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Mudanças no estilo de vida podem contribuir para um envelhecimento saudável

Mudanças no estilo de vida podem contribuir para um envelhecimento saudável
Mudanças no estilo de vida podem contribuir para um envelhecimento saudável

Especialista traz alternativas para melhorar a energia, a cognição e o bem-estar ao longo dos anos

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Segundo projeções do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a expectativa de vida da população brasileira chegou aos 76,6 anos, crescendo 2,5 meses em relação a 2023. No mundo, a maior expectativa de vida ao nascer para ambos os sexos pertence a Mônaco (86,5 anos), seguido por San Marino (85,8), Hong Kong (85,6), Japão (84,9) e Coreia do Sul (84,4). Esses números evidenciam que, além de fatores estruturais e sociais, o modo de vida exerce papel determinante na longevidade.

Aderir a estilos saudáveis pode atenuar significativamente o risco genético de menor expectativa de vida ou morte prematura, tanto que pode proporcionar mais benefícios para uma existência mais longeva.

Para o médico Renato Lobo, formado pela Universidade de São Paulo e pós-graduado em Medicina Esportiva e em Nutrologia pela Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN), longevidade não é apenas viver mais anos, mas garantir que esse tempo seja energeticamente produtivo. “O objetivo é manter o corpo e o cérebro funcionando em alta performance, com vitalidade, clareza mental e autonomia. Isso é envelhecer bem”, argumenta o especialista, que aponta estratégias acessíveis para preservar a saúde física e mental ao longo dos anos.

1. Controle do estresse

O estresse crônico é um dos maiores aceleradores do envelhecimento, afetando o cérebro, o sistema imunológico e o metabolismo. “Quando o corpo permanece sob tensão contínua, paga-se um ‘preço biológico’ chamado carga alostática, que pode reduzir a longevidade e comprometer a qualidade de vida. Práticas como meditação, exercícios físicos, hobbies e psicoterapia ajudam a aliviar esse impacto, promovendo bem-estar e contribuindo para viver mais anos com saúde e autonomia”, comenta Renato Lobo.

2. Lazer e estímulo cognitivo

Atividades que proporcionam prazer e desafio intelectual, como leitura, música, artes, palestras e aprendizado contínuo são apontadas como essenciais para a saúde cerebral e prevenção de doenças neurodegenerativas. “Elas estimulam conexões neurais, reduzem a carga de estresse e promovem bem‑estar físico e mental, tudo cientificamente comprovado”, revela o especialista.

Por exemplo, a pesquisa A atividade musical ao longo da vida está associada a benefícios cognitivos e cerebrais em múltiplos domínios em adultos mais velhos aponta que a prática musical regular, como uma atividade complexa e multimodal que integra o estilo de vida, é como um fator de proteção contra o declínio cognitivo relacionado à idade e a doença de Alzheimer.

3. Alimentação alinhada à longevidade

A dieta Mediterrânea, rica em vegetais, azeite de oliva, peixes e antioxidantes, é considerada um dos padrões nutricionais mais eficazes na promoção da saúde de longo prazo. “Trata-se de uma alimentação que reduz a inflamação, melhora o metabolismo e preserva o sistema cardiovascular”, explica Renato Lobo, que é idealizador da clínica Sculpté, localizada no Jardim Paulista, em São Paulo. A meta-análise Efeitos da dieta mediterrânea sobre os fatores de risco cardiovascular, o controle glicêmico e a perda de peso em pacientes com diabetes tipo 2 apresentou evidências que corroboram os efeitos benéficos da dieta mediterrânea sobre a pressão arterial, o controle glicêmico e a perda de peso.

4. Suplementação e biohacking supervisionado

Além dos suplementos tradicionais como resveratrol, chá verde e metformina (que ajuda a controlar a quantidade de açúcar no sangue), já comprovados cientificamente, o médico destaca terapias avançadas utilizadas em centros de longevidade ao redor do mundo e que estão sendo estudadas. “Como a aplicação intramuscular de NAD+, para energia e reparo muscular; os suplementos N-acetil-cisteína e a Coenzima Q10, que podem proteger as usinas de energia das células (mitocôndrias) e ajudar a manter o corpo em melhor funcionamento; as infusões endovenosas de nutrientes, que são vitaminas e minerais diretamente na veia; e o Azul de Metileno, uma substância em estudo, com pesquisas promissoras, que pode ajudar a memória e a proteger o cérebro contra doenças degenerativas”, enumera o especialista.

Para ele, essas intervenções são válidas apenas com orientação e acompanhamento médico. “E só após avaliação clínica com exames detalhados. Dessa forma, é possível oferecer benefícios significativos para quem busca otimizar energia, desempenho físico e função cognitiva”, afirma Renato Lobo.

5. Atividade física estruturada

Além da musculação, que promove o ganho de força e massa muscular, diminui a gordura corporal, contribui para o bem-estar e a saúde mental, o Protocolo Norueguês de Treinamento (4×4) surge como uma estratégia eficiente. “É um treino intervalado, sendo quatro minutos de esforço intenso com quatro minutos de recuperação, repetido quatro vezes. Esse método é conhecido por melhorar o VO₂ máximo, que é a quantidade máxima de oxigênio que seu corpo consegue usar durante um exercício intenso, e a função mitocondrial, fatores diretamente ligados à saúde cardiovascular e à longevidade. São adaptações que ajudam o corpo a envelhecer com mais eficiência”, conclui Renato Lobo.

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