas têm dado novo tom ao ofício de informar. Com o surgimento de tantas plataformas digitais gratuitas para o compartilhamento de conteúdo, projetos jornalísticos ganham destaque por utilizarem formas inovadoras de abordagem, sem esquecerem o comprometimento com a qualidade editorial.

Três iniciativas lançadas recentemente por veículos nacionais ilustram bem como as novas tecnologias estão contribuindo no processo jornalístico: o trabalho da rádio Jovem Pan no YouTube, a atuação do Estadão no WhatsApp e o projeto do cearense O Povo com o SnapChat. A reportagem do Portal Comunique-se conversa com executivos dos três veículos para entender melhor como as iniciativas digitais estão mudando a forma de se fazer jornalismo.

Do rádio para a web
A Jovem Pan vem conquistando público por meio do trabalho realizado fora do dial. Diretora executiva da rádio, Silvia Carvalho afirma que a premissa da rádio é que o conteúdo desenvolvido esteja em todas as plataformas, já que o trabalho é ligado à prestação de serviços. Assim, a emissora investe em vídeos para o portal Uol+, Facebook, Twitter e YouTube.

youtubeRecentemente, a Jovem Pan estreou transmissão ao vivo na rede social de vídeos do Google, em cobertura especial sobre os fatos relacionadas à 24ª fase da Lava Jato. Na ocasião, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi levado pela Polícia Federal para prestar depoimentos à investigação. Do estúdio, apresentadores e comentaristas do veículo acompanharam as opiniões dos ouvintes em real time por meio do chat da própria plataforma.

“Há algum tempo, estamos transmitindo os principais programas da rádio em vídeo ao vivo pela Uol+. Reformamos estúdios, colocamos câmeras e preparamos profissionais para isso. Tínhamos planejado fazer transmissões pelo YouTube também, mas a Lava Jato acelerou esse processo, a rádio parou toda a programação normal e focou só na Lava Jato. Nós, da área digital, vimos oportunidade e estreamos nosso ao vivo nesse dia. Foi um sucesso”, recorda a executiva.

No Facebook, a emissora conta com a opinião de jornalistas como Reinaldo Azevedo, Marco Antonio Villa, Cláudio Tognolli e Madeleine Lackso, que fazem comentários em vídeo. Segundo a executiva, a participação dos profissionais reverte em audiência para a fan page, atualmente com mais de 860 mil curtidas.

“Acreditamos que a opinião é o que diferencia a Jovem Pan das outras rádios. Os internautas interagem mais e replicam mais nosso conteúdo opinativo nas redes. Além disso, a JP tem equipe voltada somente para as redes sociais e para o digital. Transformamos o conteúdo da rádio em novos formatos, na linguagem certa para as redes”, explica a executiva.

De acordo com a diretora, a rádio possui 4,3 milhões de usuários únicos. Assim, há equipe dedicada somente ao digital, e a emissora trabalha dia a dia para mudar a cultura dos profissionais que eram acostumados somente com o rádio. Silvia afirma, ainda, que a internet permitiu criar formatos para o mesmo conteúdo e aproveitar as oportunidades para treinar e aperfeiçoar a equipe.

Informação na palma da mão
No último mês, o Estado de S. Paulo começou a enviar conteúdos aos leitores por meio do aplicativo WhatsApp. A iniciativa causou reações positivas no público do jornal, funcionando como canal de relacionamento e divulgação da marca Estadão, conforme declara o editor-executivo de conteúdos digitais da empresa, Luis Fernando Bovo. Segundo ele, a lista de envio das matérias não permite que os usuários conversem entre si, mas que respondam diretamente ao Estadão, o que proporciona feedback imediato.

whatsapp“Há sempre a opção de o leitor clicar no link do que é enviado, mas muitos se contentam com as poucas linhas do enunciado. Portanto, o trabalho de edição tem de ser muito bem feito. No caso das outras redes sociais, o leitor também decide receber o conteúdo, mas é a rede social quem decide quando isso será mostrado a ele e, em alguns casos, se será mostrado”, diz o diretor.

Ainda por meio do WhatsApp, o site e a Rádio Estadão fomentam o jornalismo colaborativo, com a participação no envio de pautas, relato de casos e reações aos pedidos do jornal. O executivo avalia que a ferramenta é fundamental para a interação e para que o público se sinta atendido.

