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Emoção da Copa pode elevar risco cardiovascular

Emoção da Copa pode elevar risco cardiovascular

A emoção dos jogos decisivos da Copa do Mundo pode aumentar a pressão arterial e o risco de eventos cardiovasculares em pessoas com hipertensão e doenças do coração, segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia

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A emoção dos jogos decisivos da Copa do Mundo pode ir muito além da festa das arquibancadas. Em pessoas com hipertensão arterial e doenças do coração, a tensão de acompanhar partidas decisivas pode atuar como gatilho para aumentos bruscos da pressão arterial, aceleração dos batimentos e maior risco de eventos cardiovasculares.

Diversos estudos científicos já apontaram essa relação entre grandes eventos esportivos e o aumento de problemas cardíacos em torcedores. Um trabalho clássico publicado no periódico New England Journal of Medicine analisou mais de quatro mil atendimentos de emergência durante a Copa do Mundo de 2006, na Alemanha. Os pesquisadores observaram que, nos dias em que a seleção alemã entrava em campo, o risco de eventos cardíacos agudos foi mais que duas vezes maior em comparação com períodos sem jogos, com crescimento importante nos casos de infarto e arritmias nas primeiras horas após o início das partidas.

Mais recentemente, estudos envolvendo Copas do Mundo e outras competições reforçam que momentos de grande carga emocional podem desencadear alterações relevantes na frequência cardíaca, na pressão arterial e na liberação de hormônios ligados ao estresse. Em pessoas com fatores de risco como hipertensão, doença coronariana ou histórico de infarto, esses picos de emoção podem aumentar a probabilidade de descompensações e de complicações cardiovasculares.

No contexto brasileiro, o alerta ganha força diante da alta prevalência de hipertensão arterial e da importância da prevenção de infarto e acidente vascular cerebral. As diretrizes nacionais de hipertensão arterial enfatizam que a pressão alta continua sendo o principal fator de risco modificável para eventos cardiovasculares graves e mortalidade por doenças do coração e vasos sanguíneos. As diretrizes mais recentes sobre medida da pressão arterial dentro e fora do consultório também chamam atenção para níveis iguais ou superiores a 120 por 80 milímetros de mercúrio como um estágio de atenção, reforçando a necessidade de monitoramento regular da pressão.

Segundo cardiologistas, a emoção intensa ativa mecanismos fisiológicos que fazem parte da resposta de defesa do organismo. Em situações de estresse agudo, o corpo libera adrenalina e outros hormônios, que elevam rapidamente a frequência cardíaca e a pressão arterial. Em indivíduos com doença cardiovascular prévia ou hipertensão mal controlada, esse aumento súbito da demanda do coração pode favorecer o aparecimento de dores no peito e arritmias.

Especialistas orientam que, em períodos de grande expectativa esportiva, pessoas com hipertensão ou problemas cardíacos redobrem a atenção ao tratamento e ao estilo de vida. Manter a medicação em dia, evitar consumo excessivo de álcool, moderar a ingestão de sal, preservar horas adequadas de sono e realizar acompanhamento regular com o médico são medidas que ajudam a reduzir o risco. A mensagem central é que a emoção faz parte do futebol, mas precisa vir acompanhada de cuidado com a saúde, sobretudo entre quem já tem diagnóstico de doença cardiovascular.

Monitorar a pressão em casa é uma estratégia-chave

As diretrizes brasileiras de medidas da pressão arterial destacam que a monitorização residencial da pressão é hoje uma ferramenta importante tanto para o diagnóstico precoce quanto para o acompanhamento da hipertensão. Medir a pressão em casa, com aparelhos automáticos de braço clinicamente validados, permite identificar variações ao longo do dia e fornece informações mais completas para o médico ajustar o tratamento.

A automedida da pressão arterial também favorece o engajamento do paciente no próprio cuidado. Ao acompanhar seus números com regularidade, a pessoa passa a reconhecer fatores que pioram ou melhoram o controle da pressão, como sono insuficiente, consumo elevado de sal ou períodos de estresse intenso. Em tempos de Copa do Mundo, esse hábito ajuda a perceber se as emoções dos jogos estão se refletindo em aumentos da pressão arterial e, se necessário, discutir ajustes com o médico.

O recado dos especialistas é que torcer pela seleção pode e deve continuar fazendo parte da rotina, mas com atenção redobrada entre quem tem hipertensão ou problemas cardíacos. A combinação entre acompanhamento médico, uso correto de medicamentos, monitorização da pressão em casa e cuidado com o estilo de vida é a melhor forma de manter o coração protegido, mesmo nos momentos de maior tensão e euforia esportiva.

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