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Mostra em SP apresenta filmes censurados

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Desde sábado, 15, o Sesc Vila Mariana exibe gratuitamente uma série de filmes para promover uma discussão sobre as diferentes formas de censura a artistas e obras em vários contextos históricos. A exibição faz parte do projeto Cortina Fechada: Territórios da Arte. Na programação, estão longas-metragens de Luis Garcia Berlanga, Fritz Lang, Eisenstein, Costa-Gravas, Godard entre outros, divididos em eixos temáticos, os filmes foram selecionados pela cineasta Lúcia Murat.

A mostra inclui dois filmes do cineasta espanhol Luis Garcia Berlanga. Nascido em uma família de tradição republicana, ele teve o pai perseguido e preso durante a guerra civil. Aos 16 anos, Berlanga lutou na Batalha de Teruel (embora tenha o nome de batalha, o episódio transcorreu de dezembro de 1937 a fevereiro de 1938, no norte da Espanha, e foi uma das ações mais sangrentas da guerra, com mais de 140 mil mortes e com a cidade mudando de mãos várias vezes entre republicanos e nacionalistas até ser definitivamente retomada por Francisco Franco). Depois, estudou letras e cinema. Sofreu censura durante o regime franquista e muitos dso enredos dos filmes foram alterados com cortes de cenas. Apesar disso, é conhecido pela capacidade de imprimir com sutileza seus ideais, se esquivando da censura de da época.

No sábado, 15, às 14h, será a vez de Bienvenido, Mr. Marshall, de Berlanga, de 1953. O filme conta a história de moradores do vilarejo de Villar del Rio, na Espanha, que estão contentes porque receberão a visita de autoridades americanas para a concretização do Plano Marshall na região, iniciativa dos Estados Unidos adotada em 1947 para ajudar a recuperação dos países europeus após a 2ª Guerra Mundial e frear a expansão soviética. A partir de então, no dia a dia do povoado, o prefeito e o padre concentram esforços para preparação da esperada visita.

No dia 22, às 16h, será exibido El Verdugo, também de Berlanga, em que narra a história de Amadeo, um carrasco de Madri que conhece um empregado de uma funerária que não consegue ter uma namorada, porque as garotas ficam apavoradas quando descobrem onde ele trabalha. A filha de Amadeo, Carmen (Emma Penella), também não consegue ter um namorado pois os pretendentes sempre acabam descobrindo quem é seu pai.

No dia 29 de abril, às 14h, será exibido M, o Vampiro de Dusseldorf, dirigido por Fritz Lang, em 1931. O autor é conhecido por não se sujeitar e por desafiar as ordens de Adolf Hitler – justamente por isso, exilou-se nos EUA, onde morreu aos 85 anos. No longa-metragem, é contada a história de Franz Becker (Peter Lorre), um assassino em série de crianças que se aproxima de suas vítimas enquanto assobia sempre a mesma música. Depois de diversos crimes, começa uma investigação policial que agita a cidade e a cobertura da imprensa atrapalha essas investigações.

Por Debaixo das Pontes (1946), uma obra de Helmut Käutner, um dos mais aclamados diretores alemães de sua época, será exibida no dia 6 de maio. Dois navegantes fluviais veem numa ponte uma moça que, aparentemente, pensa em atirar-se ao rio. Eles decidem intervir e descobrem que ela só queria se desfazer de uma cédula que lhe trazia más recordações, mas esse episódio faz com que se tornem amigos e ela é convidada a viajar de barco até Berlim.

A programação prossegue até julho paralelamente ao curso A Censura no Cinema, com Luis Carlos Pavan e Careimi Ludwig Assmann. O objetivo é discutir as diferentes formas de censura enfrentadas por artistas em vários contextos históricos, utilizando como base manifestações artísticas de diversas linguagens. Os encontros ocorrem todas as quartas-feiras, às 19h30. As inscrições devem ser feitas na Central de Atendimento do Sesc Vila Mariana, com valores entre R$ 9 e R$ 30.

Repórter: Flávia Albuquerque
Edição: Carolina Pimentel

SOBRE O AUTOR

Agência Brasil

Agência pública de notícias criada em 1989, logo após a incorporação da Empresa Brasileira de Notícias (EBN) pela extinta Empresa Brasileira de Comunicação (Radiobras). Em 2007, com a criação da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), que incorporou a Radiobras, passou a integrar o sistema público de comunicação.

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