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Médica aponta sinais de que o grau dos óculos mudou

Dor de cabeça frequente, visão embaçada e dificuldade de foco podem indicar que a receita dos óculos já não corresponde às necessidades de correção visual. A oftalmologista Dra. Claudia Del Claro, do Hospital de Olhos de Florianópolis (HOF), da rede Vision One, explica que o cérebro pode se adaptar gradualmente à piora da visão, o que faz com que mudanças no grau passem despercebidas no início.

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Dor de cabeça frequente, visão embaçada e dificuldade de foco podem indicar que a receita dos óculos já não corresponde às necessidades de correção visual. A mudança no grau pode passar despercebida no início, pois o cérebro tende a se adaptar gradualmente à piora da visão. A prática, conhecida popularmente como uso de “óculos de grau vencido”, pode provocar sintomas que interferem na rotina e na produtividade.

Segundo a Dra. Claudia Del Claro, oftalmologista do Hospital de Olhos de Florianópolis (HOF), da rede Vision One, alterações visuais costumam ocorrer de forma progressiva. “O grau pode mudar de forma gradual e muitas vezes a pessoa não percebe imediatamente, porque o cérebro tende a se adaptar à piora da visão. Esse processo de adaptação faz com que pequenas alterações passem despercebidas no dia a dia”, explica. A médica afirma que a avaliação oftalmológica anual é recomendada mesmo quando não há percepção de piora visual.

Entre os sinais mais comuns de que a prescrição dos óculos pode estar desatualizada estão visão borrada, dificuldade para focar, dor de cabeça após leitura ou uso de telas, cansaço ocular e sensibilidade à luz. Também podem surgir dificuldades para dirigir à noite, sensação de que as letras se misturam durante a leitura e a necessidade de apertar os olhos para enxergar melhor. Em alguns casos, ocorre ainda a tendência de afastar objetos para enxergar com mais nitidez.

De acordo com a Dra. Claudia, crianças podem apresentar manifestações diferentes quando o grau está inadequado. A aproximação excessiva da televisão, de livros, além de queda no rendimento escolar, pode indicar dificuldade visual e exige avaliação oftalmológica.

Mesmo quando os sintomas parecem leves, existe um esforço fisiológico envolvido na tentativa de manter o foco visual. Isso ocorre porque os olhos ativam mecanismos de compensação para compensar o erro refrativo. “O cérebro possui uma grande capacidade de adaptação e isso também ocorre na compreensão da visão. Quando o grau está incorreto, os olhos tentam compensar o erro de foco usando mecanismos como o esforço acomodativo (contratura da musculatura ciliar dentro dos olhos), especialmente em pessoas mais jovens”, detalha a médica.

Esse esforço adicional pode manter a visão aparentemente funcional por algum tempo, mas tende a gerar desconforto ao longo do tempo. “No início, isso pode até manter a visão aparentemente funcional, mas com o tempo esse esforço excessivo costuma provocar sintomas como fadiga ocular, dor de cabeça e dificuldade de concentração”, diz. Segundo a oftalmologista, o processo envolve tanto os olhos quanto o cérebro. “Em outras palavras, os olhos trabalham mais para ajustar o foco e o cérebro ‘aceita’ uma imagem menos nítida e faz um esforço extra para interpretá-la de uma forma mais adequada”, completa.

Além do desconforto físico, o grau incorreto pode afetar atividades cognitivas que exigem atenção prolongada. A interpretação constante de imagens desfocadas exige maior esforço do sistema visual e pode impactar a concentração. “Quando a visão não está nítida, o cérebro precisa gastar mais energia tentando interpretar as imagens. Isso pode reduzir a capacidade de concentração, aumentar o cansaço mental e prejudicar o rendimento em atividades como leitura, estudo ou trabalho em frente ao computador”, salienta a oftalmologista.

Em ambientes de trabalho e estudo que envolvem uso prolongado de telas, essa situação pode resultar em queda de produtividade e maior sensação de fadiga ao longo do dia. Segundo a médica, relatos de sono, dificuldade para manter o foco e aumento do cansaço mental também são frequentes nesses casos.

Óculos de grau vencido não pioram a visão

Apesar do desconforto, o uso de óculos com grau incorreto não costuma provocar piora permanente da visão em adultos. “Usar óculos com grau incorreto nos adultos não costuma piorar permanentemente a visão, mas pode gerar desconforto visual”, esclarece a Dra. Claudia. Em crianças, entretanto, o acompanhamento adequado é considerado ainda mais importante. “Em crianças que ainda estão em formação da visão é fundamental que o grau esteja sempre atualizado a fim de evitar a ambliopia ou olho preguiçoso”, complementa.

A confirmação de que houve alteração no grau depende de avaliação realizada por um oftalmologista. Entre os exames utilizados estão a refração computadorizada, a refração subjetiva — que pode ser feita com ou sem dilatação pupilar —, além da avaliação da acuidade visual e da saúde ocular. “Também é importante verificar se as lentes atuais estão em boas condições, já que riscos ou desgaste podem interferir na qualidade da visão”, frisa.

A consulta oftalmológica periódica vai além da atualização da receita dos óculos. “Um ponto importante é que muitas pessoas associam a troca de óculos apenas à piora da visão, mas a consulta oftalmológica vai muito além disso”, informa ela.

A Dra. Claudia elucida: “Enxergar bem hoje, estar bem com seus óculos ou até mesmo nem necessitar da correção, não são sinônimos de saúde ocular perfeita. Durante o exame oftalmológico, é possível identificar precocemente doenças oculares silenciosas, como glaucoma, catarata e degeneração macular. Por isso, é importante não apenas atualizar o grau, mas também monitorar a saúde ocular ao longo do tempo”, conclui.

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