As redes sociais do Estadão – Facebook, Instagram, Twitter, Google+ – são comandas por equipe de três pessoas (editor + dois redatores). Os profissionais também cuidam das boas práticas dentro da corporação, ou seja, atualizam e divulgam o conhecimento entre as editorias que são responsáveis por suas próprias redes.

O LinkedIn da marca é operado pela equipe de economia. O YouTube fica sob a guarda da TV Estadão. Há a equipe dedicada a abastecer o WhatsApp, com uma editora e três redatores/repórteres. E há, ainda, um editor de audiência responsável por acompanhar e trabalhar em conjunto com as redes sociais.

O audiovisual também é aliado do veículo na produção de conteúdo na TV Estadão, que possui mais de 64 mil inscritos no YouTube, que foca em minidocumentários, reportagens e vídeos específicos para formatos mobile. Além disso, o jornal é parceiro da plataforma em transmissões de debates eleitorais.

Conteúdos do impresso se unem ao site do jornal que, de acordo com Bovo, funciona completamente integrado. “Não há mais separação entre as plataformas. Tudo o que é publicado vai para o online imediatamente. Existe, sim, discussão para, em alguns casos, deixar material apenas para o impresso. Esse é trabalho que envolve a direção. O que costumamos fazer é adaptar cada conteúdo para o seu meio: impresso, digital e rádio”, explica.

Para impulsionar sua carteira digital, o Estadão trabalha com o modelo paywall – sistema de assinaturas para conteúdos exclusivos – desde outubro de 2014. O executivo afirma que desde o lançamento até fevereiro de 2016, no digital puro (sem sobreposição), houve crescimento de 30,6%.

Nos bastidores da redação
Com intuito de aproximar o público jovem dos bastidores da redação e estreitar o relacionamento com o leitor, o jornal cearense O Povo estreou no SnapChat com abordagem espontânea e engraçada. Editora-executiva de audiência do veículo, Juliana Matos Brito conta que a equipe de mídias sociais é a responsável pelas postagens no aplicativo. São publicados cerca de 10 vídeos por dia que possuem, em média, 200 visualizações.

snapchatA atuação em redes sociais se estende ao Facebook. Na plataforma, a publicação conta com mais de 1 milhão de curtidas. “A cada dia, temos mais audiência no portal O Povo Online vinda do Facebook. É excelente vitrine para o nosso produto. Nas redes sociais, as reações são mais espontâneas e mais diretas. Cada dia que passa, a interação com o leitor fica maior”, declara Juliana.

Para a editora-executiva, a interação por e-mail ou por comentários em matérias do site tem diminuído. Com isso, o Facebook se tornou o meio mais importante para distribuição de conteúdo do portal e a audiência do veículo tornou-se dependente da ferramenta.

“Temos equipe específica para mídias sociais formada por uma coordenadora, dois supervisores de área e um analista para coordenar 10 estagiários. Essa equipe trabalha para todas as páginas e perfis do Grupo de Comunicação O Povo. A equipe fica dentro da redação, com comunicação direta com todos os repórteres e editores”, destaca Juliana.

Para atrair o público das redes sociais, o veículo cearense pensa em assuntos exclusivos. O time do jornal tem olhar específico para pautas virais, que surgem a partir de assuntos que se destacaram nos meios digitais.

Na web, O Povo também se destaca pela produção audiovisual, com séries jornalísticas e matérias especiais. Para adotar o formato, foi criado núcleo dentro da redação. Segundo a editora, todas as grandes reportagens são feitas com olhar multimídia: texto, foto e vídeo.

*Com edição e supervisão de Anderson Scardoelli.

SOBRE O AUTOR

Foto de perfil de Tácila Rubbo

Tácila Rubbo

Estudante do 7º semestre do curso de jornalismo da Fiam-Faam, 23 anos. Trainee de redação do Portal Comunique-se desde setembro de 2016. Começou na empresa como estagiária, função que desempenhou por um ano e dez meses. Atualmente, é a responsável pelo conteúdo de parceiros publicado no site, avaliando os materiais recebidos e mantendo contato com os “articulistas-parceiros”. Além disso, cuida de produções externas e, claro, produz notas e reportagens especiais.

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