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Notícias Corporativas 4 min de leitura

IA vai moldar salários e a disputa por talentos em 2026

Estudo da INTOO aponta inflação salarial em cargos ligados à IA e disputa estrutural por profissionais qualificados em um cenário de juros ainda elevados.

IA vai moldar salários e a disputa por talentos em 2026

O mercado de trabalho caminha para um 2026 de crescimento moderado, juros ainda elevados e uma disputa cada vez mais seletiva por profissionais de alta qualificação. Embora o Produto Interno Bruto (PIB) projetado para o próximo ano avance entre 1,6% e 1,8% e a inflação siga em trajetória de queda, empresas relatam desafios crescentes para atrair e reter especialistas em tecnologia, dados e sustentabilidade, áreas que já apresentam inflação salarial própria. As conclusões fazem parte do Guia Estratégico de Remuneração 2026, produzido pela Gi Group Holding, multinacional especializada em soluções para o mercado de trabalho.

O diagnóstico central do relatório mostra uma bifurcação inédita no mercado de trabalho brasileiro: enquanto funções tradicionais crescem de forma tímida, cargos estratégicos — especialmente ligados à inteligência artificial (IA), segurança de dados e transformação verde — operam em “pleno emprego”, com desemprego técnico abaixo de 4% entre profissionais com ensino superior. Isso gera um descompasso estrutural que, segundo as projeções, deve perdurar por vários anos.

“A disputa por talento qualificado não é conjuntural, é estrutural. Empresas de todos os setores concorrem por um mesmo e reduzido pool de especialistas em tecnologia, inteligência artificial e ESG”, afirma Rafael Chenta, coordenador do estudo e gerente de operações da INTOO, unidade de desenvolvimento de carreira da Gi Group Holding. “O salário segue sendo um fator relevante, mas já não é suficiente. O profissional busca flexibilidade, clareza sobre sua trajetória e um pacote de valor que inclua desenvolvimento contínuo”.

IA como “meta-habilidade” e salários paralelos

O relatório destaca que a proficiência em IA se tornou uma “meta-habilidade”, capaz de elevar significativamente o valor de mercado de um mesmo cargo. Um analista financeiro que domina modelos preditivos baseados em IA, por exemplo, pode ganhar muito mais que outro profissional com título igual, mas competências tradicionais. A projeção é de que entre 37% e 39% das competências profissionais atuais precisem ser transformadas até 2030, impulsionando uma onda de requalificação corporativa.

Esse movimento força as empresas a redesenhar seus planos de cargos e salários. “Estamos entrando na era dos salários aumentados por IA, em que o nível de domínio tecnológico cria faixas paralelas de remuneração dentro do mesmo cargo”, explica Chenta. “A remuneração passa a refletir impacto e escassez, não apenas senioridade”.

Pressão por produtividade e orçamento mais estratégico

Com a taxa Selic ainda prevista em 12% ao fim de 2026, as organizações terão pouco espaço para aumentos generalizados. De acordo com o relatório, a tendência é concentrar os investimentos salariais em áreas críticas, enquanto o restante da força de trabalho depende mais de bônus, metas e recompensas variáveis.

“Em um cenário de juros altos, cada real do orçamento de RH precisa gerar retorno mensurável. Não veremos grandes reajustes em massa, mas sim aumentos segmentados para manter talentos essenciais”, detalha Rafael.

Estados mantêm desigualdade salarial, com DF e SP na liderança

Os dados projetados mostram que o salário médio nacional deve chegar a R$ 3.548 em 2026, com forte disparidade regional. O Distrito Federal lidera com média de R$ 5.547, seguido por São Paulo, com R$ 4.298. No outro extremo, Maranhão e Ceará permanecem entre as menores médias do país.

Segundo a INTOO, essa diferença impacta a mobilidade profissional e a concorrência entre empresas regionais. “Profissionais qualificados continuam migrando para polos de inovação, o que deixa alguns mercados com déficit crônico de mão de obra especializada”, diz Chenta.

Os cargos mais quentes de 2025 e que seguirão em alta em 2026

O relatório identifica funções que impulsionaram recrutamentos em 2025 e devem continuar entre as mais disputadas:

  • Diretor de Receita (CRO)
  • Especialistas em IA e automação de processos
  • Analistas de cibersegurança
  • Engenheiros de segurança de processo
  • Gestores e analistas de sustentabilidade

Segundo o levantamento, apenas cargos ligados a tecnologia e gestão movimentaram até 30% das novas vagas em setores emergentes.

O novo imperativo das empresas: requalificar

Para 2026, a Gi Group Holding aponta a “Grande Requalificação” como prioridade estratégica. Metade das empresas brasileiras ainda não utiliza IA de forma estruturada, e grande parte das que usam está em estágios iniciais. O gargalo principal é a falta de talentos.

“A única estratégia sustentável é desenvolver a força de trabalho atual. Recrutar profissionais ‘prontos’ em áreas de altíssima demanda é caro e, muitas vezes, inviável”, avalia Rafael Chenta. “As empresas vencedoras serão aquelas que investirem fortemente em aprendizagem contínua”.

Híbridos dominam 2026: quem conecta técnica, dados e visão humana ganha espaço

A conclusão do relatório é clara: o profissional mais valorizado de 2026 é o híbrido, capaz de combinar domínio técnico com fluência digital e sensibilidade humana.

“Não basta ser especialista em tecnologia. O mercado quer quem conecte tecnologia ao negócio, alguém capaz de liderar, inovar e aprender rápido”, resume o especialista.

Fontes

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Versão original desta matéria no portal atual: ler no site antigo.

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