Portal Comunique-se

Mobiliário contemporâneo aproxima design e ergonomia

Mobiliário contemporâneo aproxima design e ergonomia

A escolha do mobiliário vai além da estética. Em ambientes cada vez mais compactos e multifuncionais, ergonomia, conforto, mobilidade e versatilidade passam a orientar o desenho dos espaços. O mobiliário contemporâneo acompanha essa mudança ao integrar função e linguagem estética, criando peças que não apenas ocupam o ambiente, mas participam da forma como ele é usado e vivido.

Compartilhe

Por muito tempo, escolher o mobiliário de um ambiente foi uma questão, principalmente, visual. Forma, proporção, materiais, cores e acabamentos ajudavam a definir a personalidade de um projeto. Mas as transformações nas cidades, no mercado imobiliário e nos hábitos de consumo vêm ampliando essa discussão. Espaços com plantas mais compactas convivem com uma rotina cada vez mais dinâmica, em que um mesmo ambiente precisa responder a diferentes necessidades ao longo do dia.

A globalização aproximou referências de moradia e design, fortalecendo soluções para o melhor aproveitamento dos espaços. Ambientes multifuncionais refletem uma mudança simples: não se trata apenas de ter menos espaço, mas de fazê-lo funcionar melhor. Nesse cenário, ergonomia, conforto, mobilidade e versatilidade passam a ter peso semelhante ao da estética.

Ergonomia também entra no desenho do espaço

A ABERGO, Associação Brasileira de Ergonomia e Fatores Humanos mantém um Comitê Técnico dedicado à Ergonomia em Ambiente Construído e Acessibilidade. Segundo a Associação, o objetivo é compreender a "relação pessoa-tarefa-ambiente com olhar ergonômico", considerando acessibilidade, mobilidade e as necessidades de quem usa.

Como esse espaço será útil? A resposta influencia layout, circulação e mobiliário. Em um ambiente de trabalho, a cadeira precisa responder à permanência prolongada; em uma sala de estar, às formas de sentar, conversar, ler ou descansar. A ergonomia, assim, deixa de ser apenas uma característica do produto e passa a participar da experiência do ambiente.

Quando a função também constrói a estética

No mobiliário contemporâneo, função e aparência estão menos separadas. Materiais, texturas, volumes, bases e mecanismos participam tanto do uso quanto da maneira como a peça ocupa e se relaciona com o espaço. A BIFMA, associação que representa a indústria de mobiliário comercial e institucional, desenvolve e mantém padrões voltados à segurança, ao desempenho e à durabilidade de produtos do setor. Esses parâmetros ajudam a estabelecer critérios técnicos para o mobiliário e mostram como aspectos funcionais podem estar integrados à própria concepção das peças. Materiais, estruturas, mecanismos e soluções de uso passam, assim, a participar tanto do desempenho quanto da linguagem estética do produto.

Formas orgânicas aproximam mobiliário e natureza

Entre as linguagens que ganharam espaço estão formas orgânicas, curvas, volumes suaves e materiais naturais. A linha Giorgio, da DT3, parte dessa aproximação. Com participação de um estúdio alemão, a cadeira tem design premiado na Design Award 2024 e combina estrutura metálica com uma linguagem inspirada em formas naturais. A Giorgio utiliza pés em madeira Faia Europeia, enquanto a Giorgio FS leva a mesma linguagem para uma versão com base e rodas, pensada para ambientes de trabalho e rotinas mais dinâmicas.

A diferença entre as versões mostra como uma mesma linguagem pode assumir relações distintas com o espaço. A peça precisa conversar com proporções, circulação e forma de uso.

Móveis que acompanham a mudança de ritmo

Ambientes de função única também vêm perdendo espaço.

A Dolly, da DT3, segue essa proposta ao transitar entre trabalho, leitura e lazer. Seu formato compacto para sentar-se de pernas cruzadas e a ausência de braços laterais ampliam as possibilidades de posicionamento, enquanto a Dolly FS acrescenta rodas para facilitar a movimentação.

Essa perspectiva aparece também em estudos sobre ergonomia do ambiente construído. Em artigo publicado na revista Produção, Vilma Villarouco e Luiz F. M. Andreto analisaram a relação entre configuração espacial e desempenho de ambientes de trabalho.

Os pesquisadores escrevem que "a ergonomia do ambiente extrapola as questões puramente arquitetônicas", concentrando-se na "adaptabilidade e conformidade do espaço ao trabalho que nele é desenvolvido". O estudo também considera conforto ambiental, antropometria, psicologia ambiental e ergonomia cognitiva.

A escolha de uma cadeira, mesa ou poltrona também diz respeito à atividade e ao espaço onde será utilizada.

Conforto também pode estar no desenho

Conforto não está apenas em materiais macios ou uma composição visual acolhedora. A maneira como o objeto responde ao corpo também importa. Reclinação, apoio para os pés, giro e mecanismos de adaptação podem transformar a experiência e fazer parte do próprio desenho.

As poltronas Bossa e Jazz, da DT3, exploram essa relação de maneiras diferentes. A Bossa combina reclinação de até 150 graus, base giratória e apoio para os pés independente. Já a Jazz conta com base giratória e apoio para os pés integrado à estrutura, que se eleva com a reclinação. Seu mecanismo sensível ao peso acompanha o usuário sem exigir ajustes manuais. Em interiores, soluções assim ampliam a ideia de conforto: importa como o ambiente se apresenta, funciona e é vivido.

Quando ergonomia e arquitetura começam a falar a mesma língua

A aproximação entre design e ergonomia revela uma mudança na maneira de pensar os espaços. Em artigo publicado por um jornal da Universidade de São Paulo, Vilma Villarouco e Ana Paula Lima Costa recuperam essa aproximação. As autoras observam que a relação entre ergonomia e arquitetura "vem sendo estudada há algumas décadas", enquanto metodologias ergonômicas passaram a ser utilizadas também na avaliação de ambientes construídos.

Para arquitetura e interiores, esse olhar transforma a especificação do mobiliário: além de combinar com o projeto, a peça precisa responder a perguntas como as seguintes: como será usada? Como interfere na circulação? O que acontece quando o ambiente muda de função? E como o corpo se relaciona com ela ao longo do tempo?

Quando estética, ergonomia e funcionalidade coexistem, o mobiliário deixa de ser apenas aquilo que preenche um espaço. Passa a fazer parte da maneira como ele é vivido.

Compartilhe

DINO Agência de Notícias Corporativas

Agência de notícias corporativas. Conteúdos publicados em rede de parceiros online. Na lista de parceiros estão grandes portais, como os casos do Terra, do Metrópoles e do iG. Agência Estado e Agência O Globo também fazem parte desse time, assim como mais de uma centena de sites e blogs espalhados país afora.

Fale com um especialista
Fale com um especialista