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Tecnologia impulsiona governança, eficiência e resiliência

Tecnologia impulsiona governança, eficiência e resiliência

Digitalização ganha status de infraestrutura essencial diante de pressões econômicas, ESG e desafios operacionais, avalia especialista da Grant Thornton.

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Em um cenário de queda nos indicadores de confiança empresarial e aumento das incertezas globais, a tecnologia vem ganhando papel mais estrutural na operação das empresas brasileiras. A avaliação é da Grant Thornton Brasil, com base nos dados do International Business Report (IBR) do primeiro trimestre de 2026.

Apesar de uma leve retração nos investimentos em tecnologia no período, o empresariado brasileiro segue investindo acima da média global. Para a Grant Thornton, o movimento indica que a digitalização deixou de ser tratada apenas como inovação incremental e passou a ocupar espaço central na estratégia operacional das companhias.

"Investir em tecnologia deixou de ser uma escolha pontual e passou a ser uma necessidade estrutural. Empresas que não avançam na digitalização tendem a enfrentar mais dificuldades para ganhar eficiência, fortalecer controles internos e responder a exigências regulatórias em um ambiente econômico mais complexo", afirma Elias Zoghbi, líder da Indústria Financeira da Grant Thornton Brasil.

Digitalização como base para governança e controle Segundo a Grant Thornton, enquanto mercados mais maduros avançam em frentes como inteligência artificial, automação e análise preditiva, parte das empresas brasileiras ainda concentra esforços na modernização de processos básicos, integração de sistemas e melhoria da gestão de dados.

Na avaliação de Elias, esse movimento representa uma etapa necessária para ampliar a confiabilidade das informações e reduzir riscos operacionais. "A modernização de processos básicos é um passo fundamental. Antes de avançar para tecnologias mais sofisticadas, muitas empresas precisam organizar dados, integrar sistemas e reduzir dependências operacionais. Essa base é o que permite ganhos reais de controle, rastreabilidade e tomada de decisão", explica.

A digitalização também se torna mais relevante diante do avanço da agenda ESG. Com a transição de uma abordagem reputacional para uma lógica mais regulatória, empresas passam a enfrentar exigências crescentes de rastreabilidade, transparência e auditabilidade de informações.

A adoção de frameworks como os propostos pelas normas IFRS S1 e IFRS S2 ou CSRD amplia a necessidade de sistemas capazes de coletar, tratar e reportar dados relacionados aos aspectos ambientais, sociais e de governança com maior consistência, garantindo integração com processos de gestão corporativos e com as métricas de desempenho financeiro das companhias.

"À medida que as divulgações relacionadas aos aspectos ESG passam a exigir dados verificáveis e conectados às demonstrações financeiras, a tecnologia deixa de ser apenas suporte e parte da governança da informação", avalia Zoghbi.

Eficiência, resiliência e integridade das informações O ambiente macroeconômico também contribui para reforçar essa tendência. Conflitos internacionais, instabilidade no fornecimento de insumos, aumento de custos logísticos e pressão inflacionária elevam a necessidade de maior previsibilidade operacional.

Para a Grant Thornton, esse cenário tende a ampliar a demanda por soluções tecnológicas voltadas à eficiência, controle de custos, gestão de riscos e resiliência das operações. "Em momentos de maior incerteza, empresas precisam tomar decisões com mais rapidez e precisão. Isso depende diretamente da qualidade dos dados, da integração dos sistemas e da capacidade de antecipar riscos operacionais e financeiros", ressalta o executivo.

Embora o IBR Q1 2026 aponte deterioração em diversos indicadores de confiança, a manutenção dos investimentos em tecnologia acima da média global indica que parte das empresas brasileiras segue priorizando a preparação para um ambiente de negócios mais exigente.

"A tecnologia se tornou um dos principais caminhos para empresas ganharem eficiência, transparência e capacidade de adaptação. Mesmo em um cenário adverso, esse movimento mostra que muitas companhias brasileiras seguem olhando para o futuro de forma pragmática", conclui Elias.

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