Portal Comunique-se

Fim da escala 6×1 exige transição estruturada, diz Sintelmark

Fim da escala 6x1 exige transição estruturada, diz Sintelmark

O Sindicato Paulista das Empresas de Contact Center (Sintelmark) defende que a PEC exige uma transição estruturada, construída por meio da negociação coletiva, para preservar empregos e garantir a sustentabilidade das operações

Compartilhe

A possível substituição da escala de trabalho 6×1 pelo modelo 5×2 no Brasil precisa ser acompanhada de uma transição responsável para evitar efeitos colaterais indesejados sobre o emprego formal, especialmente em setores intensivos em mão de obra, como o de telesserviços e relacionamento com clientes.

O alerta é de Luís Crem, presidente do Sindicato Paulista das Empresas de Contact Center (Sintelmark), entidade que representa um dos segmentos que mais empregam jovens e trabalhadores em primeiro emprego no país.

Segundo Crem, o debate sobre a modernização das jornadas é legítimo e acompanha uma transformação global das relações de trabalho. No entanto, a implementação de mudanças estruturais sem planejamento adequado pode produzir consequências opostas às pretendidas.

"Defendemos a evolução das relações de trabalho e reconhecemos a importância da qualidade de vida dos profissionais. Mas uma mudança dessa magnitude exige previsibilidade, diálogo e adaptação gradual para que não resulte em perda de empregos justamente em um momento de forte avanço tecnológico", afirma.

O setor de telesserviços opera, em grande parte das vezes, 24 horas por dia, sete dias por semana, atendendo bancos, empresas de telecomunicações, varejo, saúde, utilities, tecnologia e serviços digitais. A redução da jornada impacta diretamente o dimensionamento das equipes, os contratos em vigor, os custos operacionais e os níveis de serviço exigidos pelos contratantes.

De acordo com o presidente do Sintelmark, a preocupação central está na necessidade de que a implementação das novas regras ocorra de forma planejada, respeitando as características operacionais do setor e garantindo condições para que empresas e trabalhadores se adaptem ao novo cenário com previsibilidade e segurança jurídica.

"Uma mudança dessa magnitude exige diálogo permanente entre representantes dos trabalhadores e das empresas. A construção de soluções negociadas será essencial para preservar empregos, manter a competitividade do setor e assegurar a continuidade dos serviços prestados à população", observa Crem.

O setor emprega 1,5 milhão de trabalhadores em todo o país e historicamente funciona como importante porta de entrada para jovens no mercado formal. Por isso, a entidade defende que qualquer alteração nas regras de jornada seja acompanhada de mecanismos de preservação de empregos, adaptação progressiva dos contratos e reconhecimento das particularidades das operações contínuas.

"O texto aprovado pela Câmara reconhece a importância das negociações coletivas para a implementação das mudanças em setores que possuem escalas específicas. Nesse contexto, os sindicatos patronais e laborais assumem papel estratégico na construção de soluções que conciliem os avanços pretendidos pela PEC com a preservação dos empregos formais e a continuidade dos serviços essenciais", destaca o presidente do Sintelmark.

Entre os pontos considerados fundamentais pelo setor estão:

  • Implementação gradual e com cronograma previsível;
  • Adequação dos contratos vigentes entre contratantes e prestadores de serviço;
  • Segurança jurídica para modelos de escala e compensação de jornada;
  • Proteção dos empregos durante o período de transição;
  • Flexibilidade operacional para atividades que exigem cobertura contínua e atendimento 24×7.

"É possível avançar na modernização das jornadas sem comprometer a competitividade das empresas e sem colocar em risco milhares de postos de trabalho. O desafio é construir uma transição equilibrada, que proteja os trabalhadores, preserve empregos e garanta a continuidade dos serviços essenciais à população", conclui.

Compartilhe

DINO Agência de Notícias Corporativas

Agência de notícias corporativas. Conteúdos publicados em rede de parceiros online. Na lista de parceiros estão grandes portais, como os casos do Terra, do Metrópoles e do iG. Agência Estado e Agência O Globo também fazem parte desse time, assim como mais de uma centena de sites e blogs espalhados país afora.

Fale com um especialista
Fale com um especialista