OPINIÃO

“É o meu filho jornalista!” – por Anderson Scardoelli

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Ao lado da Dona Vandinha (Imagem: arquivo pessoal)

#EspecialDiaDasMães

“É o meu filho jornalista!” É assim, cheia de orgulho, que a minha mãe me apresenta a todo mundo que pode. Parentes distantes, amigos, conhecidos, colegas de trabalho… e por aí vai. A quem a oportunidade surge, lá vem a Dona Vandinha me chamar para me mostrar como uma espécie de troféu. Mesmo sem ter o mínimo merecimento para tal, é fato: sou o orgulho dela, assim como as minhas irmãs Talita (gerente de RH da Goodyear) e Viviane (professora e microempreendedora).

Mas com mais um Dia das Mães chegando, não venho escrever este texto para falar como a Dona Vandinha sente orgulho de mim e de minhas irmãs. Aproveito o especial idealizado pela querida Nathália Carvalho [meu braço direito na redação do Comunique-se], que captou artigos de jornalistas explicando a importância de suas mamães para suas carreiras na comunicação, para externar o quanto sou orgulhoso por ter a Dona Vandinha (carinhosamente chamada por mim de “gordinha”) como a pessoa que sempre confiou em mim, que me incentivou na profissão em todos os momentos e, principalmente, que me serve como exemplo de pessoa e profissional.

Sei que a minha mãe sente orgulho de mim, mas talvez ela não tenha dimensão do tamanho do orgulho e admiração que nutro por ela. Por tudo que ela é e conquistou. Dona Vandinha nasceu no interior do Rio Grande do Norte, trabalhou na roça enquanto criança, viu oito irmãos morrerem enquanto crianças, foi com a cara e a coragem para o Recife e, com mais coragem ainda veio para São Paulo, onde fez o curso técnico de enfermagem e seguiu carreira na área. Detalhe, tirando o curso técnico, tem apenas o ensino fundamental como “grau de instrução”.

Ah, só para constar: foi na cidade de São Paulo que a Dona Vandinha conheceu e se apaixonou por um caipira descendente de italiano vindo do interior e que passou a adolescência trabalhando como feirante. O ítalo-caipira é o Seu Orlindo, meu pai. Vandinha e Orlindo estão casados há mais de 40 anos, mas essa história ficará para um outro texto, quem sabe no especial do Dia dos Pais.

Também tenho muito orgulho do meu pai, mas a estrela deste texto é a Dona Vandinha. Mas por que tanto orgulho da “gordinha”? Pelo exemplo de vida, que reflete no profissional que estou me tornando! Como auxiliar de enfermagem, minha mãe sempre trabalhou MUITO para dar o que podia – e não podia – à família. Funcionária pública municipal de São Paulo, trabalhou em hospitais, ambulatórios e até escolas da cidade, até se aposentar no ano passado. Junto às atividades como servidora, atuou em hospitais particulares por décadas. Aí, é bom que os amigos da comunicação saibam: auxiliar de enfermagem tem mais a ver com jornalista do que se possa imaginar. Dona Vandinha trabalhava de fim de semana, no Natal, no réveillon, em outros feriados e dava plantões à noite.

Ou seja, mesmo sem saber, a “gordinha” me inspirou a trabalhar mais do que o normal – até mesmo para um jornalista. Horas e mais horas na redação e produção de pautas em dias que deveriam ser de descanso do Portal Comunique-se (só para ficarmos nas atividades mais básicas do meu dia a dia). Minha mãe me vê trabalhando tanto – e cursando especialização na ESPM – e não reclama, pois no fundo sabe que aprendi a ser assim com ela mesmo antes de eu nascer (grávida de mim, ela conciliou estudos e trabalhos até os 8 meses da gestação).

Alguém que nasceu no interior do interior do Rio Grande do Norte (pesquisem pelo distrito de Serra Pelada, do município de Taipu), teve que trabalhar na roça, mudar de estado e superar todas as dificuldades possíveis para estudar e construir uma sólida carreira profissional. Essa é a história da Dona Vandinha, que chegou a assumir cargos de gestão em alguns dos hospitais em que trabalhou. E, por tudo isso, é que me inspiro nela todos os dias antes de sair de casa. E é nessa inspiração materna que consegui me formar em jornalismo e, desde os 24 anos de idade, ser o responsável por gerir uma equipe, a equipe do Portal Comunique-se. Aliás, se não fossem os trabalhos (sempre no plural) da Dona Vandinha, eu nem teria me tornado jornalista.

Então, no especial de Dia das Mães, registro com orgulho para todos os amigos da comunicação: a Dona Vandinha, a nordestina e auxiliar de enfermagem, é a minha mãe!

SOBRE O AUTOR

Anderson Scardoelli

Jornalista, 27 anos. Formado pela Universidade Nove de Julho (Uninove) e pós-graduando em "Jornalismo Digital" pela ESPM. Há oito anos no Grupo Comunique-se, onde idealizou os projetos 'Correspondente Universitário', 'Leitor-Articulista' e 'C-SE Acadêmico'. Na empresa, já atuou como freelancer (inserção de conteúdo), estagiário de pesquisa, estagiário de redação, trainee de redação, subeditor e editor-júnior. É, desde maio de 2016, o editor-pleno responsável pelo Portal Comunique-se e pelo conteúdo do Prêmio Comunique-se.

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