OPINIÃO

2 fatos sobre a repercussão do documento da CIA

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Os ditadores Ernesto Geisel e João Figueiredo (Imagem: arquivo/reprodução Carta Capital)

Em novo artigo para o Portal Comunique-se, Adalberto Piotto analisa como a relevação de documento da CIA sobre a ditadura foi tratada por jornalistas brasileiros

Dois fatos sobre a repercussão do documento da CIA acerca do governo Geisel que merecem atenção.

Um sobre parte do jornalismo brasileiro: basta um fato novo, independentemente se checada a veracidade deste, e automaticamente se transforma em prova inconteste se acaso atender à tese de vida do jornalista ativista em questão. Tomo o caso presente como exemplo, mas a esperteza e a prática são recorrentes.

O bom jornalismo requer parcimônia, checagem e uma boa dose de dúvida que normalmente revela interesses ocultos. Não foi o que fizeram muitos. A prova da CIA, não raro sempre de integridade questionada como agência acerca de assuntos da América Latina, é seletivamente apontada como inquestionável no momento.

Parem as rotativas!

O segundo aspecto é que a ditadura militar e seus crimes de Estado, admitidos inclusive pelo presidente Geisel, de amplo e irrestrito conhecimento e repúdio entre os democratas – retirem-se os revolucionários de ditaduras de esquerda porque usam do mesmo expediente violento quando chegam ao poder – não podem abrir espaço para novas e injustas críticas generalizadas às Forças Armadas.

Elas são parte essencial deste país, feitas de homens e mulheres brasileiros que, como militares, cumprem seu papel constitucional de serviços à nação. Serviços incomparáveis, inestimáveis, inexoráveis à vida nacional e insubstituíveis.

Há instituições competentes neste país para apurar os fatos e separar os eventuais personagens e momentos sob quaisquer que sejam as conclusões das análises do documento.

Com isso, evitar-se-ão retrocessos da sociedade e arroubos de teses de um e de outro lado neste “nós contra eles” indigente que se tornou tudo neste país.

Ps.: Jornalista que usa no texto as expressões “milico” e “milicada” para se referir aos militares começa mal e se desautoriza como mediador da informação. Vira militante panfletário.

SOBRE O AUTOR

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Adalberto Piotto

Jornalista formado pela Universidade Metodista de Piracicaba com especialização em economia pela Fipe-USP. Apresentador do ‘Cenário Econômico’, programa fruto da parceria da TV Brasil com a BM&FBOVESPA. É diretor e produtor do filme-documentário “Orgulho de Ser Brasileiro” (2013), de sua autoria, que disseca o estilo de ser do brasileiro com todas as suas nuances e oscilações de sentimento enquanto cidadão. De 1999 a 2011, foi âncora da CBN em São Paulo, onde começou como repórter. Em 2014, de julho até o início de dezembro, foi âncora do ‘Jornal da Manhã’, noticiário transmitido pela Jovem Pan. É palestrante nas áreas de economia, realidade social brasileira e jornalismo.

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