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Periodontite por 10 anos eleva risco de Alzheimer 1,7 vezes

Periodontite por 10 anos eleva risco de Alzheimer 1,7 vezes

Em Taiwan, quem conviveu com a doença na gengiva por dez anos ou mais teve risco cerca de 1,7 vez maior; revisões internacionais encontram associação também com demência em geral

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Poucos temas de saúde bucal ganharam tanto espaço nos últimos anos quanto a ligação entre a gengiva e o cérebro. As pesquisas avançam e ajudam a mostrar que cuidar da boca é também uma forma de cuidar do envelhecimento saudável.

O estudo mais citado foi feito em Taiwan, a partir dos registros do seguro-saúde nacional. Os pesquisadores compararam cerca de 9,3 mil pessoas com periodontite, a inflamação crônica da gengiva e dos tecidos que seguram os dentes, com cerca de 18,7 mil pessoas sem a doença. Todas tinham 50 anos ou mais.

O tempo de doença faz diferença

Entre quem tinha periodontite havia dez anos ou mais, o risco de desenvolver Alzheimer foi cerca de 1,7 vez maior. No grupo inteiro, sem separar pelo tempo de doença, o aumento não chegou a ser estatisticamente significativo. Ou seja, o sinal aparece com clareza justamente em quem conviveu por muitos anos com a inflamação na gengiva, o que reforça o valor de diagnosticar e tratar cedo.

E a demência em geral?

Para a demência de forma ampla, e não só o Alzheimer, há revisões que juntam vários estudos. Uma delas, publicada em 2022 na revista da Sociedade Americana de Geriatria, reuniu 13 pesquisas e encontrou risco cerca de 21% maior entre pessoas com pior saúde da gengiva. Uma análise de 2024 chegou a um número muito parecido, de 22%.

Os autores classificam essa evidência como ainda em construção e lembram que a relação também corre no sentido inverso: quem começa a ter perda de memória tende a escovar os dentes com menos cuidado, e isso favorece a periodontite. É mais um motivo para que idosos tenham acompanhamento odontológico regular, com a família envolvida no cuidado diário com a boca.

O que os cientistas investigam

A hipótese envolve uma bactéria ligada à periodontite, a Porphyromonas gingivalis. Ela produz enzimas chamadas gingipaínas, que podem ser tóxicas para as células nervosas e já foram encontradas em tecido cerebral. A ideia é que bactérias e inflamação crônica alcancem o cérebro.

A próxima pergunta da ciência é se tratar a gengiva pode mudar esse risco, algo que os estudos ainda não testaram. Enquanto isso, cuidar da saúde bucal segue valendo a pena em qualquer idade. Sangramento, retração da gengiva, mau hálito persistente e dentes que amolecem pedem avaliação de um cirurgião-dentista, que define o diagnóstico e a conduta caso a caso.

Dr. Fernando Costa Jr.

Cirurgião-dentista — CRO-SP 38692. Pioneiro no uso do laser Fotona na odontologia brasileira.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento por profissional habilitado.

REFERÊNCIAS

  1. Chen CK, Wu YT, Chang YC. Association between chronic periodontitis and the risk of Alzheimer’s disease: a retrospective, population-based, matched-cohort study. Alzheimers Res Ther. 2017;9:56. PMID 28784164.
  2. Asher S, Stephen R, Mäntylä P, Suominen AL, Solomon A. Periodontal health, cognitive decline, and dementia: A systematic review and meta-analysis of longitudinal studies. J Am Geriatr Soc. 2022;70(9):2695-2709. PMID 36073186.
  3. Dibello V, Custodero C, Cavalcanti R, et al. Impact of periodontal disease on cognitive disorders, dementia, and depression: a systematic review and meta-analysis. GeroScience. 2024;46(5):5133-5169. PMID 38943006.

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