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Pesquisa reforça técnica fetal para hérnia diafragmática

Pesquisa reforça técnica fetal para hérnia diafragmática

Pesquisa internacional publicada em uma das principais revistas científicas de medicina fetal do mundo avalia resultados da oclusão traqueal fetoscópica em casos graves de hérnia diafragmática congênita e destaca avanços no tratamento intrauterino da doença

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Uma das mais graves malformações fetais diagnosticadas durante a gestação acaba de ganhar novos e importantes dados científicos sobre seu tratamento. Publicado na revista Prenatal Diagnosis, referência internacional em medicina fetal, um estudo multicêntrico latino-americano avaliou os resultados da Oclusão Traqueal Fetoscópica Fetal (FETO – Fetoscopic Endoluminal Tracheal Occlusion) em casos graves de hérnia diafragmática congênita esquerda, condição que permanece entre os maiores desafios da medicina perinatal.

O estudo foi conduzido por especialistas de centros de excelência da América Latina e liderado pelo Prof. Dr. Rodrigo Ruano, obstetra, professor e cirurgião materno-fetal, reconhecido internacionalmente por sua atuação pioneira em cirurgia fetal. O médico foi responsável por introduzir no Brasil diversas técnicas minimamente invasivas de cirurgia fetal, contribuindo para transformar o tratamento de doenças fetais complexas.

A hérnia diafragmática congênita ocorre quando há uma abertura anormal no diafragma do feto, permitindo que órgãos do abdômen, como intestino, estômago e fígado, migrem para o tórax durante a gestação. Essa alteração compromete o desenvolvimento dos pulmões, provocando hipoplasia pulmonar e hipertensão pulmonar grave após o nascimento.

Segundo entidades internacionais, a doença afeta cerca de um em cada 2.500 a 4.000 nascimentos. Nos casos mais graves, mesmo com os avanços da neonatologia, a mortalidade continua elevada devido à insuficiência respiratória.

Foi para enfrentar esse desafio que surgiu a técnica FETO. O procedimento consiste na introdução, por fetoscopia, de um pequeno balão na traqueia do feto. A obstrução temporária retém o líquido produzido pelos pulmões, estimulando seu crescimento antes do nascimento.

Nas últimas duas décadas, estudos europeus demonstraram aumento significativo da sobrevivência de fetos com hérnia diafragmática grave submetidos à técnica. A nova pesquisa amplia esse conhecimento ao mostrar que o procedimento também pode ser realizado com segurança e resultados comparáveis em centros especializados da América Latina.

Segundo o Prof. Dr. Rodrigo Ruano, o trabalho representa um marco para a medicina fetal na região.

"Este estudo demonstra que a América Latina possui capacidade técnica, experiência clínica e excelência científica para oferecer tratamentos fetais altamente complexos em nível internacional. A oclusão traqueal fetoscópica representa uma das maiores conquistas da cirurgia fetal moderna porque permite estimular o desenvolvimento pulmonar de bebês que, historicamente, apresentavam prognóstico extremamente reservado."

Os autores destacam que a seleção criteriosa dos casos é fundamental para o sucesso do procedimento. Atualmente, essa avaliação inclui ultrassonografia avançada, ressonância magnética fetal e cálculos específicos que estimam o volume pulmonar esperado.

Nos casos classificados como graves, a intervenção fetal pode aumentar significativamente as chances de sobrevivência e melhorar os resultados após o nascimento.

O estudo também reforça uma tendência observada em pesquisas internacionais: o avanço da medicina fetal tem permitido tratar, ainda durante a gestação, doenças antes consideradas inevitavelmente fatais. A combinação de técnicas minimamente invasivas com o aprimoramento da terapia intensiva neonatal vem transformando o prognóstico de diversas malformações congênitas.

Para o Prof. Dr. Rodrigo Ruano, esse avanço representa uma mudança de paradigma na obstetrícia moderna.

"Hoje não estamos apenas acompanhando a evolução de determinadas doenças fetais. Em muitos casos, conseguimos tratá-las antes do nascimento. Essa é uma das maiores revoluções da medicina contemporânea. O objetivo não é apenas aumentar a sobrevivência, mas também melhorar a qualidade de vida futura dessas crianças."

Os pesquisadores ressaltam que a FETO deve ser realizada exclusivamente em centros altamente especializados, com equipes multidisciplinares experientes em medicina fetal, cirurgia fetal, neonatologia, anestesia obstétrica e terapia intensiva neonatal.

A publicação também evidencia a importância da colaboração científica internacional para ampliar o conhecimento sobre doenças raras e acelerar a incorporação de novas tecnologias à prática clínica. Nesse cenário, a participação de pesquisadores latino-americanos em estudos multicêntricos reforça o protagonismo crescente da região na medicina fetal mundial.

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