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Presença feminina avança e impulsiona a logística

Crescimento na base operacional reflete uma construção intencional e já impacta a organização, a qualidade dos processos e a rotina das equipes.

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Historicamente marcada pela predominância masculina, a logística tem passado por uma transformação gradual no Brasil. Nos últimos anos, a presença feminina cresce de forma consistente na base operacional e em cargos de liderança. Segundo dados da Associação Brasileira dos Operadores Logísticos (ABOL), muitas empresas do setor já alcançam a paridade em suas equipes, com 50% ou mais de mulheres no quadro colaborativo.

Esse movimento começa a se firmar na rotina de empresas e cooperativas, com impactos diretos na organização dos processos e na execução das atividades.

Na Cooperflora, cooperativa de flores localizada em Jaguariúna (SP), a logística acompanha essa mudança. Em uma operação que conecta diferentes etapas da jornada da flor — do campo ao mercado —, a área tem se tornado mais diversa e equilibrada em sua composição.

Dividida entre as áreas de Fretes, Logística e Material Circulante, o setor reúne 76 colaboradores, dos quais 28 são mulheres, número que representa 36,8% da equipe. Atualmente, a presença feminina está distribuída de forma a garantir a participação próxima de um terço em cada frente.

Esse avanço está ligado a uma construção intencional, baseada em práticas de gestão e evolução cultural. De acordo com a gestora de Gente & Gestão, Fernanda Wanderlind, há cerca de oito anos o setor logístico da Cooperflora era majoritariamente masculino.

Foi nesse período que surgiram as primeiras iniciativas para ampliar a presença feminina na operação, um processo gradual que, hoje, se consolida como parte da cultura da cooperativa.

“Entendemos que a logística é um ambiente em que as mulheres têm condições de realizar as atividades e as realizam muito bem. E, quando você tem homens e mulheres no time, você tem visões diferentes que se complementam. Então, sim, existe uma intencionalidade na contratação”, explica a gestora.

Datas de Varejo

O cenário de alta performance na logística de flores ganha escala em períodos estratégicos para o setor varejista. Em 2026, em um ciclo intensivo de dez dias de operação que antecedeu o Dia da Mulher, a Cooperflora atingiu a marca de 6.030.400 de hastes processadas, exigindo coordenação e agilidade. Nesse contexto, a participação feminina se destacou não apenas pela presença, mas pela consistência: das 59 pessoas envolvidas na operação, as 23 mulheres da equipe foram responsáveis por 48,3% do volume movimentado, um índice que demonstra equilíbrio.

Essa eficiência serve como balizador para as próximas janelas de alta demanda, como a operação do Dia das Mães. Para este período, a projeção é de que 6.896.000 hastes sejam movimentadas, um crescimento de +14,35% em comparação ao volume registrado no Dia da Mulher.

Para além do dado pontual, o indicador revela um padrão. Nos últimos seis meses, as mulheres responderam por 49,7% das separações, com picos superiores a 50% em determinados períodos, o que reforça uma atuação contínua e integrada à rotina operacional.

A coordenadora logística da Cooperflora, Claudineia Kosel, avalia que a presença feminina na operação é crucial. “Enxergo a presença das mulheres hoje na operação logística como essencial, pela determinação e pela organização em cada detalhe dos processos”, afirma.

Na prática, essa consistência também está relacionada à forma como a cooperativa conduz a gestão das equipes. Segundo a gestora de Gente & Gestão, o direcionamento dado aos líderes é de não diferenciação entre homens e mulheres, com foco em competências e desempenho.

Análises recentes sobre o tema indicam que habilidades frequentemente associadas às mulheres, como empatia, escuta ativa e uma abordagem mais colaborativa de liderança, têm ganhado relevância nas estratégias empresariais.

Ao mesmo tempo, observa-se um movimento complementar, em que essas competências passam a ser mais difundidas entre os homens, enquanto as mulheres também se destacam por habilidades analíticas e pragmáticas, historicamente menos incentivadas.

Há mais de dois anos na equipe Cooperflora, a operadora logística Verônica Xavier destaca a dinâmica do trabalho. “Atuamos com responsabilidade, organização e atenção. Nos períodos de maior demanda, agilidade e cuidado são essenciais para garantir que os pedidos sejam separados e expedidos com eficiência”, comenta.

Liderança

A evolução, no entanto, não se limita à base operacional. A presença feminina avança em funções de liderança, acompanhando a maturidade da operação e ampliando o papel das mulheres na tomada de decisão.

No Brasil, esse movimento já apresenta sinais consistentes. O país ocupa a 12ª posição no ranking global de participação feminina na alta liderança, com avanço em relação a outros mercados, ainda que o cenário mundial indique retração nesse indicador.

O cenário ganha novos contornos com a chegada de profissionais que acompanham essa transformação há mais tempo no setor. Recém-integrada à Cooperflora, a coordenadora de material circulante, Cleunice Mattioni, iniciou sua trajetória na logística há mais de duas décadas.

“Comecei minha carreira na logística em 1998, quando a área ainda era pouco conhecida e muito associada ao trabalho operacional mais pesado. De lá para cá, o que mudou foi o entendimento do que é logística; hoje ela envolve controle, organização, estratégia. E isso abriu mais espaço para a atuação das mulheres”, frisa.

Esse movimento reflete uma transformação mais ampla dentro das organizações. Na Cooperflora, esse avanço acompanha a própria evolução da cooperativa: hoje, as mulheres representam 45% do quadro de colaboradores. Na logística, em específico, 14,3% das mulheres estão em posições de liderança.

Para a área de Gente & Gestão, esse ainda é um movimento em construção, que tende a se manter ao longo dos próximos anos, acompanhando tanto o interesse das profissionais quanto as dinâmicas do mercado de trabalho.

Na base produtiva, a presença também se mostra relevante. No campo, 45% dos cooperados são mulheres ou contam com mulheres à frente da gestão dos sítios, o que indica uma atuação direta tanto na condução das atividades quanto na tomada de decisão.

Apesar dos avanços, a equidade de gênero no setor logístico ainda está em construção, especialmente nos níveis de liderança.

O que já se evidencia, no entanto, é que essa transformação vai além da presença. Ao ampliar a diversidade dentro da operação, amplia-se também a forma de pensar, organizar e executar o trabalho.

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DINO Agência de Notícias Corporativas

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