Portal Comunique-se

Gigante chinesa traz solução móvel para rejeitos ao Brasil

Gigante chinesa traz solução móvel para rejeitos ao Brasil

A mineração busca alternativas para ampliar a segurança e a eficiência na gestão de rejeitos. Nesse cenário, sistemas móveis de filtragem ganham espaço ao combinar escala industrial, recuperação de água e flexibilidade operacional. Na EXPOSIBRAM 2026, a chinesa JINGJIN apresentará no Brasil estações móveis capazes de processar até 80 toneladas por hora.

Compartilhe

A redução da dependência de barragens para disposição de rejeitos tornou-se uma das principais questões de engenharia da mineração brasileira. O movimento, acelerado pelas mudanças regulatórias dos últimos anos, trouxe uma nova discussão para as mineradoras: como fazer com que alternativas de disposição sejam não apenas tecnicamente possíveis, mas capazes de operar nos volumes, custos e índices de disponibilidade exigidos por grandes projetos.

Ao fim de 2025, o Brasil ainda mantinha 45 barragens construídas pelo método a montante enquadradas na Política Nacional de Segurança de Barragens (PNSB), segundo a Agência Nacional de Mineração (ANM). O número corresponde a 9,6% das 470 estruturas enquadradas na política. Sete foram descaracterizadas ao longo do ano. O cronograma de descaracterização mantém investimentos em engenharia e tratamento de rejeitos no horizonte das mineradoras. Mas a questão vai além das barragens. Em novos projetos, retirar água dos rejeitos e encontrar formas seguras e economicamente viáveis para sua disposição também ganhou espaço nas decisões de engenharia.

É nesse contexto que a filtragem ganha importância. Depois do beneficiamento, o rejeito normalmente deixa a planta como uma polpa de sólidos e água. O filtro prensa separa essas fases sob pressão, produzindo uma torta com menor umidade e recuperando água que pode retornar ao processo industrial. A complexidade aparece quando esse princípio precisa ser reproduzido continuamente para tratar grandes volumes. Alimentação, bombeamento, filtragem, descarga e transporte precisam funcionar de forma coordenada e com disponibilidade compatível com uma planta industrial.

Uma das alternativas que chegam ao mercado brasileiro procura resolver outro componente dessa equação: instalar capacidade de filtragem sem necessariamente construir uma planta permanente para cada aplicação.

A chinesa JINGJIN Equipment apresentará na EXPOSIBRAM 2026, entre 24 e 27 de agosto, em Belo Horizonte, duas estações móveis de filtragem montadas sobre skids e em configuração sobreposta. O sistema tem como peça central um filtro prensa com até 550 m² de área filtrante e capacidade de alimentação de até 80 toneladas por hora. A diferença está menos no princípio da filtragem e mais na instalação.

Em vez de depender de uma estrutura civil permanente, filtro e equipamentos associados são montados em módulos, reduzindo a necessidade de fundações fixas e permitindo que a unidade seja transportada ou reposicionada conforme as necessidades da operação.

A mobilidade pode ser particularmente relevante quando a frente de trabalho se desloca ou tem prazo determinado, como em determinadas etapas de descomissionamento de barragens. Também permite adicionar capacidade a uma operação existente sem reproduzir toda a infraestrutura de uma instalação convencional.

Unidades móveis da JINGJIN já estão em funcionamento no país em operações de mineração no país: "O equipamento vem apresentando resultados expressivos de desempenho e disponibilidade física. Há aplicações em que construir uma estrutura permanente significa acrescentar prazo, obras civis e investimento a uma necessidade que pode mudar ao longo do projeto. A mobilidade permite tratar essa capacidade de outra maneira, sem alterar o princípio de funcionamento do filtro prensa", afirma Wesley Xavier, CEO da JINGJIN Brasil.

A filtragem também está ligada à busca por maior eficiência hídrica. Parte da água retirada da polpa pode retornar ao circuito industrial, enquanto a redução da umidade permite avaliar alternativas de disposição, como o empilhamento de rejeitos filtrados, desde que atendidas as condições geotécnicas e de segurança de cada empreendimento. Os resultados variam conforme mineralogia, granulometria, concentração de sólidos e umidade pretendida. Por isso, ensaios de filtrabilidade antecedem o dimensionamento industrial. No Brasil, a JINGJIN mantém em Nova Lima (MG) laboratório dedicado a esses testes.

A necessidade de integrar as diferentes etapas também está alterando a estratégia dos fabricantes. Conhecida principalmente pelos filtros prensa, a JINGJIN aproveitará a EXPOSIBRAM para ampliar no Brasil a oferta de equipamentos periféricos. O portfólio passa a incluir correias transportadoras, transportadores helicoidais, bombas e sistemas auxiliares, além de painéis elétricos e sistemas de controle. A companhia também apresentará uma Plunger Pump, bomba de alta pressão utilizada na alimentação dos filtros.

A estratégia é integrar uma parcela maior do circuito em uma mesma engenharia. Em projetos de grande porte, a capacidade deixa de depender apenas do filtro e passa a ser determinada pelo equilíbrio entre alimentação, filtragem, descarga e transporte. A discussão com as mineradoras está cada vez menos restrita ao filtro. "Em escala industrial, é preciso considerar alimentação, filtragem, descarga e transporte como um único processo. É a performance desse conjunto que determina o resultado", diz Xavier.

Fundada em 1988, a JINGJIN comercializa equipamentos em mais de 120 países. No Brasil, mantém sede em Nova Lima, com engenharia, pós-venda, estoque de peças, laboratório e assistência técnica.

A apresentação da solução ocorrerá durante a EXPOSIBRAM 2026, que terá a maior edição de sua história. Segundo o Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM), serão mais de 17 mil m² de área expositiva e 750 estandes. A expectativa é receber mais de 80 mil visitantes ao longo dos quatro dias. Realizado de 24 a 27 de agosto, no Expominas, em Belo Horizonte, o evento reúne mineradoras, fornecedores, investidores e especialistas e funciona como uma das principais vitrines para tecnologias, equipamentos e serviços destinados à indústria mineral no país.

O avanço da filtragem mostra que a discussão sobre rejeitos ultrapassou o equipamento isolado. Em escala industrial, segurança e desempenho ambiental precisam coexistir com produtividade e viabilidade econômica. No fim, a tecnologia será medida pela mesma equação que orienta os grandes projetos minerais: toneladas processadas, disponibilidade, água recuperada e custo operacional.

Compartilhe

DINO Agência de Notícias Corporativas

Agência de notícias corporativas. Conteúdos publicados em rede de parceiros online. Na lista de parceiros estão grandes portais, como os casos do Terra, do Metrópoles e do iG. Agência Estado e Agência O Globo também fazem parte desse time, assim como mais de uma centena de sites e blogs espalhados país afora.

Fale com um especialista
Fale com um especialista