OPINIÃO

Experiência não é tudo

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(Imagem: Divulgação)

Uma semana depois de contar em meu blog alguns episódios inesquecíveis de quando trabalhei pela segunda vez em Alphaville, por causa de um anúncio de trabalho temporário para revisor de texto em agência de propaganda, voltei ao, como gosto de dizer, lado rico de Barueri, ou onde pobre só se sente bem-vindo como empregado ou prestador de serviços.

Escreveu minha amiga Silmara, que, sempre que vê alguma oferta de trabalho para revisor, me avisa (a CAIXA-ALTA é minha): “Sei que não é muito e talvez um pouco longe, mas não custa repassar, veja se interessa, alguém postou no grupo de que participo: ‘A AGÊNCIA NA QUAL TRABALHO PROCURA REVISOR(A) PARA FREELA DE 20 DIAS IN LOCO. FICA EM ALPHAVILLE E O VALOR OFERECIDO PELOS 20 DIAS GIRA EM TORNO DE 2 MIL, PARA TRABALHAR DE SEGUNDA A SEXTA, DAS 9 ÀS 18.’”.

Como eu disse ao recrutador da agência, se minha amiga tradutora e DJ em muitas festas que curti quando não tinha filhos soubesse quanto dinheiro tenho ganhado com os bicos que, para compensar a pouca quantidade de trabalho que ainda tenho recebido da empresa para a qual presto serviços, têm aparecido para mim e quantas conduções eu pegava (ônibus-metrô-trem-trem-ônibus) para ir trabalhar em Alphaville quando morava em Embu das Artes, ela não teria dito que o rico e famoso bairro entre Barueri e Santana de Parnaíba é longe, porque quem precisa não mede distância.

No mesmo dia, fui informado de que, se eu fosse selecionado, seria chamado para entrevista até o fim da semana. Sabendo que a distância entre o endereço onde moro, em São Paulo, e o da agência, em Barueri, já poderia me deixar fora do processo seletivo assim que o recrutador lesse meu currículo, eu encontrava apenas um empecilho, palavra que só aprendi a escrever depois da terceira tentativa para entrar na empresa onde até aqui trabalhei mais tempo, para não ser chamado para uma entrevista: eu ser autodidata, tendo aprendido na escola só até o, como se chama hoje, ensino médio. Pois, segundo o recrutador, que me foi muito atencioso antes e depois da entrevista, foram exatamente a distância e, o que nem passou por minha cabeça, minha falta de familiaridade com os computadores da “maçã mordida” que acabaram fazendo a agência escolher outro candidato, ou candidata, deixando-me achar que experiência não é tudo, mas apenas um dos fatores determinantes na cada vez mais difícil conquista de um emprego.

*Edson de Oliveira. Revisor de textos há mais de 20 anos, corrigindo principalmente legendas de vídeo, transcrição de áudio e textos jornalísticos, é editor dos blogues EFMérides e Blogue da Revisão.

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