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Burnout afeta mais mulheres e expõe sobrecarga invisível

Burnout atinge mais mulheres por conta da sobrecarga de trabalho e da desigualdade na divisão de tarefas domésticas. Especialista comenta os impactos e alerta para a urgência de mudanças no mundo corporativo

Burnout afeta mais mulheres e expõe sobrecarga invisível

O burnout, distúrbio ligado ao esgotamento físico e emocional causado pelo trabalho, afeta homens e mulheres. No entanto, pesquisas indicam que a prevalência do problema é significativamente maior entre as profissionais. A sobrecarga de funções, a dificuldade em conciliar responsabilidades pessoais e profissionais e a desigualdade de gênero estão entre os principais fatores.

Para Polyana Macedo, gerente executiva de RPO no ManpowerGroup Brasil, essa diferença é reflexo de um desequilíbrio estrutural. “As mulheres acumulam múltiplos papéis e, mesmo com avanços na participação no mercado de trabalho, ainda carregam expectativas ligadas ao cuidado e à performance. Isso gera uma pressão constante, que não dá espaço para descanso real”, afirma.

Há de se levar em consideração também a jornada dupla ou tripla enfrentada por milhões de brasileiras. Segundo a última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), quase 92% das mulheres economicamente ativas também realizam tarefas domésticas, enquanto entre os homens esse índice é de 79,2%.

A distinção também se reflete na forma como as profissionais vivenciam o ambiente corporativo. A mesma pesquisa da McKinsey revela que mulheres sentem menos apoio de suas lideranças quando relatam estresse ou sinais de esgotamento. “Mesmo quando há políticas de saúde mental nas empresas, elas nem sempre consideram os desafios específicos enfrentados pelas mulheres”, aponta Polyana.

A gerente ainda destaca que, apesar de avanços na discussão sobre saúde mental, há outras barreiras importantes. “O burnout não é só uma questão de excesso de trabalho, mas de falta de reconhecimento, apoio e equilíbrio. A cultura empresarial precisa evoluir para considerar as particularidades das jornadas femininas. Flexibilidade, escuta ativa e políticas que acolham a maternidade são passos fundamentais”, diz.

Outro ponto importante, segundo Polyana Macedo, é o estigma em torno do burnout, que dificulta que mulheres busquem ajuda. “Muitas evitam falar sobre os próprios limites por medo de serem vistas como fracas ou pouco comprometidas. Isso alimenta um ciclo de autocobrança e exaustão que pode durar meses antes de receber o cuidado necessário”.

Para Polyana, a solução passa por uma atuação conjunta entre empresas, sociedade e políticas públicas. “É essencial que as organizações assumam um papel ativo na promoção do bem-estar. Isso significa revisar jornadas, respeitar limites e, acima de tudo, criar culturas onde o equilíbrio entre vida pessoal e profissional seja valorizado, não somente tolerado”.

No contexto do Mês das Mães, ela afirma que a reflexão se torna ainda mais urgente. “A romantização da maternidade, muitas vezes celebrada em campanhas e homenagens, contrasta com a realidade de sobrecarga e a falta de apoio enfrentada por milhões de mulheres. Entender esse paradoxo e promover mudanças estruturais é um passo importante para reduzir os casos de burnout e garantir um ambiente de trabalho mais saudável”.

Fontes

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