JORNALISMO

Ex-editor da Folha explica como se tornou motorista do Uber

Jornalista faturou R$ 1,2 mil em três meses com o hobby (Imagem: Arquivo pessoal)

O jornalista Luís Perez, com carreira constituída no segmento automotivo, se tornou motorista do Uber. O profissional, que trabalhou por 13 anos da Folha de S. Paulo, tendo atuado como editor do caderno ‘Veículos’, atualmente mantém um blog com seu nome no Uol, onde relata algumas das experiências que tem vivenciado na nova área.

“Quando dizia a algumas pessoas que pretendia como hobby dirigir para a Uber, elas torciam o nariz”, relata Perez, em trecho de sua mais recente publicação. ‘Típico de uma cultura limitada, algo muito comum por aqui, que enxerga trabalhos que teoricamente exigem menos discernimento intelectual como algo menor”. Ele alega que, no início, nem a família acreditava, mas pensava que a novo trabalho poderia render boas histórias.

Fascinado com o universo que alia mobilidade e tecnologia, o jornalista, que já era usuário assíduo do serviço, resolveu investir na empreitada para “arejar a cabeça”, alegando ter seguido a recomendação médica de realizar atividades que gosta de maneira terapêutica.

Depois do investimento no carro, um Volkswagen Up! que serviria para a categoria X do Uber, Perez relata que é preciso desembolsar dinheiro para despesas burocráticas, como exame psicotécnico e seguro para passageiro, além de itens que representam diferenciais para o serviço, como suporte para celular, balas, copos d’água e bolsa térmica.

Segundo Perez, virar motorista do Uber o deixou mais disciplinado no trânsito, por saber que está sendo observador e avaliado. “É preciso ser estratégico, ir atrás dos grandes eventos. Vale a pena também pelo tanto de gente com quem se conversa”, conta, em reportagem em colaboração para a Folha.

Ao todo, foram 96 viagens, com pontuação média de 4,86, com total faturado de R$ 1, 2 mil em três meses. “A quem critica o jornalista que pretende virar motorista nas horas vagas, faço a analogia: será que o físico nuclear que mantém uma marcenaria na garagem de casa e lá produz mesas, cadeiras e outros objetos receberia o mesmo tipo de desprezo?”, questiona.

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