OPINIÃO

Passado sempre presente – por Heródoto Barbeiro

Não é de hoje que os americanos se consideram excepcionais. Há muito que consideram que os Estados Unidos são uma nação predestinada. Guiam-se através de seus valores políticos, econômicos e religiosos. É a base de que se convenciou  chamar de excepcionalismo. Dai a definição de Lieven: “A América é mais do que um país, é uma ideologia”.

Há uma convicção que se consolidou através dos tempos que os Estados Unidos são o produto de uma trajetória única e que os americanos são os detentores de uma missão diferenciada no mundo. É uma missão sagrada que tem caráter universal e potencialmente revolucionário. Daí para o nascimento do Credo Americano foi um passo. Ele foi divulgado mundialmente também através dos meios de comunicação, entre eles o rádio, depois o cinema, televisão e finalmente na miríade de plataformas digitais.

Não há lugar no mundo que não se saiba da existência do país e alguma característica ligada a música, como o rock, vídeo, como o capitão América, moda, como o jeans, e suas proezas no mundo das conquistas tecnológicas, políticas, sociais e… Imperialistas. A escolha de um presidente da república é motivo para notícias, debates, críticas e envolvimento em todo o planeta.

O americanismo é uma ideologia, por isso  é um “ismo” como tantos outros, comunismo, socialismo, nazismo, anarquismo, liberalismo…. A América se considera como a única nação do mundo fundada sobre uma crença. Ela está presente na Declaração da Independência. George Washington acreditava que Deus era fundamental para a fundação do país e que favorecia a causa americana por sua vontade divina. IN GOD WE TRUST.

O American Creed fundamenta-se nos valores liberais como liberdade, individualismo, livre comércio, e igualitarismo, com ênfase na meritocracia. O nacionalismo, que nasceu na Europa, é elemento que compõe as ideologias do século 19, mas por mais importante que fosse uma pessoa não pode deixar de ser um não inglês, um não alemão, ainda que tenha a nacionalidade cassada. Não se pode cassar a nacionalidade cultural de uma pessoa. Todavia para ser considerado americano é preciso mais do que ser nacionalista, é se envolver em um compromisso ideológico. Daí o sucesso do slogan AMERICA FIRST, tão perigoso como o fatídico DEUTSCHLAND ÜBER ALLES.

O excepcionalíssimo considera que ser um americano envolve compromisso que vai além do nacionalismo. É um compromisso existencial. Portanto o fato de uma pessoa nascer no Estados Unidos não faz dela essencialmente americana, é preciso se comprometer com os valores tradicionais. Rejeitar o valor é deixar de ser americano ainda que tenha passaporte, cidadania ou green card.

Esse olhar do mundo proporcionou o aparecimento da Doutrina Monroe, ou seja, a pré-disposição da América em assumir a “proteção” de todo o continente americano e  impedir  as influências do Velho Mundo. Nessa época nasceu o Destino Manifesto, ou seja, a missão americana de estabelecer na Terra a dignidade moral e a salvação do homem. Esses valores são desfraldados em momentos de crise, como a ameaça externa, ou em processo eleitoral. Reúnem os tradicionalistas que têm acesso ao Colégio Eleitoral e podem decidir uma eleição, ainda que o voto popular decida o contrário. Se consideram herdeiros dos founding fathers, depositários dos valores do americanismo. Desta vez venceram e escolheram Donald Trump.

SOBRE O AUTOR

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Heródoto Barbeiro

Apresentador e editor-chefe do ‘Jornal da Record News’. Já foi professor de história, carreira que seguiu por quase 20 anos. Na imprensa, passou por CBN, Rádio Globo, Jovem Pan, TV Cultura, TV Gazeta e Diário de S. Paulo. Edita o Blog do Barbeiro – Barba, Bigode e Cabelo, hospedado pelo R7.

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