OPINIÃO

Parece, mas não é: quando vale a pena ‘trocar 6 por meia dúzia’?

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[ geralmente ] Sempre! – porque o medo de arriscar no ‘meia dúzia’ nos prende ao ‘6’ como se não houvesse vida fora dele. E não raras vezes o sucesso está lá no ‘meia dúzia’ e não no ‘6’, como a maioria pensa ou prega aos quatro ventos.

Afinal, há quanto tempo você já vive imerso a um ‘6’ que, embora cômodo, não proporciona crescimento significativo na vida profissional ou lhe provoca novas e fabulosas emoções em seu aspecto pessoal, sentimental e/ou espiritual?

Se você respondeu: “há bastante tempo!”, talvez seja o momento de remar na direção do controverso ‘meia dúzia’, este que possibilitará um futuro promissor através da convivência com novos amigos, ambientes diferentes, trajetos alternativos, rotinas jamais experimentadas e, principalmente, de renovação aos anseios e aspirações, características-chave para nos abastecer com estímulos ao acordar e seguir na busca por sonhos revigorantes e desbravadores.

Vejo o ‘6’ como sendo aquela inércia guardada no quartinho da bagunça que evitamos jogar fora, ou também a tal da – já clichê – zona de conforto, sabe?

O ‘meia dúzia’, porém, encarna o papel de evolução deste mesmo – coirmão – ‘6’. Contudo, ele segue mais além, e nos permite afrontar o distinto, o desafiador, a sorte, os medos e o tal desconhecido da forma mais corajosa e inesperada possível.

O ‘meia dúzia’ não condiz ao próprio nome, ou seja, não é simplesmente um ‘meia dúzia’ e ponto final. É o diferente. É uma variação dona daquele esperado “Q a mais” que no primeiro momento não apresenta impacto significativo, mas que, no fim das contas, fará toda a diferença no resultado final do sucesso almejado.

Sabe o ‘meia dúzia’? Então…
Ao contrário do ‘6’, ele é daqueles que excita, e por isso nos causa essa desavença sedutora. Você quer apostar nele, mas, ao mesmo tempo, se faz de difícil porque ele pode mudar tudo para melhor (ou não). É um risco. Mas, lembre-se: sempre é – e não há nada de errado com esse sentimento, pelo contrário.

Além disso, quando se cogita o ‘meia dúzia’, é porque o tal ‘6’ já não faz mais verão. O que significa que iniciou-se a busca por um frescor à alma sem que haja uma alteração aparentemente drástica ao destino e que, de repente, possa causar desconforto de adaptação para essa possível nova realidade de vida.

Digamos que apostar no ‘meia dúzia’ é como tirar suco de uma laranja que já está desacreditada e aparentemente seca.
Para evitar um desgaste considerado desnecessário, jogá-la fora talvez seja a decisão mais assertiva, pois, não ter essa laranja ou tê-la sem caldo é sentir na pele o formoso ‘6 por meia dúzia’, certo? Errado!

Você pode desistir e se desfazer da fruta, como pode arriscar uma repercussão intempestiva. Na maioria das vezes, a persistência em apertá-la contra o espremedor nos traz um resultado ocasional e, quando algumas derradeiras gotas se desprendem e caem, são elas quem farão a diferença no sabor final da bebida.

Resumindo: sempre dá para extrair mais do que o ‘impossível’ nos aponta.
Mas nem sempre é fácil apostar as fichas naquele ‘possível’ já declarado morto pela maioria das pessoas que proferem frases do tipo: “com todo mundo deu errado, porque comigo daria certo?”.

Hoje tua vida está integralmente no automático e todas as atividades que desenvolve estão confinadas ao ‘6’.
E mesmo que vez ou outra você tenha sentido vontade em ‘trocar esse 6 por meia dúzia’, quantas vezes recuou por achar que viveria um ‘mais do mesmo’ que não vale o esforço e, quiçá, a perda (que também faz parte do jogo)?

O receio é nosso escudo, mas entenda que devemos ter domínio sobre ele – e não o contrário. Virar suas costas ao ‘meia dúzia’ e renovar contrato com o ‘6’ pode custar caro àquele sonho que existe desde sempre no baú do coração.

Quando você arrisca um passo para o lado oposto ao que imaginava dar há um segundo, mudou o rumo inteiro de sua trajetória de vida. Não importa se em sua cabeça nada mudou por talvez pensar que o impulso foi singelo e o movimento aparentemente irrisório. Tudo o que aconteceria de um jeito, agora acontecerá de outro, e não há o que você faça para mudar essa situação.

Aliás, quanto mais você mudar, mais destinos diferentes você terá. E isso prova que o ‘6’ e o ‘meia dúzia’, embora próximos, podem trazer decepções e encantamentos tão distintos, que não há o pq classificá-los como sendo integralmente similares.

E, aceitar alternativas disponíveis no GPS da vida, mesmo sendo ‘iguais-pero-diferente’, depende única e exclusivamente de nós, que, inclusive, desde sempre encaramos com extrema dificuldade essa coisa do ‘mudar’ – que vai desde o aspecto mais simples, como fazer um caminho diferente que nos leve ao trabalho, até uma decisão drástica e que possivelmente terá papel determinante no próprio futuro, como qual profissão seguir ou com quem se deve ir ao altar e, consequentemente, ter filhos.

O ser humano é resistente às mudanças, fato; mas o ser humano é totalmente adaptável a qualquer uma delas.

Então, não resista. Mude!

SOBRE O AUTOR

Fernando Guifer

Jornalista e escritor. Formado em comunicação social pela Universidade Nove de Julho (Uninove) e especializado em jornalismo esportivo pela FMU. É autor do livro Diamante no Acrílico – entre a vida e o melhor dela, em que narra o período que acompanhou a batalha de sua filha, Laís, que nasceu prematura e ficou internada por 80 dias.

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