Portal Comunique-se

40% da IA agêntica pode ser cancelada até 2027

40% da IA agêntica pode ser cancelada até 2027

Segundo pesquisa, o problema raramente é a tecnologia: muitos projetos começam pela ferramenta, sem retorno de negócio claro. Abordagens que partem da decisão operacional surgem como resposta. Geraldo Franciscani, CEO da Guidance, analisa o cenário.

Compartilhe

A maior parte dos projetos de inteligência artificial autônoma corre risco de não sair do papel. Segundo estudo publicado pela Veja, mais de 40% das iniciativas de IA agêntica serão canceladas até o fim de 2027, por causa de custos crescentes, retorno de negócio pouco claro ou controles de risco insuficientes. A previsão foi divulgada pela consultoria em junho de 2025.

A causa raramente está na tecnologia em si. Boa parte dos projetos ainda é formada por experimentos e provas de conceito movidos por entusiasmo, muitas vezes aplicados onde não havia necessidade. A consultoria aponta também o "agent washing", a prática de rebatizar de agente produtos que já existiam, como assistentes e automações simples, e estima que apenas cerca de 130 dos milhares de fornecedores do mercado oferecem capacidade real de agentes. O resultado são sistemas caros que entregam relatórios e demonstrações, mas mudam pouco a forma como a operação decide.

Esse diagnóstico tem reorganizado a maneira como parte do mercado conduz projetos de IA. Em vez de começar pela escolha da ferramenta, cresce a adoção de abordagens que partem da decisão de negócio: identificar onde uma decisão operacional otimiza receita, reduz custo ou risco, construir a inteligência para aquela decisão específica e medir o impacto financeiro antes de ampliar o uso. A empresa brasileira Guidance, que realiza projeto de Dados e IA para grandes empresas, criou uma metodologia baseada nesses fatores chamada Decision-Centric e já gerou mais de R$ 500 milhões em resultado financeiro para clientes que o adotaram.

Na prática, a lógica inverte a ordem habitual do projeto. A priorização começa pelo retorno de curto prazo, pelo que gera resultado rápido com baixo risco, para validar antes de escalar. Os dados são organizados para sustentar decisões recorrentes do dia a dia, e não para análise exploratória. Os modelos e agentes são desenhados para recomendar ou executar uma decisão e inseridos no fluxo de trabalho, o que exige que as pessoas passem a confiar na inteligência e mudem a forma como decidem. A expansão para outras frentes só ocorre depois de medir o impacto.

Para Geraldo Franciscani, CEO da Guidance, o risco maior aparece antes da tecnologia. "O projeto trava quando começa com foco na tecnologia, e não em qual decisão precisa ser otimizada e qual resultado financeiro esperado. A ferramenta vem depois disso, não antes", afirma. A leitura conversa com o diagnóstico do estudo, que associa os cancelamentos à falta de valor de negócio claro, e não a limitações dos modelos.

O movimento acompanha a expectativa de que a IA assuma parte das decisões de rotina. As informações da Veja Negócios apontam que, até 2028, cerca de 15% das decisões do dia a dia no trabalho poderão ser tomadas de forma autônoma por sistemas agênticos. Nesse cenário, a capacidade de ligar cada projeto a um resultado mensurável tende a separar as iniciativas que chegam à operação das que são abandonadas no meio do caminho.

Compartilhe

DINO Agência de Notícias Corporativas

Agência de notícias corporativas. Conteúdos publicados em rede de parceiros online. Na lista de parceiros estão grandes portais, como os casos do Terra, do Metrópoles e do iG. Agência Estado e Agência O Globo também fazem parte desse time, assim como mais de uma centena de sites e blogs espalhados país afora.

Fale com um especialista
Fale com um especialista