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Site cataloga poesia traduzida no Brasil ao longo de 49 anos

(Imagem: Reprodução/http://poesiatraduzida.com.br/)

Estudantes, pesquisadores ou leitores comuns interessados em informações sobre publicações de seus poetas favoritos têm agora uma fonte de consulta. Está na internet desde agosto o site Poesia Traduzida no Brasil. A iniciativa de criação do catálogo é de Marlova Aseff, pós-doutoranda do programa de Literatura da Universidade de Brasília (UnB). O projeto teve apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

O site reúne obras de poesia traduzida publicadas no país de 1960 a 2009, informando dados como autor, tradutor, língua original, editora, ano da primeira edição e período literário. Marlova explica que, dependendo do caso, pode haver informações adicionais. “Algumas [obras] têm um link para material externo. Dá para ler a resenha [sobre o livro] e às vezes até algum poema. Tem também o perfil dos tradutores. Fiz mais de 100 [perfis]. Se existir o perfil, estará linkado à ficha do livro”.

A utilidade do projeto é principalmente acadêmica. Acessando a página, que permite filtrar os dados conforme o objetivo do internauta, os pesquisadores da área conseguem saber, por exemplo, quais as línguas mais traduzidas em cada período da história literária brasileira ou verificar se a publicação de poesia cresceu ou diminuiu em um determinado recorte de tempo.

Segundo Marlova, o catálogo permitiu constatar que das décadas de 1960 a 2000 a publicação de poesia traduzida cresceu de forma contínua no país. “Subiu mais de 400%. A exceção é a década de 70, quando houve uma pequena queda”, informa. Com relação às línguas, na década de 2000, as mais traduzidas foram obras em inglês, espanhol, francês e alemão.

Outro dado interessante é que grande parte dos tradutores de poesia é de autores brasileiros. Entre eles Paulo Leminski, Augusto de Campos e Ferreira Gullar, por exemplo.

Marlova Aseff conta que, embora o site tenha sido criado com o propósito de facilitar a pesquisa na área, ele também atraiu outros públicos. “Eu fiz mais para pesquisadores e estudantes. Mas estou vendo que tem um interesse grande pelo público em geral. No primeiro mês, houve mais de 7 mil visitantes únicos. Depois se manteve em uma média de mil por mês. Pelo compartilhamento no Facebook, vejo que muita gente tem interesse”, comenta. Desde que entrou no ar em agosto, o catálogo teve 11 mil visitantes únicos.

A produção do catálogo começou a ganhar forma quando Marlova cursava o doutorado. “Fiz meu doutorado sobre poetas tradutores e comecei a catalogar. Fiquei com essa bibliografia e fiz o projeto de pós-doutorado me propondo a revisar e expandir”, explica a pesquisadora, que é doutora em literatura e em estudos da tradução pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Atualmente, ela quer ampliar a base de dados do site, mas ainda não sabe quando será possível.

“Eu queria incluir obras dos anos 30, 40, 50. Nos anos 30 é que começa a indústria da tradução no Brasil. Também queria fazer de 2009 para cá, o pouquinho que falta. Tem perspectiva [de fazer esses acréscimos] mas de maneira lenta, pois estou trabalhando sozinha. O ideal seria prosseguir com uma equipe. Meu pós-doutorado acaba em março, eu teria que conseguir algum outro apoio”, afirma a pesquisadora. Hoje, o site tem mais de 600 inserções bibliográficas.

Na avaliação de Marlova, os leitores estão começando a notar e valorizar as boas traduções. “Os estudos da tradução estão crescendo muito no Brasil nos últimos anos. No meio em que eu transito, está começando a despertar bastante essa consciência. Claro que não é algo massificado”, disse.

Reportagem: Mariana Branco
Edição: Aécio Amado

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