Portal Comunique-se

Empresas criam segundo cérebro para organizar conhecimento

Empresas criam segundo cérebro para organizar conhecimento

Organizações adotam sistemas de gestão de conhecimento em três camadas e inteligência artificial para transformar informações dispersas em memória institucional, reduzindo retrabalho e mitigando impactos da alta rotatividade de colaboradores.

Compartilhe

Empresas de diferentes setores estão implantando o chamado segundo cérebro empresarial, um conjunto de processos e tecnologias destinado a registrar, organizar e recuperar o conhecimento institucional. A iniciativa tem se intensificado nos últimos anos, tanto no Brasil quanto em outras economias, como resposta ao tempo excessivo gasto na busca de informações internas e ao risco de perda de memória organizacional decorrente da alta rotatividade de funcionários. O modelo baseia‑se em uma arquitetura de três camadas — fontes, memória e critério — e utiliza inteligência artificial de recuperação aumentada (RAG) para consultar documentos internos antes de gerar respostas.

Estudos apontam a relevância do problema: o McKinsey Global Institute estima que os trabalhadores de interação dedicam cerca de 19% do tempo à procura de informações já existentes; pesquisa da Panopto em parceria com a YouGov indica perda de 5,3 horas semanais esperando dados de colegas ou recriando conhecimento já disponível. Além disso, 42% do conhecimento institucional pode estar concentrado em um único colaborador, sem documentação adequada, o que eleva o risco de interrupções quando há desligamentos, segundo dados do Novo CAGED que registram níveis elevados de demissões no país.

A primeira camada, fontes, reúne documentos originais como contratos, demonstrações financeiras, registros de clientes, atas e relatórios operacionais, preservando histórico de alterações e rastreabilidade. Na segunda camada, memória, esses documentos são transformados em afirmações objetivas, datadas e vinculadas às evidências correspondentes; por exemplo, a margem de 19% passa a ser útil somente quando se indica o documento, período e contexto de origem. A terceira camada, critério, define regras para registro, estabelece relações entre informações e determina procedimentos para lidar com versões conflitantes, preservando todas as versões e permitindo decisões conscientes.

A inteligência artificial potencializa esse modelo. Sistemas baseados em RAG consultam o acervo interno antes de responder, apresentando respostas acompanhadas pelas fontes consultadas. Essa abordagem reduz a dependência de conhecimento pré‑treinado pela IA, diminui a incidência de respostas incorretas e permite o uso de documentos proprietários sem incorporá‑los ao treinamento do modelo.

Entretanto, a tecnologia não resolve, por si só, deficiências de qualidade dos dados. Um repositório com documentos incompletos, desatualizados ou contraditórios continuará gerando respostas imprecisas. A governança da informação torna‑se, portanto, essencial: o repositório deve contar com controle de acesso, trilha de auditoria, política de retenção, definição clara de responsabilidades e conformidade com a LGPD, incluindo regras sobre localização do processamento, uso para treinamento e procedimentos de exclusão.

Os custos de implementação variam conforme a solução adotada. Enquanto ferramentas de armazenamento podem ter baixo custo, o principal investimento recai sobre o trabalho humano necessário para estruturar, validar e manter o conhecimento atualizado. Projetos que carecem de responsáveis claros tendem a se tornar arquivos organizados, mas pouco consultados.

O segundo cérebro empresarial gera valor apenas quando integrado ao cotidiano de trabalho, apoiando a análise de problemas, a tomada de decisão e a transferência de conhecimento. Ele não substitui o julgamento humano; a arbitragem de conflitos entre fontes ou interesses internos permanece responsabilidade das pessoas.

Dados disponíveis demonstram que empresas perdem tempo e recursos ao buscar informações já existentes e que grande parte do conhecimento institucional permanece não documentada. A adoção isolada de IA não garante impacto financeiro significativo. O foco deve estar na construção de uma memória institucional viva, confiável e rastreável, capaz de responder a quatro perguntas fundamentais: o que a empresa sabe; de onde vem a informação; quando foi registrada; e quem é responsável por mantê‑la válida. Quando essas respostas são asseguradas, o conhecimento deixa de depender exclusivamente das pessoas e se transforma em um ativo permanente da organização.

Compartilhe

DINO Agência de Notícias Corporativas

Agência de notícias corporativas. Conteúdos publicados em rede de parceiros online. Na lista de parceiros estão grandes portais, como os casos do Terra, do Metrópoles e do iG. Agência Estado e Agência O Globo também fazem parte desse time, assim como mais de uma centena de sites e blogs espalhados país afora.

Fale com um especialista
Fale com um especialista