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Projeto une arte e emoção para estimular autoria na escola

Projeto une arte e emoção para estimular autoria na escola

Projeto Vernissage, do Elite Rede de Ensino, une literatura, criatividade e reflexão sobre inteligência artificial para fortalecer imaginação, sensibilidade e protagonismo estudantil

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A crescente presença de modelos prontos, tutoriais e conteúdos digitais no cotidiano das crianças tem reduzido os espaços para a criação espontânea e autoral. Em um tempo em que a inteligência artificial produz desenhos em segundos e o excesso de estímulos disputa a atenção dos estudantes desde cedo, escolas têm buscado caminhos para fortalecer aquilo que nenhuma tecnologia automatiza completamente: imaginação, sensibilidade, autoria e expressão humana.

Estudos da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OECD) apontam que habilidades socioemocionais, como criatividade, curiosidade, cooperação, empatia e capacidade de comunicação, estão diretamente relacionadas ao desempenho acadêmico, ao bem-estar e à construção de relações mais saudáveis ao longo da vida. É nesse cenário que o projeto Vernissage, desenvolvido pelo Elite Rede de Ensino, transforma corredores e salas de aula em espaços de criação artística, reflexão emocional e construção de repertório cultural. Neste ano, a iniciativa mobiliza cerca de 30 mil alunos, em uma programação que envolve diferentes faixas etárias e múltiplas formas de expressão artística.

Com o tema "A Cor da Alma na Era Digital", o projeto deste ano propõe uma reflexão acessível sobre o que diferencia a criação humana da produção automatizada. A discussão, porém, começa muito antes da tecnologia. Nas turmas menores, as crianças trabalham sentimentos, imaginação e expressão por meio de histórias clássicas, cores, personagens e produções artísticas autorais. Já os alunos mais velhos ampliam o debate para identidade, ética, memória, cultura e autoria em tempos digitais.

A expectativa da escola é que cerca de 2 mil pessoas acompanhem a edição deste ano da Vernissage, reforçando o evento como um espaço de encontro entre escola, estudantes e famílias em torno da arte e da formação humana.

Segundo Glaucia Sobral, coordenadora de segmento do Elite, a proposta parte de uma pergunta central: o que existe de humano naquilo que criamos? A partir dessa reflexão, os estudantes são convidados a transformar vivências, emoções e percepções em linguagem artística. "Com o princípio de ‘arte bonita é arte do meu jeito’, o projeto busca valorizar o processo criativo acima da estética perfeita ou da comparação entre produções, incentivando cada aluno a construir uma produção autoral a partir de suas referências, emoções e experiências", afirma.

A proposta acompanha uma preocupação crescente entre educadores: como estimular a criatividade em uma geração acostumada a consumir imagens prontas em velocidade contínua? Pesquisas da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) evidenciam que experiências artísticas estimulam a construção de narrativas próprias, fortalecem a expressão emocional e ampliam a percepção crítica das crianças sobre o mundo ao redor. "Enquanto o ambiente digital oferece imagens prontas em sequência contínua, o processo artístico exige pausa, interpretação e construção de sentido. Ao observar obras, escolher materiais, explicar decisões e desenvolver uma produção própria, os alunos exercitam a capacidade de imaginar, sentir e comunicar ideias com intencionalidade", completa Glaucia.

Ao longo dos anos escolares, o desenvolvimento artístico também se conecta a competências cognitivas e socioemocionais. Entre as habilidades trabalhadas estão coordenação motora, oralidade, interpretação, comunicação, criatividade, concentração, cooperação, pensamento crítico e repertório cultural.

Os impactos costumam ser percebidos também fora da sala de aula. Segundo Glaucia, muitos alunos demonstram avanços na autoestima, na comunicação e na segurança para expor opiniões e sentimentos. "Ao verem suas produções reconhecidas pela escola e pelas famílias, passam a compreender que suas ideias têm valor", conclui.

As famílias, inclusive, estão entre as mais impactadas pela experiência. Durante as exposições e oficinas promovidas pelo projeto, responsáveis acompanham o percurso criativo dos estudantes e descobrem, muitas vezes com surpresa, a profundidade emocional e simbólica presente nas produções infantis.

Em uma era marcada pela velocidade das imagens e pela inteligência artificial, o Vernissage aposta justamente no que leva mais tempo: escutar, imaginar, criar e deixar uma marca própria no mundo.

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