Pular para o conteúdo

Digite ao menos 2 caracteres para buscar.

Notícias Corporativas 4 min de leitura

EUA atraem profissionais brasileiros de tecnologia

Felipe Telles Veloso de Araujo, especialista em tecnologia com atuação nos Estados Unidos, afirma que brasileiros que trabalham no mercado norte-americano possibilitam uma troca de conhecimentos e habilidades entre os países

EUA atraem profissionais brasileiros de tecnologia

Os Estados Unidos são o principal destino de empresários, executivos e investidores brasileiros de tecnologia que decidem construir negócios e carreiras no exterior. Foi o que constatou o estudo Brazil Tech Diaspora, da Endeavor: 59,2% da base de 397 profissionais analisados vivem no país norte-americano. O percentual coloca os Estados Unidos na liderança absoluta, bastante à frente do segundo colocado, o Reino Unido (7,3%).

Brasileiros que empreendem nos Estados Unidos acabam se tornando pontes naturais. Isso porque trazem, para o mercado norte-americano, a capacidade de execução e a criatividade que se desenvolve em ambientes mais desafiadores. A afirmação é de Felipe Telles Veloso de Araujo, especialista em arquitetura de software, inteligência artificial (agentes de IA e automação) e desenvolvimento de produtos digitais com atuação nos Estados Unidos.

Ao mesmo tempo, os profissionais absorvem práticas de escala, governança, padronização e acesso a capital, e levam isso de volta para o ecossistema brasileiro via parcerias, mentorias e times distribuídos, acrescenta Telles.

"No Brasil, nós aprendemos muito cedo a construir com eficiência: poucos recursos, prazos curtos e necessidade de entregar algo que funcione em escala real. Em projetos com alta criticidade — como plataformas com picos de tráfego e integrações complexas — o mercado norte-americano tende a valorizar processos que reduzam riscos. Na prática, a adaptação é sair do ‘entrega rápido’ para ‘entrega rápido, mas com confiabilidade e rastreabilidade’", explica Telles, que é especializado em gestão de sistemas de produção em alta escala e liderança técnica.

Em um cenário corporativo cada vez mais orientado por dados, medir sucesso exclusivamente por indicadores de produtividade já não é suficiente para refletir a real performance de uma organização. Especialistas como Telles defendem a ampliação desse olhar para métricas que contemplem qualidade — traduzida na redução de retrabalho, falhas e incidentes —, confiabilidade, observada na estabilidade operacional e na alta disponibilidade de sistemas e serviços, além da capacidade de inovação.

Automação

Outro ponto destacado por Telles é a importância da automação no mercado de tecnologia. Em sua análise, essa funcionalidade tende a impactar tarefas operacionais de desenvolvimento (geração de código simples, testes básicos, documentação inicial), mas o diferencial vai continuar sendo a capacidade de arquitetar sistemas, integrar com sistemas de legados, garantir segurança e governança. 

Nesse contexto, as competências estratégicas exigidas pelo mercado passam a ser pensamento sistêmico, arquitetura de software, engenharia de dados, segurança, capacidade de definir métricas de sucesso e, principalmente, habilidade de orquestrar sistemas inteligentes com supervisão humana, diz Telles. "O profissional que cresce é o que sabe orquestrar automação com governança, isto é, métricas, segurança, qualidade e integração com sistemas reais", resume ele.

Em um exemplo hipotético, uma varejista implementa automação para conciliar vendas e estoques em tempo real, apoiada por uma arquitetura de sistemas integrada entre lojas físicas, e-commerce e ERP (sistema de gestão empresarial), tudo sob uma governança clara de dados e acessos. Na prática, isso traz menos erros manuais, decisões mais rápidas sobre reposição de produtos e regras bem definidas sobre quem pode alterar preços, cadastros e relatórios.

O especialista afasta a ideia de que a automação sirva como uma substituição pura da mão de obra humana. Na sua visão, a tecnologia deve ser utilizada como "alavanca" para liberar pessoas de tarefas mecânicas e colocá-las em design de soluções, relacionamento com clientes, decisões de produto, criatividade e liderança. 

