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Cirurgias menos invasivas preservam fertilidade feminina

Técnicas como laparoscopia, histeroscopia e cirurgia robótica permitem tratar endometriose e miomas com menor trauma cirúrgico, preservando órgãos e aumentando as chances de gestação. Ginecologistas da Clínica Luvia destacam papel transformador das inovações médicas

Cirurgias menos invasivas preservam fertilidade feminina

A infertilidade é a incapacidade de obter uma gravidez bem-sucedida após 12 meses ou mais de relações sexuais regulares sem uso de métodos contraceptivos. A condição acomete de 10% a 15% das mulheres em idade reprodutiva, conforme publicado pela Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo).

Entre as principais causas de infertilidade feminina estão os distúrbios na ovulação, que representam 25% dos casos, a endometriose com 15%, as aderências pélvicas com 12%, a obstrução das trompas com 11%, outras alterações tubárias ou uterinas, que respondem por 11% e hiperprolactinemia (níveis elevados do hormônio prolactina), com 7%.

Dra. Thais Syrio, médica ginecologista na Clínica Luvia, explica que com a evolução de equipamentos cirúrgicos, tornou-se possível tratar condições complexas como endometriose profunda e miomas volumosos de forma segura e eficaz.

"As cirurgias minimamente invasivas transformaram o tratamento de doenças ginecológicas nos últimos anos. Com pequenas incisões e câmeras de alta resolução é possível tratar doenças ginecológicas com menor trauma cirúrgico e dor pós-operatória. Além disso, ajudam a reduzir o tempo de internação e o período de recuperação." revela a médica.

De acordo com o mesmo documento da Febrasgo, miomas uterinos afetam 20% a 50% das mulheres em idade reprodutiva, e podem afetar adversamente a fertilidade, tanto na concepção natural quanto na fertilização in vitro. Já a endometriose afeta 5% a 15% das mulheres em idade reprodutiva, embora 20% a 25% das mulheres afetadas sejam assintomáticas.

Segundo a entidade, a relação entre endometriose e dificuldade em conceber inclui fatores imunológicos, genéticos e ambientais, com dominância do fator mecânico nos estágios avançados da doença. A federação reforça que a condição é frequentemente uma causa de infertilidade, afetando até 30 a 50% das mulheres com endometriose.

Técnicas e indicações de tratamento

Dr. Cassiano Moreira, médico ginecologista na Clínica Luvia, esclarece que, entre as técnicas de cirurgia minimamente invasiva estão a histeroscopia, laparoscopia e, mais recentemente, a cirurgia robótica.

Conforme detalha o especialista, a histeroscopia é realizada por via vaginal, sem necessidade de cortes, apenas com sedação e alta após algumas horas. Durante o procedimento, uma ótica (equipamento com câmera e sistema de iluminação) é introduzida até o interior do útero. Em seguida, é infundido um líquido específico para promover a distensão uterina e facilitar a visualização.

"Na ponta da ótica, há uma alça que permite cortar e cauterizar tecidos, possibilitando o diagnóstico e o tratamento de alterações como pólipos, miomas, alterações uterinas, sangramentos anormais e infertilidade." descreve o médico.

Segundo o Dr. Cassiano Moreira, na laparoscopia é inserida uma ótica pela cicatriz umbilical, por uma incisão de um centímetro, e as pinças cirúrgicas, em aberturas de aproximadamente cinco milímetros, em locais previamente definidos. "A cirurgia é realizada com visão em um monitor de alta resolução, permitindo o tratamento de doenças como endometriose, miomas e cistos ovarianos."

O profissional relata que a cirurgia robótica é uma evolução da laparoscopia — que oferece maior precisão, visão tridimensional e movimentos mais delicados — e indicada para casos complexos, especialmente de endometriose profunda e cirurgias pélvicas diversas. "As incisões são semelhantes, a diferença é que são colocadas as pinças que fazem parte dos braços do robô e o cirurgião comanda o robô em uma cabine em anexo." explica o médico.

Preservação da fertilidade

De acordo com a Dra. Thais Syrio, a laparoscopia e a cirurgia robótica são consideradas o padrão-ouro no tratamento cirúrgico da endometriose, pois são técnicas que permitem identificar e remover de forma precisa os focos da doença, aliviar a dor e restaurar a anatomia pélvica.

"Além disso, preservam órgãos e estruturas importantes para a fertilidade, aumentando as chances de gestação natural ou por reprodução assistida. No entanto, para a realização dessas cirurgias é importante uma equipe especializada experiente e um bom planejamento cirúrgico." observa a especialista.

A ginecologista afirma que a indicação do tratamento minimamente invasivo para miomas uterinos, em substituição à cirurgia aberta tradicional, depende do número e do tamanho dos nódulos. Segundo ela, a maioria dos miomas podem ser removidos por laparoscopia, cirurgia robótica (ou histeroscopia — se estiverem presentes na cavidade uterina).

"Os miomas muito volumosos ou com múltiplos nódulos podem exigir uma via abdominal. O objetivo na escolha é sempre equilibrar segurança, preservação uterina e recuperação mais rápida, priorizando sempre a técnica menos agressiva possível." comenta a médica.

Para a especialista, a abordagem minimamente invasiva é, por si só, uma aliada da preservação da fertilidade. Segundo ela, por ser uma cirurgia benigna, o foco é remover a doença preservando as estruturas nobres como o tecido ovariano e uterino.

"No caso da endometriose, a cirurgia é realizada com dissecção cuidadosa das lesões, evitando danos aos ovários, trompas, útero, vasos e nervos. Na miomectomia, utilizam-se alguns artifícios para diminuir o risco de sangramento e técnica de reconstrução uterina precisa para manter a integridade da cavidade e permitir futuras gestações." explicita a profissional.

Segundo o Dr. Cassiano Moreira, o avanço dessas tecnologias tem mudado o papel do cirurgião e exigido uma capacitação mais especializada dos ginecologistas.

"O cirurgião precisa dominar não apenas a técnica ginecológica, mas também o uso de equipamentos ópticos, energia cirúrgica e plataformas robóticas. O resultado é uma cirurgia mais precisa, segura e com melhores resultados clínicos e reprodutivos para as pacientes." conclui o médico.

Para saber mais, basta acessar: https://luvia.med.br/

Fontes

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