OPINIÃO

Fé e proteção de mãe para jornalista de guerra – por Franz Vacek

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(Imagem: Arquivo pessoal)

#EspecialDiaDasMães

Escrever sobre a própria mãe não é fácil nem para jornalista. Não é um factual, mas o intangível amor. Não há técnica jornalística capaz de lidar com o imaterial, porém é possível sacar a varinha de condão e empregar as perguntas básicas usadas por qualquer foca.

O quê? Quando?
Texto sobre o dia das mães com a tentativa de não ser piegas.

Onde?
Será publicado no Portal Comunique-se.

Quem?
Escreverei sobre Odile Huet Vacek. Ela nasceu na França em 1940 em plena segunda guerra mundial. Mudou-se para o Brasil em 1949, casou-se com o meu falecido pai, Paulo César Amorim Vacek. Eles se conheceram no carnaval da Bahia, casaram e tiveram dois filhos: eu e a minha irmã Joëlle. Odile é uma francesa de alma brasileira e uma mãe com “m” maiúsculo. Sou suspeito, mas difícil encontrar uma criatura com tanta bondade no coração. Sempre disposta a ajudar e com imensa dificuldade em dizer “não” para não contrariar ninguém. Até desconhecidos.

Como? Por quê?
Para aproximar o leitor da minha mãe e da minha experiência como ex-correspondente de guerra, serei breve em confessar que uma das minhas maiores preocupações em cobrir conflitos armados e desastres naturais era a mamãe. Afinal, não se fala para uma senhora que me deu a vida que eu estava para embarcar para lugares com risco de morte. Sempre dava um jeito de ligar para ela até em meio a tiroteios como na Líbia do Kadafi ou com manifestantes morrendo ao meu lado durante a primavera árabe na praça Tahrir, no Egito. Quando eu não estava ao vivo falava para ela não se preocupar com as imagens do vt que ela assistiria. Omitia que aquelas eram minhas imagens. Para poupá-la falava que as agências de notícias haviam enviado o material. A minha maior preocupação era com a saúde dela do outro lado do mundo.

No entanto, ela sabia que fazia as coberturas com amor profissional e ela se armava do poderoso terço dela que com certeza sempre ajudava a me proteger até quando o meu carro foi metralhado em Trípoli. Era real a proteção que sentia da fé dela!

Não queria ser brega, mas não dá para finalizar sem deixar eternizado nessas palavras o quanto a amo. Uma grande felicidade que tenho sendo pai marinheiro de primeira viagem é presenciar o meu filho tendo o privilégio de conviver com essa mulher maravilhosa que me colocou nesse mundão de Deus.

Ela sempre esteve ao meu lado em todos os momentos e me faz uma pessoa melhor pelo próprio exemplo dela.

Apesar de ser um quarentão não perco nunca a chance de recarregar as minhas baterias no colo dela. Só que agora tenho que dividir com o meu filho, Paulinho.

Feliz dia das mães, Odile!

Franz Vacek. Superintendente de Jornalismo e Esportes da Rede TV.

SOBRE O AUTOR

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