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Lipedema exige avaliação clínica e tratamento personalizado

Condição reconhecida recentemente pela OMS afeta cerca de 10% das mulheres e ainda é frequentemente confundida com obesidade. A Dra. Debora Oro, nutróloga, ressalta que o tratamento deve ser individualizado e integral, considerando o bem-estar emocional.

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Um consenso internacional que estabelece critérios sobre o lipedema foi divulgado em janeiro, conforme noticiado pelo portal g1. A doença crônica afeta majoritariamente as mulheres e é caracterizada pelo acúmulo desproporcional de gordura, com dor e sensibilidade, principalmente nos membros.

De acordo com publicação da BBC, a condição foi reconhecida como doença pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 2019, e incluída na Classificação Internacional de Doenças (CID-11) em 2022, e ainda é frequentemente confundida com obesidade. Estimativas indicam que o lipedema atinge cerca de 10% das mulheres em todo o mundo.

A Dra. Debora Oro, médica nutróloga com atuação voltada à saúde integral da mulher, aponta que o lipedema foi descrito na literatura médica há décadas, mas apenas nos últimos anos começou a receber maior atenção científica. Segundo ela, a falta de conhecimento sobre a doença, tanto por parte das pacientes quanto de muitos profissionais de saúde, é o principal fator para que a doença ainda seja subdiagnosticada.

“Como os sintomas podem ser confundidos com ganho de peso ou retenção de líquidos, muitas mulheres acabam sendo orientadas apenas a emagrecer, sem investigação adequada. Além disso, o diagnóstico é essencialmente clínico e depende de um profissional familiarizado com os critérios específicos da doença”, pontua a médica.

A especialista explica que a confusão ocorre porque a condição provoca aumento de volume nas pernas e, em alguns casos, nos braços, apesar de se tratar de uma doença do tecido gorduroso, com características próprias. A Dra. Debora Oro esclarece que o lipedema é uma condição crônica, progressiva, associada à inflamação e fragilidade vascular.

“A retenção de líquidos costuma variar ao longo do dia e melhorar com medidas simples, enquanto a gordura do lipedema, diferentemente da obesidade comum, é desproporcional, dolorosa ao toque, tende a formar nódulos e não responde da mesma forma à dieta e ao exercício, além de ter características genéticas e hormonais diferentes de uma célula de gordura comum”, detalha a nutróloga.

Segundo a médica, além das alterações físicas, a doença pode causar impactos emocionais e psicológicos significativos nas pacientes. De acordo com ela, muitas mulheres relatam frustração, culpa e baixa autoestima, principalmente porque passam anos tentando emagrecer sem entender por que determinadas áreas do corpo não respondem aos esforços.

“Essa sensação de incompreensão — muitas vezes acompanhada de dor física e limitações funcionais — pode gerar ansiedade, sofrimento psicológico e até isolamento social. Por isso, o cuidado com a paciente precisa ser integral, considerando não apenas o aspecto físico, mas também o bem-estar emocional”, ressalta a profissional.

Diagnóstico e tratamento

A Dra. Debora Oro alerta que o diagnóstico do lipedema é clínico e deve ser feito por um médico capacitado na avaliação da doença. Ela revela que, durante a consulta, são analisados o histórico dos sintomas, o padrão de distribuição da gordura, a presença de dor, a facilidade para hematomas, a sensibilidade ao toque e a desproporção entre tronco e membros.

“Em alguns casos, exames de imagem podem ser utilizados como complemento para avaliar o tecido adiposo e o sistema vascular. A avaliação especializada é fundamental para diferenciar o lipedema de outras condições e orientar o tratamento mais adequado”, enfatiza a especialista.

De acordo com a nutróloga, o tratamento do lipedema deve ser multidisciplinar e envolve diferentes estratégias para controlar a inflamação, reduzir sintomas e melhorar a qualidade de vida, além de melhora estética. Ela reforça que o tratamento deve ser individualizado e acompanhado por equipe que compreenda a complexidade da doença. Em estágios selecionados, a cirurgia pode ser considerada.

“Entre as abordagens estão ajustes nutricionais, prática de atividade física adequada, terapias de compressão e descongestão, como o uso de meias compressivas e drenagem linfática, uso de tecnologias corporais com finalidades regenerativas e, em alguns casos, medicamentos ou suplementos com ação de modulação de resposta inflamatória e metabólica, além de ajustes hormonais quando necessários”, conta a médica.

A especialista orienta que, ao perceber desproporção entre o tronco e as pernas, dor ao toque, tendência a hematomas e dificuldade de reduzir o volume dessas regiões mesmo com dieta e exercício, mulheres que suspeitam ter lipedema procurem avaliação médica.

“O diagnóstico precoce faz diferença porque permite iniciar estratégias de cuidado antes que a doença evolua. Para além da estética, trata-se de cuidado com a saúde, qualidade de vida e acolhimento para uma condição que ainda é pouco reconhecida”, salienta a Dra. Debora Oro.

Para mais informações, basta acessar o site oficial da Dra. Debora Oro: http://dradeboraoro.com.br/

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