José Henrique Borghi na cobertura do festival Cannes Lions 2017 – confira as impressões do publicitário sobre o evento

O publicitário que frequenta o festival há mais de 25 anos, afirma que já viu muita mudança.

José Henrique Borghi ( José Henrique Borghi )

29/06/2017 –

Entre os dias 17 e 24 de junho aconteceu, na França, o 64º Cannes Lions Festival Internacional de Criatividade – evento mais importante da publicidade. E quem estava lá para fazer a cobertura para o site Meio e Mensagem era, simplesmente, um dos publicitários de maior destaque do Brasil – o atual co-CEO e CCO da Mullen Lowe Brasil, José Henrique Borghi.

“Vou para Cannes há mais de 25 anos. Imagina a quantidade de mudança que eu já vi neste festival. Antigamente os russos jogavam bola com a gente nas areias do Palais. Antigamente a fila pra comprar sanduíche no quiosque ali do lado ficava gigante. Antigamente não tinha wi-fi lá dentro e as pessoas tinham que prestar atenção só no que estava acontecendo nas salas”, contou o publicitário – que garante que, “hoje, a coisa tá muito mais divertida”.

Atualmente, de acordo com José Henrique Borghi, não existem mais salas, mas sim, ambientes de múltiplas experiências – “Dá pra acompanhar a produção de um protótipo de ombro na impressora 3D tomando junto um cappuccino com seu rosto nele. Ninguém mais joga bola que é cafona, mas brincamos de realidade virtual a torto e a direito, com direito, inclusive, a uns chinelos de dedo que imitam a Havaianas pros vencedores”, descreveu ele.

O publicitário ressalta ainda a diversidade das palestras – “De tudo que é gente e conteúdo. Eu já reservei minha cadeira cativa para uma dezena deles. Só não decidi ainda em qual ambiente de múltipla experiência vou ficar. Tô vendo qual deles vai ter o melhor wi-fi”, escreveu com humor José Henrique Borghi para o Meio e Mensagem na manhã do 9 de junho, uns dias antes do início do festival.

Dia 19, já na França e com dois dias de evento, a história era outra – tratava-se do amor do publicitário pela área. “Não é fácil ficar 2 dias sentado numa salinha durante 10 horas por dia vendo centenas de comerciais. As costas doem e o fuso horário cobra caro. Mas eu gosto.
Na verdade, adoro. Pode chamar isso de masoquismo ou alergia ao sol. Mas o fato é que filmes me encantam como criança em loja de doces. A estória, iluminação, casting, acting, música, edição, até o silêncio naquela hora me ensinam e emocionam. E sim, tem muita coisa ruim também. Mas até isso tem seu valor. Aprender como não fazer é precioso.”, salientou o co-Ceo da Mullen Lowe Brasil – que também revelou a sua palestra preferida do segundo dia de festival, a do jornalista do The New Yorker, David Remnick.

“Ele discorreu sobre a chaga que afeta a todos na atual sociedade: fake News […] Ele provocou a plateia, citou (na verdade detonou) abertamente a campanha de Trump e o próprio e bizarro cidadão, mostrou exemplos de erros e matérias falsas da história e muito mais. Como sou criativo e tenho a obrigação de questionar e contestar tudo (sim, é isso que um criativo tem que fazer na vida além de criar), esta palestra foi um verdadeiro bálsamo.”, manifestou José Henrique Borghi.

Quem vive no ambiente “tão selvagem das vendas” foi outro entre os assuntos do publicitário, isso após ouvir o fotógrafo peruano Mário Testino, com seus 60 e poucos anos, afirmar na palestra do dia 20 que gosta de vendas e de vender.

“Uau! Não é lindo ver alguém tão autoral, tão ”artista” confessando algo tão mundano? Ele não tem nenhum problema existencial em aumentar o faturamento e o lucro de seus clientes através do seu trabalho. Isso deveria ser uma dica para muita gente que está no mundinho da publicidade e de repente (por conta da conveniência ou modismo) ficou com peso na consciência de viver neste ambiente tão selvagem das…vendas”.

José Henrique Borghi ainda conclui – “Pra estes publicitários política e medrosamente engajados tenho uma proposta: sejam mais profissionais e tratem de dar resultados econômicos para seus clientes. E rápido. Não tenham medo de fazer campanhas que, meu Deus, que loucura, façam as pessoas comprar os produtos deles. Você pode continuar ajudando os mais necessitados nos semáforos, pode manter uma ONG que salva rinocerontes na África. Mas não esqueçam do seu ofício. Vender não é feio, não é menor nem faz cair o dedo.”

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