Portal Comunique-se

Diagnóstico tardio aumenta risco no diabetes tipo 1

Diagnóstico tardio aumenta risco no diabetes tipo 1

Estudos apontam que diagnóstico tardio do diabetes tipo 1 eleva a incidência de cetoacidose de 20,5% para 52,3% e aumenta a mortalidade. O T1D Index estima 520 mil pessoas com esse tipo de diabetes no Brasil e 246 mil mortes prematuras, das quais 25% nunca foram diagnosticadas. Diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes recomendam rastreamento familiar e uso de sensores contínuos para melhorar o manejo do diabetes.

Compartilhe

O Fórum Intersetorial de CCNTs no Brasil e a ADJ Diabetes Brasil, em parceria com sociedades médicas e pesquisadores, divulgaram dados que evidenciam a gravidade do diagnóstico tardio de Diabetes Mellitus Tipo 1 (DM1) no país. Segundo o T1D Index, cerca de 520 mil pessoas vivem com DM1 no Brasil, enquanto 246 mil mortes prematuras foram registradas nos últimos anos; 25% desses óbitos ocorreram em indivíduos que nunca receberam diagnóstico durante a vida.

A demora na confirmação do diagnóstico eleva significativamente o risco de cetoacidose associada ao diabetes (CAD). Estudos apontam que a incidência de CAD sobe de 20,5% em diagnósticos realizados precocemente para 52,3% quando o diagnóstico ocorre tardiamente, aumentando a probabilidade de complicações agudas e mortalidade.

O estudo epidemiológico BrazDiab1SG revelou que pessoas com DM1 têm risco de morte três vezes maior que a população geral, com principais causas de óbito sendo doença renal crônica, CAD e complicações cardiovasculares. Nesse mesmo estudo, identificou-se que menos de 30% das pessoas com DM1 acompanhadas no Sistema Único de Saúde (SUS) mantêm a hemoglobina glicada (HbA1c) abaixo de 7%, apresentando média nacional entre 9,0% e 9,3%. Essa situação contribuiu para mais de 282 mil amputações de membros inferiores entre 2012 e 2023.

Ao mesmo tempo, pesquisas recentes apontam que a HbA1c isolada não captura relevantes oscilações diárias da glicemia. O Tempo no Alvo (TIR), intervalo da glicose entre 70 e 180 mg/dL, medido por sensores de monitoramento contínuo de glicose (CGM), emergiu como indicador preditivo de complicações. Revisões sistemáticas indicam que cada redução de 10% no TIR eleva a mortalidade por todas as causas em 8% e a mortalidade cardiovascular em 5%. Além disso, episódios de hipoglicemia grave, mitigados pelo uso de CGM, duplicam o risco de hospitalizações por complicações cardiovasculares.

"A consolidação de políticas públicas eficazes exige olhar o indivíduo de forma holística, integrando diagnóstico precoce, medicação adequada, alimentação saudável, atividade física regular, sono de qualidade, vacinação e o monitoramento contínuo da glicose", afirmou o Dr. Mark Barone, especialista em saúde pública e coordenador geral do FórumCCNTs. Barone ressaltou que a experiência vivida pelas pessoas com diabetes deve ser considerada como evidência para orientar decisões governamentais e garantir equidade no acesso às tecnologias de saúde. Para o especialista, "é inaceitável crianças diagnosticadas com diabetes tipo 1 no Brasil aos 10 anos de idade enfrentarem redução de 25 anos na expectativa de vida".

A viabilidade da ampliação do uso de CGM no SUS depende também da descentralização do conhecimento. O endocrinologista Dr. Ronaldo Pineda Wieselberg, presidente da ADJ Diabetes Brasil, destacou que a educação em saúde é fundamental para o engajamento nos autocuidados. "Estudos econômicos nacionais comprovam que o monitoramento contínuo de glicose é custo‑efetivo para pessoas com diabetes. A disponibilização dessa tecnologia, aliada à capacitação em contagem de carboidratos e a programas educativos estruturados, confere autonomia às famílias, reduz internações de urgência e sustenta um modelo de assistência eficiente no SUS", explicou.

Os especialistas apontam que, apesar das evidências, ainda há barreiras para a implementação ampla de CGM e programas de rastreamento familiar. A SBD recomenda a triagem de indivíduos de primeiro grau por meio de anticorpos específicos, prática já adotada em países como a Itália, onde a legislação prevê triagem populacional precoce. No Brasil, a adoção dessas medidas requer investimentos em infraestrutura, capacitação de profissionais e políticas de financiamento que assegurem o acesso universal às tecnologias de diagnóstico e monitoramento.

Em síntese, a combinação de diagnóstico precoce, monitoramento contínuo da glicose e estratégias de educação em saúde constitui o caminho apontado por pesquisadores e autoridades para reduzir a mortalidade e melhorar a qualidade de vida das pessoas com diabetes tipo 1 no Brasil.

Compartilhe

DINO Agência de Notícias Corporativas

Agência de notícias corporativas. Conteúdos publicados em rede de parceiros online. Na lista de parceiros estão grandes portais, como os casos do Terra, do Metrópoles e do iG. Agência Estado e Agência O Globo também fazem parte desse time, assim como mais de uma centena de sites e blogs espalhados país afora.

Fale com um especialista
Fale com um especialista