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Saiba como são produzidos os “instant books”

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"Instant books" ganharam destaque após protestos de junho (Imagem: Reprodução/Market My Book)

Em junho de 2013, protestos levaram milhares de pessoas às ruas contra o aumento das tarifas de transporte coletivo, entre outras demandas, em várias capitais. Três meses depois, as manifestações já estão documentadas em livros produzidos em tempo recorde. Os “instant books” trazem reflexões de episódios da história recente.

Independentemente do formato, físico ou e-book, as obras se caracterizam pelo fôlego e rapidez na produção. Com a coletânea de artigos Occupy – movimentos de protesto que tomaram as ruas, a Boitempo tem histórico na produção de obras que intervêm no debate atual, chamados “livros de intervenção” pela editora. “Normalmente, a produção dura, em média, de seis meses a um ano. Esse ficou pronto em 45 dias”, diz o comunicólogo Kim Dória, membro da equipe de realização do livro Cidades rebeldes: passe livre e as manifestações que tomaram as ruas do Brasil’, outra experiência bem sucedida da empresa.

Durante cobertura dos protestos para o site da Carta Capital, o jornalista Piero Locatelli ficou conhecido por ter sido detido por portar vinagre. Mesmo acompanhando a mobilização de perto, os relatos eram fragmentados. “Para escrever o livro-reportagem #VemPraRua, que é uma produção mais perene, foquei em organizar as informações e trabalhei na contextualização do tema”. Para tal, foram necessárias duas semanas de afastamento do trabalho. “Nesse período, entrevistei quase trinta pessoas. Pude conversar com calma e explorar o relato de cada um com riqueza de detalhes. Coisa que os sites não podem fazer”.

Além de optar por apenas descrever os fatos, em posição de neutralidade, Locatelli teve que se preocupar com a veracidade dos relatos. “Apesar do processo ser mais rápido do que com os livros convencionais, o cuidado é o mesmo. É preciso ter certeza de que não há erros”.

Pela característica de imediatismo, as editoras mensuram rapidamente a recepção das publicações do tipo. No caso da Boitempo, passado pouco mais de um mês do lançamento de Cidades Rebeldes, a primeira tiragem está esgotada. “Sentimos um impacto muito grande. Foi bem recebido por professores, estudantes e militantes. Foi um risco que corremos, já que os artigos já tinham sido publicados no blog da Boitempo, em parceria com a Carta Maior. Os textos foram encomendados para autores que já estavam refletindo sobre o tema”, comenta Dória.

Engana-se quem pensa, no entanto, que a modalidade editorial é fruto da modernidade. “A Geração Editorial já nasceu com um instant book, em 1992. República na Lama, do jornalista José Nêumanne Pinto, é a análise da queda do ex-presidente Fernando Collor, meses depois do impeachment”, relata o fundador e publisher da empresa, Luiz Fernando Emediato.

A Geração Editoral ganhou notoriedade ao lançar livros sobre o Papa Francisco no momento de sua vinda ao Brasil. Entre eles, Segredos do Conclave, de Gerson Camarotti, da Globonews. Agora, a companhia prepara uma obra sobre os recentes protestos, para atender à demanda de leitores que querem mais informações. “A imprensa, em geral, está interessada em informação rápida e os jornais não conseguem mais suprir a necessidade de uma análise mais profunda”, avalia Emediato.

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