JORNALISMO

Hospital proíbe Globo de gravar entrevista com jornalista que sobreviveu à tragédia da Chapecoense

(Imagem: Reprodução/TV Globo)

No domingo, 11, o ‘Fantástico’ exibiu entrevista com o jornalista Rafael Henzel, um dos sobreviventes da tragédia com avião da Chapecoense. Henzel falou com a Globo por telefone após o hospital onde está internado, em Rio Negro, na Colômbia, ter recusado a entrada da equipe da emissora para a captação de imagem. Em conversa com o repórter José Roberto Burnier, o radialista contou que ninguém sabia o que estava acontecendo. “Ninguém, ninguém imaginaria que a gente bateria naquele morro”, relatou.

Durante a entrevista, o radialista relatou que a todo o momento os passageiros perguntava aos comissários quanto tempo faltava para chegar ao destino. “Eles sempre falavam que faltava 10 minutos. De repente, desligaram as luzes do avião. Desligaram os motores. E aí todo mundo voltou pro seu assento e… colocou o cinto. A hora em que isso aconteceu causou certo temor. Em nenhum segundo alguém da cabine ou comissário falou: ‘coloquem os cintos de segurança porque há risco disso ou daquilo’. Nós ficamos voando sem saber absolutamente nada do que iria acontecer”, contou. Henzel afirma que não se recorda de havido pânico no avião. “Um silêncio assim, estarrecedor. A gente não sabia o que estava acontecendo. Até que veio o choque”.

O jornalista da rádio Oeste Capital, de Chapecó (SC), estava sentado em uma poltrona na parte traseira do avião, no banco do meio. Os dois amigos que estavam ao lado – Renan Agnolin, repórter na mesma empresa de Henzel, e o cinegrafista da RBS TV Djalma Araújo Neto – não sobreviveram ao acidente.

Henzel revelou a Burnier que quando acordou, cerca de sete horas depois, pensou que estava em um sonho e que iria despertar logo. “Comecei a observar que vinha gente com algumas luzes, os socorristas. E aí eu comecei a gritar. Comecei a chamar por socorro, dizendo que eu estava ali. Eu estava preso em duas árvores”.

O radialista afirma que só se deu conta do ocorrido cerca de três dias depois. “Aí que eu fiquei sabendo mesmo e lamentando terrivelmente uma tragédia pra uma cidade de 220 mil habitantes. O que eu fico mais impressionado é que as pessoas morreram não por uma falha mecânica. As pessoas morreram por uma falta de… discernimento. De um sujeito que, de repente, por uma economia boba. Isso é revoltante”.

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