OPINIÃO

Sabedoria VS Conhecimento – por Fernando Guifer

sabedoria conhecimento

[ Busque sabedoria, e, se der tempo, corra atrás do conhecimento. Lembre-se: os dois são essenciais. Mas, entre um e outro, fique sempre com o primeiro. A sabedoria sem conhecimento sobrevive; o conhecimento sem sabedoria não vale de absolutamente nada ]

A vida é um jogo muito mais labirintoso do que qualquer tabuada, regra de três ou tabela periódica que você já tenha decorado. E independente da bagatela de conhecimento que acredite ter,  quanto mais você achar que é sábio, menos você será – e então todos os tombos que levar serão acentuadamente maiores e mais doloridos.

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Inteligência é uma dádiva dispensada a todos nós desde o útero da mamãe, e apesar de (com o passar dos anos) nos tornarmos adultos que não representam de forma adequada o que entendemos por ‘racional’, é exatamente neste ponto em que nos diferenciamos dos demais animais (irracionais), estes que, não raras vezes, são capazes de nos ensinar muito mais do que podemos imaginar – deixando explícito que ser racional ou irracional não necessariamente é sinônimo de inteligência ou ‘burrice’ efetivamente.

Mas, até aí, ok. Isso é UMA coisa, e o que abordaremos mais abaixo é OUTRA coisa um tiquinho mais complexa.

Existem os inteligentes, que ocupam 100% da população que vive ou já viveu nesse mundão de meu Deus, e dispomos ainda de mais quatro categorias que representam singelas frações na % de um todo estimado atualmente em nada menos do que 7 bilhões de humanos perambulantes por aqui.

Estou falando daqueles que dominam as artes do ‘conhecimento’, da ‘sabedoria’, dos que somente ‘vieram a passeio fazer peso na terra’, e claro, dos privilegiados que esbanjam os dois primeiros itens citados acima, ou seja, uma “invejável” junção de ‘conhecimento AND sabedoria’.

SABER É DIFERENTE DE CONHECER (≠)

Sabedoria é muito mais do que ler diversos livros ao ano e/ou ter uma escolaridade repleta de cursos entre pós-graduação, doutorado, mestrado, idiomas ou até mesmo intercâmbios, etc. Isso nós intitulamos “apenas” de conhecimento. Não que seja pouco, mas, nem sempre tornar-se um ‘CDF’ fará de você uma pessoa admirável, sábia, e com plenas condições de fazer a diferença de forma significativa para o mundo em que vive, propondo, talvez, um legado que mude para melhor a vida de alguém.

Quantos Fulanos a gente olha por aí e pensa:

– Caramba! Esse é muito dedicado, estudioso, e não tem como dar errado na vida. Vai ganhar muito dinheiro fazendo o que ama e tornar-se uma grande e positiva referência sobre o que é certo a ser feito.

Este pensamento é baseado naquilo que nos vendem na infância, ou seja, de que devemos colocar um cabresto e virar noites devorando apostilas se quisermos nos tornar bons influenciadores lá na frente.

E segundo os mestres do giz, essa é a ordem natural dos fatores mesmo: estudou, desfrutará o sucesso quando adulto, e ponto. E, concordando ou não, torna-se coerente pensar assim pq fomos condicionados a esse raciocínio ‘lógico’ na juventude.

É como se não houvesse nada demais com isso, já que trata-se de um discurso condicionado à sociedade desde que a era dos dinossauros, portanto, amém.

É, meu amigo…

Mas o mundo real é muito mais impiedoso do que qualquer falácia que nos tenha sido pregada nas aulas – com método de ensino ultrapassado – daquele professorzinho ruim de didática no Ensino Fundamental/Primário.

Estudar vai lhe trazer conhecimento, e isso é sim, inegavelmente, meio caminho andado. Todavia, sinto informar, com o coração apertado, que, colecionar formaturas, é somente a metade da trilha para ser um alguém de valia para o todo.

Portanto, se você for (ou achar que é) mega dotado de conhecimento, porém, um alguém que sofre gravemente com deficit de sabedoria, vai nadar, nadar, nadar, e morrer na praia como se jamais tivesse aberto um livro durante sua existência. Simples assim.

