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El Niño provoca uma série de impactos climáticos

El Niño provoca uma série de impactos climáticos

Enquanto algumas regiões podem enfrentar secas severas, outras podem experimentar chuvas excessivas.

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O Instituto Internacional de Pesquisa para Clima e Sociedade (IRI), a Universidade de Columbia e a NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration) apontam alta probabilidade de formação de um El Niño de forte intensidade no segundo semestre de 2026. O fenômeno, caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial, altera padrões de ventos e de pressão atmosférica em escala global.

O aquecimento das águas do Pacífico modifica a distribuição de chuvas e temperaturas, podendo provocar chuvas intensas, enchentes, deslizamentos e períodos de seca prolongada. No Brasil, os impactos variam conforme a região: áreas urbanas podem enfrentar alagamentos e danos à infraestrutura, enquanto áreas rurais podem sofrer com a escassez ou o excesso de água, afetando solo, abastecimento hídrico e produção agrícola.

O fenômeno recebeu o nome "El Niño" ("O Menino", em espanhol) de pescadores peruanos no século XIX, que observaram a redução drástica da captura de peixes ao redor do Natal, quando as águas quentes atingiam o seu ápice.

Segundo o professor Carlos Raupp, do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (IAG‑USP) e conselheiro da Câmara Especializada de Agronomia (CEA) do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de São Paulo (Crea‑SP), "nas áreas urbanas, fenômenos climáticos severos podem provocar alagamentos, deslizamentos, enxurradas e danos à infraestrutura. Já nas áreas rurais, períodos prolongados de chuva ou seca podem comprometer o solo, o abastecimento hídrico e a produção agrícola".

Vininha F. Carvalho, economista e editora da Revista Ecotour News & Negócios, destaca que "os efeitos do El Niño não ocorrem de forma uniforme no Brasil. Enquanto o Sul costuma registrar chuvas acima da média, regiões como Norte, Nordeste, Sudeste e Centro‑Oeste podem enfrentar períodos de estiagem ou redução das precipitações, afetando diretamente as principais bacias que sustentam o sistema elétrico nacional".

Diante da possibilidade de um El Niño de grande magnitude, especialistas alertam para a necessidade de fortalecer estratégias de adaptação que garantam a manutenção dos recursos hídricos, a produção agrícola e a infraestrutura. O monitoramento antecipado é considerado essencial para a previsão de eventos climáticos extremos, permitindo um planejamento mais eficaz e a adoção de planos de contingência.

"À medida que o Brasil terá que enfrentar os desafios impostos pela transição dos padrões climáticos, é muito importante que a sociedade adote uma postura proativa para mitigar esses impactos", conclui Carvalho. O acompanhamento contínuo dos indicadores climáticos e a implementação de medidas de resiliência são apontados como caminhos para reduzir os riscos associados ao El Niño.

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