Portal Comunique-se

El Niño reforça um alerta para a saúde e o setor produtivo

El Niño reforça um alerta para a saúde e o setor produtivo

Intensificação do fenômeno ao longo do segundo semestre ira repercutir na agricultura, na geração de energia e na saúde da população.

Compartilhe

Caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do oceano Pacífico equatorial, o El Niño altera a circulação atmosférica e pode modificar os regimes de chuva e temperatura em diferentes partes do mundo. A Organização Meteorológica Mundial (OMM) emitiu um alerta informando a previsão de um fenômeno El Niño de intensidade moderada ou possivelmente forte a partir de julho de 2026.

Segundo dados da Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), há uma probabilidade de 81% de o evento se manifestar com forte intensidade entre outubro e dezembro, atingindo o Brasil com anomalias térmicas e pluviométricas históricas.

No Brasil, seus efeitos não ocorrem de maneira uniforme: enquanto a região Sul costuma enfrentar volumes elevados de precipitação e maior risco de enchentes, áreas do Norte e do Nordeste podem registrar estiagens, calor intenso e condições mais favoráveis aos incêndios florestais.

"Alterações nos regimes de chuva, períodos mais prolongados de estiagem e eventos climáticos intensos colocam em xeque a capacidade de resposta da infraestrutura urbana e das operações produtivas. Preparar cidades e indústrias para os desafios climáticos significa investir em infraestrutura, inovação e planejamento", enfatiza Vininha F. Carvalho, ambientalista, economista e editora da Revista Ecotour News & Negócios.

O El Niño pode redesenhar o panorama econômico e produtivo do agronegócio nacional. O engenheiro-agrônomo Marcelo Henrique Savoldi Picoli, pós-doutor em Fitopatologia de Plantas pela Universidade do Estado de Iowa (EUA) e coordenador do curso de Agronomia do Centro Universitário Integrado, explica que a anomalia climática opera em extremos geográficos opostos.

"Na Região Sul, o excesso de precipitação pode inviabilizar o manejo de maquinários, prejudicar culturas de inverno (como o trigo), atrasar a semeadura de verão e favorecer doenças causadas por fungos e bactérias. Já no Norte, Nordeste e em faixas do Centro-Oeste e Sudeste, longas estiagens ("veranicos") podem penalizar as culturas de sequeiro", salienta o engenheiro-agrônomo.

Para o setor elétrico, o El Ni ño é um alerta para possíveis apagões e comprometimento da rede elétrica causados pela queda de árvores. Soluções para lidar com a situação utilizando IA estão sendo desenvolvidas e cada vez mais adotadas, visando tornar as cidades mais inteligentes e capazes de responder aos eventos climáticos.

Nesse cenário de mudanças climáticas, ganha ainda mais relevância a discussão sobre mecanismos de preservação da saúde. O médico Luiz Fernando Machado, professor do curso de Medicina do Centro Universitário Integrado de Campo Mourão (PR), explica que o organismo humano é homeotérmico e opera de forma estável em uma média que varia entre 36,6 °C e 37 °C. Mas, quando o ambiente atinge picos de calor excessivo, o corpo passa a sofrer um intenso estresse térmico para manter esse equilíbrio, gerando riscos severos que podem ameaçar a vida.

"As populações mais vulneráveis são os idosos, crianças pequenas, gestantes, pessoas com doenças crônicas, como hipertensão, diabetes, doenças cardíacas e respiratórias", pontua Renata Caramez, coordenadora acadêmica de Saúde na UniFacens.

No setor farmacêutico, além dos impactos sobre a logística, cresce a preocupação com a preservação de medicamentos termolábeis, como vacinas, insulinas e medicamentos biológicos, que precisam ser transportados e armazenados sob temperatura controlada, geralmente entre 2 °C e 8 °C, para manter sua eficácia e segurança.

A farmacêutica e diretora técnica do Grupo Polar, Liana Montemor, explica que, quando as temperaturas externas são mais elevadas, aumenta a carga sobre refrigeradores, câmaras frias e veículos refrigerados, exigindo maior capacidade dos equipamentos para manter a faixa recomendada de temperatura. Outro ponto refere-se ao maior consumo de energia e ao risco de falhas.

"De acordo com projeções da Fiocruz, o governo estima que o número de casos de dengue deve chegar a 1,7 milhão nos próximos meses, a partir das previsões do El Niño. Recentemente, o Ministério da Saúde divulgou um alerta para o risco de alta de arboviroses com o avanço do fenômeno climático", finaliza Vininha F. Carvalho.

Compartilhe

DINO Agência de Notícias Corporativas

Agência de notícias corporativas. Conteúdos publicados em rede de parceiros online. Na lista de parceiros estão grandes portais, como os casos do Terra, do Metrópoles e do iG. Agência Estado e Agência O Globo também fazem parte desse time, assim como mais de uma centena de sites e blogs espalhados país afora.

Fale com um especialista
Fale com um especialista