É muito comum espantar-se com alguém que nunca pisou na escola e que é extremamente sábio.

Na verdade, esse assombro parece trazer, inclusive, uma sutil carga de preconceito, mas, olha, confesso que não vejo como tal. Enxergo como uma reflexão plausível dentro do contexto desse pensamento que a sociedade propaga na lógica que apontei acima.

Jamais desdenhe de alguém mais velho e que, de repente, não disponha uma escolaridade que considere “à sua altura”. É gigante a probabilidade de este saber mais que tu mesmo com menos títulos pendurados na parede do quarto ou do escritório.

E, acredite: essa ausência escolar geralmente não é devido uma simples questão de escolha, e caso resolva ir a campo pesquisar mais a fundo, verá que isso tem mais relação com a falta de oportunidade/condição social à época vivida do que qualquer outra coisa.

Quando nos dizem que devemos respeitar os mais velhos, não é uma afirmativa fundamentada somente por causa da idade, e sim, pq são maduros o suficiente para nos ensinar muito mais sobre a vida do que possamos imaginar.

São pessoas dotadas de uma sabedoria ímpar que não é conquistada em sala de aula fazendo provas ou até mesmo lição de casa.

O que carregam é aquela famosa experiência fortalecida ano após ano devido suas vivências, ou seja, ao saber perder, ao valorizar ganhos, ao respeito que dispõem ao próximo, e, claro, também pela casca grossa criada por tantas vitórias e tropeços tatuadas nas rugas e cicatrizes.

“DE QUE ADIANTA MESTRADO E DOUTORADO SE NÃO É CAPAZ DE DAR BOM DIA AO PORTEIRO?”

Já li essa frase circulando algumas vezes nas redes sociais e ela retrata com exatidão o que estamos abordando por aqui.

Estudar em um bom colégio (particular ou público), desfilar com carro zero KM, ser o paga-tudo na balada, dispor do melhor tênis e ser um frequentador de teatro assíduo, são situações triviais que geralmente não são encaradas com a simplicidade que merecem e, portanto – e infelizmente, andam casadas com o tal do ‘rei na barriga’.

E, cá pra nós, uma pessoa que trata o próximo com diferença somente por ela ter menos estudo e, consequentemente, menos dinheiro ou oportunidades na vida, pode até gozar de algum tipo de conhecimento, contudo, não é sábia nem aqui e nem na China, pelo contrário. Trata-se de um alguém que tem muito a aprender – e não é segredo para ninguém de que a vida uma hora vai ensinar, mais cedo ou mais tarde. O problema, meu amigo, é que a vida não costuma instruir com muito carinho.

Conduzir-se de forma cortês, entender que a vida é uma enorme dinâmica de grupo, contar até 10 e não agir por impulso, resistir às tentações, respeitar os animais e meio ambiente, utilizar diariamente palavrinhas/frases mágicas (obrigado, desculpe, por favor, com licença, eu te amo), saber dizer ‘não’, agarrar oportunidades, e ter facilidade em tomar decisões para colocar-se à frente das situações embaraçosas, são, enfim, atitudes que caracterizam o comportamento assertivo de um sábio.

Isso, claro, se ele souber levar tudo na simplicidade, já que o controle emocional é sim premissa básica para se chegar aonde quer que seja e, mais do que isso, manter-se por lá o tempo que achar conveniente.

DE NOVO:

Busque sabedoria, e, se der tempo, corra atrás do conhecimento.

Lembre-se: os dois são essenciais. Mas, entre um e outro, fique sempre com o primeiro. A sabedoria sem conhecimento sobrevive; o conhecimento sem sabedoria não vale de absolutamente nada

SOBRE O AUTOR

Fernando Guifer

Jornalista e escritor. Formado em comunicação social pela Universidade Nove de Julho (Uninove) e especializado em jornalismo esportivo pela FMU. É autor do livro Diamante no Acrílico – entre a vida e o melhor dela, em que narra o período que acompanhou a batalha de sua filha, Laís, que nasceu prematura e ficou internada por 80 dias.

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