Portal Comunique-se

El Niño pressiona operações e finanças empresariais

El Niño pressiona operações e finanças empresariais

O El Niño pode impactar a economia e pressiona as operações das empresas antes de impactar o fluxo de caixa das empresas. Eventos climáticos geram quebras de produção, gargalos logísticos e atrasos de fornecedores. Segundo Daniel Paschino, CFO da Qive, identificar esses sinais precoces na operação é vital para agir a tempo e evitar prejuízos antes que o impacto chegue ao resultado final.

Compartilhe

O fenômeno climático El Niño está em fase de formação no Oceano Pacífico e deve se intensificar nos próximos meses, de acordo com o boletim divulgado pelo Climate Prediction Center (CPC), órgão vinculado à NOAA. O Banco Central incorporou o risco climático às projeções econômicas, estimando um impacto adicional de 0,3 a 0,4 ponto percentual na inflação dos próximos dois anos, principalmente em razão da pressão sobre preços de alimentos, energia e frete.

Especialistas apontam que o El Niño pode alterar preços, produção, juros, câmbio e decisões de investimento. A pressão sobre as cadeias produtivas se manifesta inicialmente na operação. Quebras de produção reduzem volumes entregues, gargalos logísticos alteram prazos de faturamento e fornecedores sob tensão podem atrasar a emissão de notas fiscais ou apresentar divergências documentais.

Daniel Paschino, CFO da Qive, destaca que identificar esses sinais precoces é essencial para evitar prejuízos financeiros. "Os efeitos de eventos climáticos aparecem primeiro na operação. Uma quebra de produção reduz entregas, gargalos logísticos alteram prazos de faturamento e fornecedores pressionados costumam apresentar atrasos na documentação ou mudanças no padrão de emissão de notas fiscais. Quando esses reflexos chegam ao caixa, a empresa já perdeu parte importante da capacidade de reação", afirma.

A análise 'Sustainability Insights: El Niño 2026: Operational Headwind Or Credit Catalyst?', da S&P Global, corrobora a sequência observada, indicando que interrupções produtivas, aumento de custos e redução do EBITDA antecedem a deterioração da qualidade de crédito. Segundo o estudo, os impactos operacionais costumam preceder os efeitos sobre risco de crédito e ratings.

Paschino alerta que empresas com informações dispersas em sistemas diferentes ou processos manuais respondem mais lentamente. Ele recomenda que o setor financeiro trate o fluxo de contas a pagar como fonte de inteligência operacional, monitorando indicadores como queda no volume de notas fiscais de fornecedores estratégicos, aumento de divergências documentais e recorrência de documentos incompletos.

Para transformar esses indicadores em decisões ágeis, o executivo defende a integração de documentos fiscais, contratos, cadastros de fornecedores, pagamentos e comprovantes. "Quando essas informações estão conectadas e são confiáveis, a empresa consegue agir preventivamente, renegociando prazos, revisando estoques críticos, ajustando projeções de caixa ou reforçando controles antes que a pressão apareça nos resultados financeiros", completa.

Embora organizações não possam controlar eventos climáticos, podem fortalecer a capacidade de resposta por meio de processos estruturados e dados integrados. "Em períodos de maior volatilidade, eficiência sem controle é insuficiente. Velocidade sem rastreabilidade aumenta o risco, e dados desconectados criam uma falsa sensação de gestão. O alerta pode vir de fora, mas a capacidade de resposta precisa estar dentro da empresa", conclui Paschino.

Compartilhe

DINO Agência de Notícias Corporativas

Agência de notícias corporativas. Conteúdos publicados em rede de parceiros online. Na lista de parceiros estão grandes portais, como os casos do Terra, do Metrópoles e do iG. Agência Estado e Agência O Globo também fazem parte desse time, assim como mais de uma centena de sites e blogs espalhados país afora.

Fale com um especialista
Fale com um especialista