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Editorial: jornalistas também são seres humanos

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O ser humano Evaristo Costa decidiu que chegou a hora de passar mais tempo com a família (Imagem: arquivo pessoal/Instagram)

Há momentos da vida em que os seres humanos precisam descansar e passar mais tempo perto da família – mesmo que isso signifique “demitir” até mesmo a TV Globo

Um homem, marido e pai, conclui que há anos tem se dedicado mais à carreira profissional do que ao que deveria ser a prioridade em sua vida: a família. Decide, então, abrir mão de seu trabalho para ficar mais tempo ao lado da mulher e das filhas.

Em tempos de reportagens sobre qualidade de vida nas mais diversas mídias, a decisão desse homem, que opta por abrir mão de determinado emprego para descansar e ficar mais próximo da família, seria elogiada por todos. Mas a pessoa em questão é um jornalista. Jornalista da TV Globo. O ser humano nessa história é Evaristo Costa.

Vale enfatizar isso: antes de ser jornalista e contratado da TV Globo, Evaristo Costa é um ser humano. Um ser humano que vê um colega dizer publicamente que ele “errou” ao sair da maior emissora de televisão do país. Isso sem contar outras críticas ou boatos, como a de que estaria “queimado” com a chefia do canal.

Antes de garantir que sair da TV Globo foi errado ou dizer que a imagem com a chefia do veículo não estava boa (apesar de ele fazer parte do rodízio na bancada do ‘Jornal Nacional’ e ser apresentador eventual do ‘Fantástico’), é preciso ter empatia com a decisão adotada por Evaristo Costa.

Empatia com o ser humano que se diz cansado de fazer a mesma coisa. Afinal, foram 13 anos consecutivos como âncora titular do ‘Jornal Hoje’. Empatia com o ser humano que tem duas filhas ainda crianças. Empatia com o ser humano que acompanha até hoje a mulher se recuperar do AVC sofrido em novembro de 2015.

É compreensível de que os milhares de seguidores de Evaristo Costa nas redes sociais lamentem a sua saída (momentânea) da televisão. Para os demais jornalistas, porém, a escolha deve ser apoiada e servir como ponto de reflexão, pois ele não é o primeiro a se cansar do telejornalismo diário (Ana Paula Padrão que o diga) e nem a colocar a família em primeiro lugar.

A decisão de Evaristo tem de ser encarada, entre profissionais da imprensa, como ato que ajude a mostrar que, por mais que não pareça, jornalistas também são seres humanos. E há momentos da vida em que os seres humanos precisam descansar e passar mais tempo perto da família – mesmo que isso signifique “demitir” até mesmo a TV Globo de suas vidas.

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