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Notícias Corporativas 5 min de leitura

Doença renal pode ser importante causa de morte até 2040

No Dia Mundial do Rim, especialistas alertam: até 90% dos casos iniciais não são diagnosticados. Mas casos de superação mostram que o diagnóstico não precisa ser um fim, mas um novo começo.

Doença renal pode ser importante causa de morte até 2040

Com a aproximação do Dia Mundial do Rim, celebrado em 12 de março, a comunidade médica volta os olhos para uma ameaça que cresce de forma silenciosa: a Doença Renal Crônica (DRC) já é uma das principais causas de morte no mundo e, segundo análises do Global Burden of Disease, coordenado pelo Institute for Health Metrics and Evaluation (IHME), pode se tornar a quinta maior causa de óbitos globais até 2040.

O avanço está diretamente associado ao aumento da hipertensão, do diabetes, da obesidade e ao envelhecimento da população; fatores que vêm crescendo de maneira consistente no Brasil. Hoje, estima-se que milhões de brasileiros convivam com algum grau de perda da função renal sem saber. Dados internacionais indicam que até 90% dos pacientes nos estágios iniciais desconhecem o diagnóstico.

Quando descoberta tardiamente, a doença pode evoluir para a necessidade de terapia renal substitutiva (diálise ou transplante). Segundo o Censo 2024 da Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), cerca de 172 mil pessoas realizam diálise no país, com mais de 50 mil novos pacientes iniciando tratamento a cada ano.

Para o médico nefrologista Bruno Zawadzki, vice-presidente médico da DaVita, hoje a maior rede de clínicas de diálise do Brasil e parceira do Sistema Único de Saúde (SUS), o grande desafio da doença renal está muito antes da sala de hemodiálise.

"A doença renal não começa na máquina. Ela começa anos antes, silenciosa, muitas vezes em um paciente diabético ou hipertenso que não faz exames simples, como dosagem de creatinina no sangue e pesquisa de proteína na urina", afirma o médico nefrologista. "Quando o diagnóstico vem cedo, conseguimos retardar a progressão, preparar o paciente com segurança e, em muitos casos, evitar complicações graves. A informação transforma o desfecho", destaca Zawadzki.

Doença renal e maternidade
A história de Amanda Lima ilustra esse percurso e também a possibilidade de recomeço. Paciente da DaVita na unidade de Botafogo, no Rio de Janeiro, Amanda, hoje com 39 anos, convive com a doença renal crônica desde a infância. Aos 8 anos, uma hipertensão descoberta tardiamente levou à perda de um dos rins. Veio então o primeiro grande capítulo de superação: o transplante, com um rim doado pela própria mãe. Anos depois, já adulta, perdeu a função do rim transplantado e precisou iniciar a hemodiálise. O impacto foi inevitável. "Você acha que o mundo para", lembra. Mas não parou.

Aos 35 anos, casada, decidiu engravidar. Um projeto que exigia planejamento rigoroso, acompanhamento intensivo e disciplina. Durante os nove meses de gestação, fez hemodiálise de segunda a sexta-feira, três horas por dia, sem falhas.

"Eu segui tudo à risca. Fiz mais sessões, me cuidei, tive o apoio integral da equipe da clínica. Eles vibravam comigo a cada exame", conta Amanda. O esforço valeu a pena: a filha nasceu saudável, de parto normal. "Foi o momento mais emocionante da minha vida. Eu aprendi que quanto mais diálise a gente faz, mais qualidade e mais tempo de vida a gente ganha. A doença não me impediu de ser mãe", relata.

Para Zawadzki, histórias como a de Amanda ajudam a mudar a narrativa em torno da doença renal crônica. "A hemodiálise não é um fim. É um tratamento que permite que o paciente continue vivendo, trabalhando, realizando sonhos. O que precisamos é garantir diagnóstico precoce, acesso e acompanhamento adequado", pontua.

Em um país em que milhares de brasileiros ainda descobrem a doença renal em estágio avançado, casos como o de Amanda mostram que, com tratamento e suporte, o que poderia ser encerramento pode, na verdade, ser recomeço.

Diagnóstico precoce é estratégico para o sistema de saúde
Exames simples e de baixo custo, como dosagem de creatinina no sangue, cálculo da taxa de filtração glomerular e pesquisa de proteína na urina, são suficientes para detectar a doença em fases iniciais. O médico Bruno Zawadzki recomenda que pessoas com diabetes, hipertensão, histórico familiar de doença renal, doenças cardiovasculares ou idade acima de 60 anos realizem avaliação anual da função renal.

Além do impacto clínico, o diagnóstico tardio tem consequência econômica. Pacientes que iniciam diálise em caráter de urgência apresentam maior risco de internações e complicações, aumentando os custos assistenciais. "A discussão sobre doença renal precisa sair do estágio terminal e avançar para uma lógica de linha de cuidado. É possível atuar desde a prevenção até o transplante, com acompanhamento estruturado e protocolos baseados em evidência", reforça o médico nefrologista Bruno Zawadzki.

O economista Wilson Ferreira, 67 anos, aposentado e casado, faz hemodiálise há 22 anos. Apesar disso, mantém uma vida ativa: pratica esportes e cumpre rigorosamente o tratamento. "Comecei em São Paulo, em junho de 2003. Me aposentei e voltei para o Rio, minha cidade natal. Aqui eu faço o tratamento em uma clínica perto de casa, levo dez minutos andando. Três vezes por semana, quatro horas por dia; tenho uma rotina cheia. Eu nado mais de 1 km em piscina e no mar. Sou grato por fazer hemodiálise porque me mantém vivo. As pessoas ficam assustadas quando sabem que eu sou paciente renal crônico. Minha meta é chegar aos 85 anos fazendo diálise", compartilha ele.

"Quero ser o paciente que dialisou por mais tempo no Brasil. Prefiro ir à clínica para me cuidar, conheço a diálise peritoneal, mas prefiro o cuidado profissional para isso. O único problema é a busca dos meus remédios em um posto distante de casa. Depois de uma rotina cansativa como a da diálise, ter que ficar aguardando remédio num ambiente caótico é muito ruim", conta o aposentado.

Fontes

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