"Em times que liderei, o que funciona é estabelecer limites claros: quais decisões podem ser automatizadas, quais exigem validação humana, e quais ficam 100% sob responsabilidade do time. Quando existe transparência, e quando as pessoas são treinadas para trabalhar com ferramentas inteligentes, a automação vira um fator de valorização, não de precarização", pontua Telles.

Se o Brasil aproveitar a combinação de talento técnico e experiência prática, pode exportar ainda mais soluções e times de alto nível para o mundo, acredita o especialista. 

"Mas a virada competitiva depende de maturidade: não basta adotar IA, é preciso construir com governança, segurança e qualidade. Profissionais brasileiros que atuam em mercados como o norte-americano podem acelerar essa maturidade, trazendo padrões e ajudando o ecossistema a produzir tecnologia ‘production-grade’, não só protótipos. Isso aumenta a reputação e gera um ciclo de investimento e inovação", pondera Telles.

Quem é Felipe Telles Veloso de Araujo?

Formado em Ciência da Computação com honras acadêmicas pela Southern New Hampshire University (nos Estados Unidos), Telles co-fundou sua primeira startup, a Meaple, com apenas 17 anos. Desde então, esteve envolvido na criação de seis empresas de tecnologia e liderou equipes de até 25 pessoas.

Em 2022, atuou no desenvolvimento de arquiteturas multi-agente de inteligência artificial. Hoje, lidera a Ego Eimi LLC, um estúdio digital sediado na Flórida, e também está desenvolvendo a TaskMorph e Traiple, startups americanas de automação por IA com tecnologia proprietária.

LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/fe-telles/

Fontes

  1. 01

Versão original desta matéria no portal atual: ler no site antigo.

Assuntos

  • empreendedorismo
  • negócios
  • startups
  • tecnologia
Compartilhar

Continue lendo

Leia também

Leia também
  • ASC leva organização do atendimento digital ao CONAREC 2026

    A companhia brasileira de tecnologia conversacional participa da 24ª edição do congresso de experiência do cliente, em São Paulo, para mostrar como conectar canais, equipes, automação e inteligência artificial em uma mesma operação, ajudando empresas e BPOs a tornarem estruturas em crescimento mais organizadas, eficientes e escaláveis

    4 min de leitura Assunto em comum: empreendedorismo
  • Almah lança nova IA para administradoras de condomínios

    A Almah, empresa especializada em soluções para administradoras de condomínios, anuncia o lançamento da Mah, uma nova forma de trabalhar com inteligência artificial integrada à plataforma Almah e desenvolvida para executar tarefas da rotina administrativa e financeira das administradoras de condomínios. A Mah executa diversas tarefas do dia a dia diretamente na plataforma por comandos de texto ou voz, em uma única tela de conversa.

    2 min de leitura Assunto em comum: empreendedorismo
  • IMOBMEET lança régua de cobrança para loteadoras

    Funcionalidade permite que empresas de loteamento programem avisos automáticos por WhatsApp e e-mail a partir do vencimento de cada parcela, em um segmento que financia os próprios compradores e administra contratos que chegam a 420 meses, segundo levantamento setorial. A conciliação bancária interrompe a sequência de mensagens assim que o pagamento é identificado.

    5 min de leitura Assunto em comum: empreendedorismo

Time comercial

Fale com um especialista

Duas etapas rápidas: seus dados de contato e, depois, um pouco sobre a sua empresa.

  1. 01 Seus dados
  2. 02 Sua empresa

Seus dados são tratados conforme a Política de Privacidade.

Personalize o que você vê

Escolha suas editorias

A home passa a abrir com um bloco Para você, e as editorias escolhidas sobem para o topo da página. A escolha fica salva só neste navegador — não pedimos cadastro e nada é enviado para nossos servidores.

Editorias de interesse

Nenhuma selecionada