ESPECIAIS JORNALISMO

Ex-Globo supera preconceito contra a Baixada Fluminense e se destaca com site sobre a região

Carlos Soton, o jornalista que se propõe a contar "o melhor da Baixada" (Imagem: Rick Assis)

Desenvolvido inicialmente como fan page em agosto de 2012, O Melhor da Baixada passou seus primeiros meses de vida restrito à rede social. Sempre com conteúdo voltado a repercutir o que acontece de bom nas cidades que formam a região conhecida como Baixada Fluminense, a ideia ganhou domínio na web um ano após o surgimento no Facebook. Com site próprio, o projeto idealizado pelo jornalista Carlos Soton, que entre outras experiências foi produtor da TV Globo no Rio de Janeiro, se tornou referência para quem busca informações sobre a localidade. Agora, em janeiro de 2017, o veículo de comunicação online deu novo passo ao abrir seu escritório, onde funciona a redação, no centro de Nova Iguaçu.

A inauguração do ambiente físico visa facilitar a integração de Soton, que assina como editor-chefe, com os colaboradores do site. Até o fim de 2016, sem sede própria, as reuniões de pautas, por exemplo, funcionavam em formato 100% home office. Com o espaço, o time pode se reunir para colocar no ar novos formatos de conteúdos pensados pelo idealizador. À reportagem do Portal Comunique-se, o criador d’O Melhor da Baixada conta que a redação servirá para a proposta de produção de vídeos – que precisará do apoio dos três repórteres, o pesquisador e o editor de vídeos que formam a a equipe do veículo.

“É uma grande conquista”, comemora o jornalista-empreendedor. Sobre a redação em si, Soton diz que, para o projeto audiovisual que planeja lançar em breve, vai utilizar além dos metros quadrados do escritório. “Levamos em conta as áreas comuns do edifício, que vai nos possibilitar ter cenários diversos para o projeto da webTV: o edifício tem um terraço com um visual bem bacana, um auditório, sala de reunião, uma praça vizinha ao prédio”, comenta. Ainda sobre o espaço, ele revela que colocou seu poder de negociação para abater parte do valor que seria pago de aluguel. Em contrapartida, a imobiliária – Conceito Administradora – passou a divulgar anúncios no site.

Redação d’O Melhor da Baixada tem vista para o centro de Nova Iguaçu-RJ (Imagem: Rick Assis)

A inauguração da redação, trabalho home office, pretensão de aumentar a equipe de jornalismo e os desafios e satisfações em comandar um veículo de comunicação especializado em falar de determinada região são assuntos detalhados por Soton em entrevista ao Portal Comunique-se. No contato, ele revela: em sua carreira na comunicação social chegou a se sentir desconfortável em dizer que morava na Baixada Fluminense. O motivo? O preconceito contra a região, algo que ele sentiu na pele até mesmo em “entrevistas de emprego”.

Confira o conteúdo do bate-papo:

Com a sede em Nova Iguaçu, a ideia do site é acabar com o sistema home office e fazer com que os colaboradores “batam ponto” na redação?
Na verdade não. Nós super acreditamos no esquema home office. O cenário que imaginamos ideal é de que boa parte da equipe toque de casa suas demandas, tendo duas ou três reuniões semanais de pauta na sede. Muitas pessoas ainda enxergam o home office como algo meio amador, então o objetivo maior da conquista da sala é justamente fugir disso. Fora que a sala é peça fundamental para essa nova fase em que pretendemos ter uma maior produção de conteúdos em vídeos.
Carlos Soton na mesa de editor-chefe da redação (Imagem: Rick Assis)

Com a nova sede e novos projetos de conteúdo, há a perspectiva de ampliação da equipe do site?
Queremos até o fim deste semestre aumentar o número de conteúdos próprios e isso certamente exigirá um maior número de colaboradores. Hoje publicamos muitos conteúdos vindos de assessorias de imprensa e sites governamentais, que aliás vem se tornado uma prática bem comum até mesmo em grandes portais. Pretendemos equilibrar mais essa balança, queremos cada vez mais ter conteúdos exclusivos em O Melhor da Baixada.

Quais os principais desafios de se fazer jornalismo voltado à Baixada Fluminense?
A Baixada Fluminense é super rica de conteúdo, temos muitas histórias que poderiam alimentar tranquilamente as diversas editorias de qualquer veículo de comunicação. Nós particularmente temos um desafio maior porque passamos todas as histórias pela “peneira da positividade”: tentamos só publicar notícias positivas sobre a região, esse é o nosso grande diferencial. E a questão nem é falta de conteúdo, mas sim. Claro que existem exceções, assuntos como epidemias e pessoas desparecidas, por exemplo, sempre terão a nossa atenção, mas o foco principal é ter em nossos canais o melhor da Baixada.

O que mais lhe satisfaz ao tocar o projeto?
Toda minha trajetória profissional e acadêmica foi construída no Rio e confesso que por muito tempo me senti desconfortável na hora de dizer que morava na Baixada. O preconceito com a região ainda existe e senti isso em diversas situações, desde entrevistas de emprego até papo com amigos. Trabalhar hoje em um projeto que tenta ajudar a diminuir isso é extraordinário… É prazeroso também ter mais autonomia para implementar ideias e vê-las sendo testadas logo, sem ter que passar por toda a burocracia que existem em grandes empresas. Esse dinamismo, neste mundo cada vez mais ávido por novidades e tecnologias, é essencial.

SOBRE O AUTOR

Foto de perfil de Anderson Scardoelli

Anderson Scardoelli

Jornalista, 27 anos. Formado pela Universidade Nove de Julho (Uninove) e pós-graduando em "Jornalismo Digital" pela ESPM. Há sete anos no Grupo Comunique-se, onde idealizou o projeto 'Correspondente Universitário'. Na empresa, já atuou como freelancer (inserção de conteúdo), estagiário de pesquisa, estagiário de redação, trainee de redação e subeditor. É, desde fevereiro de 2014, o editor responsável pelo Portal Comunique-se e pelo conteúdo do Prêmio Comunique-se.

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