Portal Comunique-se

Periodontite eleva risco de artrite reumatoide

Periodontite eleva risco de artrite reumatoide

Pessoas com artrite reumatoide têm chance cerca de 1,8 vez maior de periodontite; cientistas descrevem uma bactéria capaz de ligar as duas doenças

Compartilhe

A artrite reumatoide é uma doença autoimune: o sistema de defesa do corpo passa a atacar as próprias articulações. Entre as ligações estudadas entre a gengiva e o resto do corpo, esta tem um dos mecanismos biológicos mais bem descritos, e é uma das poucas em que já existem estudos testando o efeito do tratamento da gengiva.

O que os estudos mostram

Uma revisão publicada em 2024 na revista Frontiers in Immunology reuniu 33 estudos, com cerca de 49 mil pacientes com artrite reumatoide e mais de 760 mil pessoas sem a doença. A chance de ter periodontite, a inflamação crônica da gengiva e dos tecidos que seguram os dentes, foi cerca de 1,8 vez maior entre quem tinha artrite reumatoide. Somando os estudos, cerca de 65% dos pacientes com artrite reumatoide tinham periodontite. Os autores lembram que a estimativa ainda pode ser refinada, já que estudos com resultado negativo nem sempre chegam a ser publicados.

A bactéria que modifica proteínas

A hipótese que liga as duas doenças envolve um processo químico específico. A Porphyromonas gingivalis, bactéria associada à periodontite, produz uma enzima capaz de modificar certas proteínas, em um processo chamado citrulinação. O próprio corpo também faz esse tipo de modificação, mas poucas bactérias conhecidas têm essa capacidade. Na artrite reumatoide, o sistema de defesa produz anticorpos justamente contra proteínas modificadas dessa forma.

A proposta é que a bactéria, ao alterar essas proteínas, leve o organismo a enxergá-las como alvo, o que pode disparar ou manter a reação autoimune. É um caminho plausível e muito pesquisado, que segue sendo confirmado em humanos.

Tratar a gengiva, um aliado

Uma análise de 2024 reuniu seis estudos com 255 participantes, todos com sorteio entre os grupos. Quem tratou a gengiva terminou, em média, com o DAS28 cerca de meio ponto (0,56) abaixo do grupo que não tratou. O DAS28 é a escala usada pelos reumatologistas para medir a atividade da doença.

É um efeito pequeno, medido em um número ainda limitado de pacientes, e que não substitui nenhum tratamento reumatológico. O que ele mostra é que o cuidado com a gengiva pode somar ao acompanhamento de quem tem artrite reumatoide, decisão que cabe à equipe responsável. Para quem tem as duas condições, o acompanhamento odontológico deve conversar com o do reumatologista. Sangramento, retração da gengiva e dentes que amolecem pedem avaliação de um cirurgião-dentista.

Dr. Fernando Costa Jr.

Cirurgião-dentista — CRO-SP 38692. Pioneiro no uso do laser Fotona na odontologia brasileira.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento por profissional habilitado.

Compartilhe

DINO Agência de Notícias Corporativas

Agência de notícias corporativas. Conteúdos publicados em rede de parceiros online. Na lista de parceiros estão grandes portais, como os casos do Terra, do Metrópoles e do iG. Agência Estado e Agência O Globo também fazem parte desse time, assim como mais de uma centena de sites e blogs espalhados país afora.

Fale com um especialista
Fale com um especialista