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Notícias Corporativas 5 min de leitura

Seguradoras de carros elevam padrão e pressionam oficinas

Aftermarket brasileiro fatura R$ 256,7 bi e frotas corporativas crescem. O diretor de operações da Oficina Garagem 659 Customs, Diego Pieri da Cruz Gragnanello Silva, comenta sobre o processo de certificação das oficinas para definir o maior acesso aos contratos de maior volume

Seguradoras de carros elevam padrão e pressionam oficinas

O Sindirepa Brasil realizou em maio de 2026 reuniões com cinco das maiores seguradoras do país, entre elas Bradesco Seguros, Allianz, Zurich, Porto Seguro e Tokio Marine, para tratar de padronização de contratos, atualização dos valores de mão de obra, revisão de serviços terceirizados e ampliação da certificação IQA de oficinas. A pauta central das negociações é garantir previsibilidade e reconhecimento técnico ao trabalho das oficinas credenciadas, em um setor que registra expansão contínua de demanda. O mercado segurador brasileiro faturou R$ 223,6 bilhões em 2025, com o seguro automóvel acumulando R$ 24,01 bilhões até maio do mesmo ano, crescimento de 5,89% em relação ao período anterior, segundo dados da Superintendência de Seguros Privados (Susep).

O movimento das seguradoras se insere em um mercado em expansão estrutural. Em 2024, a indústria de autopeças brasileira faturou R$ 256,7 bilhões, com projeção de alta de 5% para 2025, e a média mensal de veículos atendidos por oficina saltou de 80 em 2020 para 123 em 2024, crescimento de 52,5%. O setor conta com mais de 74.600 oficinas em operação e quase 300 mil profissionais ativos. Paralelamente, 73,7% das frotas corporativas no Brasil já são terceirizadas, com o mercado de terceirização e assinatura de veículos crescendo mais de 20% em 2024, segundo o Anuário de Gestores de Frotas do CGFM-SP.

Para Diego Pieri da Cruz Gragnanello Silva, fundador e diretor de operações da Oficina Garagem 659 Customs, em Atibaia (SP), a agenda das seguradoras com as oficinas representa uma mudança estrutural no critério de credenciamento. O especialista observa que o eixo das negociações deixou de ser exclusivamente preço. "A pauta das seguradoras com as oficinas mudou. Antes era só preço de mão de obra. Hoje envolve certificação, rastreabilidade do reparo e padrão de entrega. Quem não acompanhou esse movimento perdeu espaço nos credenciamentos", afirma.

Levantamento do Sindirepa Brasil sobre gestão financeira de oficinas, publicado em maio de 2026, aponta que a maioria das operações confunde faturamento com lucro, comprometendo a saúde financeira do negócio, mesmo em fases de crescimento de receita. Silva avalia que o controle de processo é a base que sustenta qualquer expansão consistente. "Muita oficina fatura bem e não lucra porque não separa o que entra do que sai. Controle financeiro não é contador, é saber, todo dia, quanto cada serviço custou e quanto sobrou. Sem isso, crescimento vira dívida", ressalta.

A Fenacor projeta crescimento de 18% no segmento de seguro auto e aponta que a expansão vem acompanhada de elevação das exigências técnicas às oficinas credenciadas, com digitalização das apólices e maior controle sobre qualidade e agilidade no reparo. Silva descreve o perfil que as seguradoras passaram a exigir das oficinas parceiras. "Seguradora não quer só oficina barata. Quer oficina que entrega no prazo, com registro do antes e do depois, sem retorno de garantia? Quem atende esse padrão tem contrato. Quem não atende fica na fila de espera", analisa.

A carteira de clientes corporativos da Garagem 659 inclui seguradoras como Porto Seguro, Azul Seguros e Itaú Seguros, e locadoras como Localiza, Movida, Hertz e Unidas, com produção média de 50 veículos por mês e crescimento operacional superior a 500% desde a fundação da empresa. Silva aponta que atender esse perfil de cliente em escala exige padronização de processo acima de qualquer diferencial técnico individual. "Atender seguradoras e locadoras em larga escala exige padronização de processo, não dá para depender de técnico que faz diferente a cada serviço. Foi isso que estruturamos aqui, e é o que falta em boa parte do mercado de reparação", destaca.

A Garagem 659 percorreu um caminho de expansão que ilustra essas fases descritas pelo setor. Fundada como operação de detailing e lavagem, a empresa foi reestruturada para atender frotas corporativas em larga escala, chegando a gerenciar mais de 1.000 veículos simultaneamente, antes de migrar para o segmento de restauração e customização de alto padrão. Levantamento do portal Workmotor, publicado em fevereiro de 2026, mapeia exatamente esse caminho de crescimento por fases, da operação inicial até a consolidação de parcerias com seguradoras e frotistas. Silva descreve a transição como resultado de escolhas operacionais deliberadas. "Saímos de uma operação de lavagem e polimento para uma empresa que atende mais de 1.000 veículos de frota simultaneamente. Essa transição não foi sorte, foi processo, controle e decisão de não aceitar qualquer serviço", revela.

O portal AutoCidade estima que mais de 4 milhões de veículos passem por serviços de funilaria por ano no Brasil e registra que o valor da hora trabalhada por funileiros qualificados subiu entre 10% e 15% em grandes centros em 2026, reflexo direto da escassez de mão de obra especializada. Silva aponta que o diferencial técnico passou a ter valor comercial mais claro nesse contexto. "Bom funileiro está caro e difícil de encontrar. Mas o mercado que paga bem por trabalho técnico de verdade também está maior. O profissional que domina colorimetria, Candy Paint ou PDR não compete com qualquer um", diz. Silva obteve certificação pelo IQA em junho de 2026 e detém certificações pela I-CAR nas áreas de spray booth, reparo de alumínio e acabamento de superfície, além de certificação pela AkzoNobel Refinish Academy.

Para Silva, o mercado corporativo de reparação tende a se concentrar progressivamente em operações certificadas e com processo documentado, aprofundando a distância entre oficinas formalizadas e as que operam sem esse padrão. "O mercado corporativo de reparação vai se concentrar em oficinas certificadas e com processo documentado. As que ficarem de fora desse padrão vão continuar operando, mas sem acesso aos contratos que garantem volume e previsibilidade", conclui.

Fontes

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