ESPECIAIS

Grato à ESPN, João Palomino estrutura novos projetos

joão palomino - espn - capa
(Imagem: reprodução)

Jornalista que deixou o canal esportivo há dois meses fala de seu futuro profissional. À reportagem do Portal Comunique-se, João Palomino faz balanço do período em que atuou na ESPN. Na emissora, foi de apresentador a vice-presidente

Depois de 25 anos de trabalhos, João Palomino deixou a ESPN em agosto. Trabalhos (plural mesmo) porque, como brinca, “trocou de empregos” dentro da empresa. Da relação que começou em 1995 e transformou um apresentador e locutor esportivo em premiado gestor, com direito a troféu no Prêmio Comunique-se, o jornalista expõe não ter um “A” para criticar a emissora dedicada a quem é fã de esporte. “Tenho agradecimento enorme por ter tido a oportunidade de ter trabalhado num lugar como a ESPN durante tanto tempo”, comenta em contato com a reportagem do Portal Comunique-se.

Leia mais:

Natural de Fernandópolis (SP) e com raízes na pacata Taquaritinga, cidade do interior paulista com cerca de 60 mil habitantes, João Palomino entende que, juntamente com o vínculo com a ESPN, a sua fase como executivo de pessoas e negócios também chegou ao fim. Ou ao menos deu uma boa pausa. À espera de uma nova temporada, quem sabe. Depois de oito anos como diretor e vice-presidente da marca esportiva mantida pela Disney, ele revela a vontade de voltar de vez a atuar em redação. E nem precisa ser segmentada em assuntos esportivos. Palavra de quem foi repórter das editorias de cidades, economia e política antes de se tornar, oficialmente, um cronista esportivo.

Gestor premiado! Sem pensar em voltar a ocupar cargo de liderança, João Palomino já teve seu trabalho como líder reconhecido. Em 2013, ele foi o vencedor da categoria ‘Executivo de Veículo de Comunicação’ do Prêmio Comunique-se

João Palomino relembra, em conversa exclusiva com a reportagem do Portal Comunique-se, que, antes se dedicar exclusivamente à ESPN, passou por três emissoras de televisão: Manchete, SBT e TV Cultura. Por essa última, cobriu o acidente do Fokker 100 da TAM, que caiu segundos após decolar do Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, em 1996. Ao reportar o acidente que vitimou fatalmente 96 pessoas, decidiu, naquele momento, “mudar” de emprego dentro do jornalismo. Trocou de vez as ruas e reportagens pelos estúdios (apresentador) e estádios de futebol espalhados pelo mundo afora (narrador).

joão palomino - espn - entrevista - 2
João Palomino, comunicador multifacetado. (Imagem: Anderson Scardoelli)

Depois de 23 anos, pontua que está disposto a fazer o caminho inverso. Estuda — por que não? — deixar a crônica esportiva de lado para acompanhar outro assuntos. “Quero voltar para o jornalismo ou esportivo ou diário [geral]. Planejo que seja como apresentador, narrador, participante de uma mesa [de discussão], entrevistador. Isso é o que eu gostaria de voltar a fazer”, diz João Palomino. Bagagem não falta para quem iniciou a carreira trabalhando — e noticiando de tudo — em jornais e estações de rádio na região de Campinas (SP). Com essa experiência, ele tem interesse até em atuar na editoria de política. Tema que, conforme analisa, está “efervescente”. O assunto também está ligado aos trabalhos já desempenhados pelo comunicador, que já realizou entrevistas com personalidades do meio, como os ex-presidentes José Sarney, Fernando Henrique Cardoso e Dilma Rousseff.

Além das redações

Mas a sequência da trajetória profissional do ex-executivo da ESPN vai para além das redações. Ainda curtindo o descanso ao lado da esposa e dos quatro filhos, fala da possibilidade de realizar palestras Brasil afora. Além disso, pensa em estruturar cursos de media training. Nesse ponto, analisa que é algo que precisa ser tratado com mais carinho e atenção por muitas empresas. “Os gestores hoje têm muita dificuldade de passar a mensagem para dentro, para o público interno”, diz João Palomino. Para ele, antes de querer conversar com órgãos da imprensa, os líderes precisam aprender a dialogar de forma assertiva com seus próprios colaboradores. “Falta comunicação. Falta aproximação. Falta transparência por parte dos gestores para que os colaboradores se tornem cada vez mais participativos”, diz o profissional que nos tempos de ESPN chegou a realizar treinamentos internos nesse âmbito.

Outras duas frentes também “atraem” o olhar de João Palomino, que não abre mão de algo: conteúdo de qualidade. “Isso é o que baseou a minha carreira até o momento”, enfatiza. E ele estuda desempenhar trabalhos qualitativos em produtoras audiovisuais. Sem revelar os nomes das corporações, informa que há conversas para atuar como consultor de determinados projetos. Por fim, como registra que gosta de ajudar a formar profissionais, avisa que um retorno ao meio acadêmico também será devidamente analisado. Em sala de aula, o comunicador já foi professor do curso de rádio & TV da Faculdade Cásper Líbero, de São Paulo, de 1995 a 1997. E para ele, que sempre evitou — e ainda evita — entrar em polêmicas baratas, a “educação é tudo”. Inclusive, para ele mesmo. Afinal, enfatiza que está estudando e se aprimorando enquanto profissional. “Para o conhecimento não há limites”, finaliza.

SOBRE O AUTOR

avatar

Anderson Scardoelli

Orelhudo, observador e contador de histórias. Não necessariamente nessa ordem. De sua querida Estância Turística de Sapopemba, na zona leste de São Paulo, para o mundo. Graduado em jornalismo pela Uninove e com especialização em jornalismo digital pela ESPM, mas gosta mesmo de dizer que foi formado pelo Comunique-se. Trabalha na empresa há mais de 10 anos, indo de estagiário de pesquisa a editor sênior. No meio do caminho, foi estagiário de redação, trainee, subeditor, editor júnior e editor pleno. Gosta de escrever e de falar sobre (adivinhem?) jornalismo!

COMENTAR

COMENTAR