ESPECIAIS TEC & REDES

Como a representatividade feminina se reflete na estrutura de Google e Twitter?

representatividade feminina
(Imagem: Reprodução/Facebook)

Qual é a responsabilidade de empresas de tecnologia como Google e Twitter quando o assunto é representatividade feminina no universo digital? As profissionais Fernanda Cerávolo, head do YouTube Brasil, e Fiamma Zarife, diretora geral do Twitter no Brasil, responderam a questão durante o encontro “Mulheres na Mídia”, realizado pela revista Claudia na terça-feira, 7, em São Paulo.

Fiamma explicou que o Twitter é uma plataforma conversacional onde, efetivamente, há público muito diverso. Segundo ela, apesar de a empresa ter base nos Estados Unidos, 80% dos usuários se encontram em outras localidades o que contribui para a heterogeneidade cultural na ferramenta. “A diversidade vive em nossa plataforma, as pessoas se conectam livremente para expressar suas opiniões e é imperativo que esta diversidade viva também em nossa força de trabalho”, afirmou a executiva.

Sem abrir números locais, Fiamma declarou que 30% liderança da rede mundial de microblogs é composto por mulheres e no Brasil o percentual é ainda maior. Além disso, a empresa busca, por meio de iniciativas internas, incentivar mulheres a seguirem carreiras técnicas e fomentar a representatividade LGBT, por meio do projeto Twitter Open.

Para Fernanda, ainda existe uma séria questão a ser discutida sobre a representatividade feminina nas redes sociais e a na mídia. A profissional afirmou que há questões muito sérias a serem discutidas – principalmente quando se fala de racismo, discurso de ódio e haters –, e que é responsabilidade das plataformas tentar reverter esta situação.

“Temos programas muito parecidos com o Twitter. Existe esforço muito grande do Google para colocar mulheres em cargos de liderança. Quando olhamos os interlevels, temos uma igualdade, com 50% homens e 50% mulheres. Conforme se vai chegando ao topo, se vê que o número é muito menor, principalmente se tratando de uma empresa de tecnologia, isso é endêmico, porque não temos meninas fazendo engenharia hoje. Então não adianta tentar combater só o topo da cadeia, a gente tem que entrar na base”, disse a executiva do YouTube.

De acordo com a representante do Google, o gigante das buscas estimula, por meio de diversos programas, a entrada de garotas para a área de tecnologia. Ao fim de sua fala, Fernanda declarou que as empresas de tecnologia são as que mais possuem necessidade de mudança, pois sem diversidade não há inovação e criatividade, e sem estes dois elementos a companhia morre.

Bolha digital

Além da representatividade feminina, a executiva do Twitter falou sobre o “efeito bolha” que assola a timeline das redes sociais. O termo é utilizado para definir a ação de um usuário de seguir apenas pessoas que concordam com seus pontos de vista e páginas que produzem conteúdo do seu interesse, filtrando assuntos dos quais ele discorda, criando assim um mundo possivelmente alienado.

Segundo Fiamma, o Twitter é uma rede aberta que gera conversas, onde o usuário segue quem ele quer e, assim, também é seguido. “Entro lá para buscar aquilo que me interessa, coloco as minhas opiniões e, imediatamente, as pessoas respondem com seus pontos de vista, uma diversidade que torna o debate bastante rico. Pela própria natureza da plataforma, a gente acaba não vivendo nesta bolha. Ali, inclusive, acabamos por viver em um mundo real, onde todo mundo tem voz e, às vezes, não estão de acordo com nossas opiniões”, disse.

A executiva afirmou, ainda, que basta escolher quem seguir para sair da bolha. Para a profissional, cabe ao usuário buscar a diversidade: “É muito confortável o familiar, se você levar isto para seu comportamento nas redes, isso acaba empobrecendo a tua vida”, finalizou Fiamma.

Confira o painel do qual as executivas participaram ao lado das ativistas Alexandra Loras e Stephanie Ribeiro: