JORNALISMO

Editorial: um falso pastor que é jornalista de verdade

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Mateus Mognon mostrou como é fácil criar uma igreja no Brasil (Imagem: Reprodução)

Um jornalista de verdade não precisa necessariamente estar formado e atuando em um grande veículo, É o que prova um estudante da UFSC

Mateus Mognon completará 21 anos nesta semana e, assim como outros milhares de jovens, convive com a expectativa de se formar em jornalismo no fim de 2017. Apesar de ainda estar na graduação, ele já provou ser mais que um simples estudante de comunicação e ganhou destaque em reportagem do Portal Comunique-se. Tudo graças ao fato de “fundar” a sua própria religião, a “Igreja Nacionais de Hanzo”. Mais do que a brincadeira de cultuar o personagem Hanzo Shimada, do game Overwatch, o jovem se dedicou a mostrar como é fácil criar uma instituição religiosa no Brasil. Para isso, trabalhou durante três meses para desenvolver a pauta.

O conteúdo final apresentado por Mateus serve para orgulhar seus colegas e professores do Centro de Comunicação e Expressão da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Numa verdadeira ação de jornalismo investigativo, ele seguiu etapas necessárias para que uma pessoa tenha uma entidade religiosa reconhecida pelo governo brasileiro. Com apenas R$ 8,50 gastos, ele mostrou que a falta de fiscalização pode fazer com que uma seita seja aceita mesmo defendendo coisas absurdas – como guardar a terça-feira para jogar vídeo-game – e inconstitucionais – tal qual defender o consumo de produtos falsificados para a propagação dos “ensinamentos” do Deus Hanzo. Aí, vale destacar que denominações religiosas têm direito a isenção de tributos.

De modo que pode ser até considerado lúdico, ressaltando ao Portal Comunique-se de que gostaria de ser reconhecido pelo título de “pastor-ninja”, Mateus foi responsável por um belo trabalho investigativo. Leu a legislação específica para registro de igrejas no Brasil, foi mais de uma vez ao cartório, elaborou estatuto de sua religião fake e ouviu líderes de algumas instituições que lidam com a fé de outras pessoas. Todas as atividades realizadas foram explicadas de forma elucidativa em texto de fôlego que faz renovar a confiança no bom jornalismo. Nas entrelinhas do conteúdo apresentado aos internautas, é possível encontrar que tudo foi idealizado por quem é apaixonado pelo que faz.

Em tempos de proliferação das chamadas fake news, a pauta desenvolvida por Mateus Mognon remete ao último artigo da articulista-parceira Patrícia Paixão, que registrou: atuar como jornalista é fazer parte da melhor profissão do mundo. O aluno da UFSC e a colunista devem saber dos problemas enfrentados por quem se dedica a integrar a imprensa. Não é segredo para ninguém que o mercado de trabalho sofre há anos com demissões nas mais variadas redações e fechamentos de veículos de comunicação com décadas de história. Para que isso seja superado, é importante que jovens jornalistas – mesmo que ainda na sala de aula da faculdade de comunicação – se empenhem em produzir bom conteúdo, independentemente da plataforma em questão.

Ele já demonstrou ter elementos para alcançar esse objetivo. Tem talento para apurar, qualidade para escrever e vontade de empreender. Com a pauta, assumiu ser um pastor de mentira, mas proveu que é um jornalista de verdade.

Isso foi feito por Mateus Mognon. Ex-estagiário do Adrenaline, site do qual segue como colaborador eventual, ele usou o espaço que criou na web para veicular a reportagem “Igreja Nacionais de Hanzo prova como é fácil conseguir imunidade tributária no Brasil”. O conteúdo foi publicado originalmente no nacionais.net, página sobre games criada pelo “pastor-ninja” antes mesmo de ingressar à turma de jornalismo da UFSC. Agora, com a repercussão da matéria sobre a entidade Hanzo, espera ser abençoado para conseguir se dedicar exclusivamente ao seu projeto. Ele já demonstrou ter elementos para alcançar esse objetivo. Tem talento para apurar, qualidade para escrever e vontade de empreender. Com a pauta, assumiu ser um pastor de mentira, mas proveu que é um jornalista de verdade.

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Mateus Mognon, ainda estudante, fez trabalho de jornalista experiente (Imagem: Arquivo pessoal)

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