OPINIÃO

Que diferença faz uma vírgula – por Edson de Oliveira

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(Imagem: Almanaque LIterário)

Às vezes, minha mulher me tira do sério, como aconteceu recentemente, quando, para justificar uma vírgula indevida que encontrei em um texto em que ela pediu que eu desse uma olhada, me disse que adora vírgulas, que, segundo ela, parece um brinco.

Não menos graça achei no aviso que se encontra em um dos mercados de que sou cliente, principalmente à procura de ofertas: “Visando o bem-estar de todos, não é permitido entrar na loja, fumando, sem camisa ou com animais”. Fechando os olhos para a preposição que falta ao verbo “visar” no sentido de ter em vista, objetivar, que hoje, seja por ignorância, seja por desrespeito, nem mesmo os revisores respeitam mais, gostaria de dizer ao autor do aviso que, se o que ele escreveu fosse levado ao pé da letra, o estabelecimento ficaria às moscas, porque, ao colocar uma vírgula depois da palavra “loja”, em vez de proibir a entrada apenas de fumantes, pessoas sem camisa ou com animais, a mensagem acabou proibindo a entrada (de todos) na loja, ou seja, pensou em uma coisa (restringir, o que teria conseguido sem a vírgula) e escreveu outra (explicou, função da vírgula que me chamou a atenção).

Como se pode ver pelo exemplo dado, usar vírgula, sinal este que é pau (aliás, diminutivo de vara) para toda frase, não é questão de gosto. Em caso de dúvida, não a use, porque é preferível você se desculpar por não saber ou se esquecer a empregá-la errado, como se não tivesse se dado ao trabalho de consultar uma fonte antes de escrever.

*Edson de Oliveira. Revisor de textos há mais de 20 anos, corrigindo principalmente legendas de vídeo, transcrição de áudio e textos jornalísticos, é editor dos blogues
EFMérides e Blogue da Revisão.

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