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Notícias Corporativas 4 min de leitura

Cardiopatia congênita: Brasil tem 28 mil novos casos ao ano

Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo afirma aumento dos números, dado mapeamento mais assertivo em diagnósticos e tratamentos proporcionados pela tecnologia. Dra. Marcela Devido, cardiologista, esclarece os principais sintomas das condições mais frequentes

Cardiopatia congênita: Brasil tem 28 mil novos casos ao ano

Cerca de 28 mil novos casos de cardiopatia congênita são registrados no Brasil por ano, segundo a Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (SOCESP). De acordo com a entidade, os números estão em uma crescente, devido aos avanços tecnológicos tanto nos diagnósticos como nos tratamentos, especialmente em procedimentos intervencionistas.

Em edição da publicação da Revista da SOCESP, exclusivamente dedicada à cardiopatia congênita no adulto, a entidade destaca que pacientes nesta condição podem apresentar complicações como arritmias, insuficiência cardíaca, hipertensão pulmonar e outras alterações e que, em alguns casos, podem exigir abordagens intervencionistas adicionais, como o transplante cardíaco.

Dra. Marcela Devido, médica cardiologista especialista em Cardiopatias Congênitas do Adulto, explica que a cardiopatia congênita é uma malformação do coração, resultante do desenvolvimento anormal entre a terceira e a sexta semana de gravidez, e afirma que os dados apontam para uma população significativa que carece de cuidados especializados.

“Em países desenvolvidos, mais de 90% das crianças nascidas com cardiopatias congênitas chegam à idade adulta e essa certamente também é a tendência no Brasil. Essa população é ativa, estuda, forma família e envelhece, mas seu coração exigirá cuidados especiais por toda a vida”, conta a médica.

Uma publicação da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) afirma que 80% das pessoas com doença cardíaca congênita necessitam de cirurgia cardíaca, e metade desse total no primeiro ano de vida. Um artigo publicado na Revista da SOCESP indica que de 20 a 30% dos nascidos vivos com cardiopatia cardíaca são com defeitos estruturais graves.

“Quanto mais precoce o diagnóstico, maiores as chances de conseguir um cuidado adequado e chegar à idade adulta. Por outro lado, temos um grande avanço nas técnicas cirúrgicas. Quando bem cuidados, a maioria desses pacientes tem uma vida praticamente normal, mesmo quando a cirurgia não for uma possibilidade”, pontua a especialista.

Dra. Marcela Devido esclarece que a evolução do diagnóstico e tratamento tem impactado positivamente a longevidade e a qualidade de vida de adultos com cardiopatia congênita . “Felizmente, há um maior acesso, não só ao exame de ultrassom obstétrico morfológico, mas principalmente ao ecocardiograma fetal – exame essencial para a detecção de cardiopatia congênita pois se trata basicamente de um ecocardiograma do coração do feto”.

Cardiopatias congênitas em adultos

A cardiologista pontua que em alguns casos as cardiopatias congênitas não tratadas na infância serão diagnosticadas a partir de sintomas apresentados na idade adulta, como cansaço ou arritmia. Segundo ela, a insuficiência cardíaca é a complicação mais temida, mas as arritmias e a hipertensão pulmonar também são problemas que frequentemente passam a infância sem diagnóstico.

“Infelizmente o diagnóstico tardio, por vezes, impede uma correção cirúrgica que poderia ter evitado uma deterioração cardíaca, mas também existem casos em que o problema passou sem diagnóstico justamente porque é pequeno ou de pouca repercussão”, afirma.

Segundo a Dra. Marcela Devido, as cardiopatias congênitas mais comumente diagnosticadas nos adultos são valva aórtica bicúspide, Comunicação Interatrial (CIA) e Comunicação Interventricular (CIV). Já as cardiopatias complexas, como a anomalia de Ebstein ou Transposição congenitamente Corrigida das Grandes Artérias (TCGA), às vezes são diagnosticadas por acaso, em ecocardiogramas de rotina.

A médica ressalta que o Forâmen Oval Patente (FOP) é uma das condições mais comuns e, apesar de não ser exatamente uma cardiopatia congênita e sim de uma variação da normalidade, em alguns poucos casos pode ser responsável por Acidentes Vasculares Cerebrais (AVCs) ou Acidentes Isquêmicos Transitórios (AITs) em jovens.

A especialista reforça que, atualmente, as técnicas cirúrgicas foram aperfeiçoadas e a gama de medicações disponíveis é mais ampla. 

“Em comparação às últimas décadas, tudo mudou, desde o diagnóstico até o tratamento. A cardiologia como um todo hoje certamente é muito diferente de dez anos atrás, e posso afirmar categoricamente que a cardiopatia congênita foi uma das áreas que mais avançou nos últimos anos”, enfatiza Dra. Marcela Devido.

De acordo com a cardiologista, um adulto deve procurar orientação médica quando observar sinais como dor no peito, pressão alta, falta de ar, palpitações, diminuição das capacidades físicas ao longo do tempo, níveis alterados de colesterol e quando se tem antecedentes familiares de problemas cardíacos.

Abordagem integrada de saúde

Para a especialista, o número de profissionais médicos aptos a lidarem com essa população no Brasil é baixo. Segundo ela, poucos cardiologistas e cardiopediatras se interessam por uma formação especializada, assim como poucas residências de cardiologia proporcionam contato com esse grupo, e raros centros formadores oferecem essa subespecialização.

Ao identificar e observar este cenário, Dra. Marcela Devido estruturou, junto com outras duas colegas, um curso de atualização em “Cardiopatias Congênitas do Adulto”, em parceria com a comissão de ensino do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (InCor-HCFMUSP), onde também fez sua formação.

Para saber mais sobre a formação, basta acessar: https://dramarceladevido.com.br/home

Fontes

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Versão original desta matéria no portal atual: ler no site antigo.

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  • SAÚDE E BEM-ESTAR
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