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Cresce DMRI entre idosos e impacta qualidade de vida

Degeneração macular relacionada à idade (DMRI) cresce com o envelhecimento populacional e exige diagnóstico precoce

Cresce DMRI entre idosos e impacta qualidade de vida

A degeneração macular relacionada à idade (DMRI) representa uma das principais causas de perda visual irreversível em pessoas acima de 60 anos em todo o mundo. Segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS), aproximadamente 30 milhões de pessoas em todo o mundo vivem com DMRI. No Brasil, supõe-se que quase 3 milhões sejam afetadas, embora muitos casos não sejam diagnosticados. Dados da Sociedade Brasileira de Oftalmologia indicam que 10% da população entre 65 e 74 anos e 25% daqueles com mais de 75 anos sofrem com a DMRI, sendo 80% dos casos do tipo seco.

A DMRI é uma enfermidade progressiva que afeta a mácula, região central da retina responsável pela visão de detalhes finos, como leitura, escrita e reconhecimento de rostos. O avanço da condição pode levar à perda significativa da visão central, enquanto a visão periférica tende a ser preservada. “Trata-se de uma condição crônica que, se não for diagnosticada e tratada precocemente, pode comprometer severamente a qualidade de vida”, explica a Dra. Geraldine Ragot de Melo, médica oftalmologista e retinóloga, especialista em doenças da retina.

A doença se apresenta em duas formas principais: a seca (ou atrófica), mais comum e de progressão lenta, e a úmida (ou exsudativa), menos frequente, mas mais agressiva. Segundo publicação da American Academy of Ophthalmology, embora a DMRI seca represente cerca de 80% dos casos, a forma úmida é responsável por até 90% dos casos de perda visual severa relacionada à doença. A identificação precoce das alterações é essencial para evitar esse desfecho.

Entre os tratamentos disponíveis, a forma seca ainda não conta com cura definitiva, mas pode ser monitorada com suplementação vitaminica e mudanças de estilo de vida. Já a forma úmida é tratada com injeções intraoculares de medicamentos antiangiogênicos, que bloqueiam o crescimento anormal de vasos sanguíneos sob a retina. Conforme revisão publicada no Journal of Clinical Medicine, a terapia anti-VEGF é hoje considerada o padrão ouro para a DMRI exsudativa, com potencial de estabilizar ou melhorar a visão em grande parte dos pacientes.

A retinóloga enfatiza a importância dos exames de rotina em indivíduos a partir dos 50 anos, mesmo na ausência de sintomas. Exames como mapeamento de retina, tomografia de coerência ótica (OCT) e retinografia são fundamentais para detectar alterações iniciais da mácula, que muitas vezes passam despercebidas no exame clínico. “Quanto mais cedo identificamos sinais de comprometimento macular, maior a chance de preservar a visão com tratamentos apropriados”, acrescenta a Dra. Geraldine.

O retinólogo tem papel central na abordagem da DMRI. “O acompanhamento regular com um especialista em retina permite não apenas preservar a visão, mas também orientar o paciente sobre medidas preventivas e cuidados contínuos. Envelhecer com visão de qualidade é possível, desde que haja atenção à saúde ocular e acesso ao especialista certo no momento certo”, conclui a retinóloga.

Fontes

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